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CBGG 2018 – Realidade virtual na prevenção de quedas

As mudanças na reabilitação física e o uso da tecnologia como auxiliar nesse processo foram temas abordados em uma das sessões científicas do XXI Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia em seu último dia, sexta, 8 de junho.

A fisioterapeuta Anabela Correia Martins, docente da Escola Superior de Tecnologia da Saúde, do Instituto Politécnico de Coimbra,  falou sobre as mudanças nas sessões de reabilitação – com períodos cada vez mais curtos para acompanhamento de pessoas, sessões cada vez mais reduzidas em duração e número por diversos motivos – financeiros ou mesmo de tempo. “Alternativas tecnológicas são uma realidade promissora, mas exigem políticas que as vejam como prioridades no contexto da reabilitação”, disse.

Sensores inerciais, realidade virtual, ExerGames (jogos que propõem movimentos do corpo para cumprir tarefas ou completar fases), smartphones, braceletes e relógios inteligentes são algumas das tecnologias facilitadoras do processo de reabilitação.

No Instituto Politécnico de Coimbra, a fisioterapeuta está envolvida, junto com outros parceiros, no projeto Fall Sensing, que tem como objetivo desenvolver soluções tecnológicas que auxiliem no rastreio do risco de queda para implementar planos de prevenção na população, seja para idosos na comunidade como em ILPIs (instituição de longa permanência para idosos). O projeto também orienta exercícios e atividades baseados no sistema Otago (treino de equilíbrio, força e marcha) para prevenir a ocorrência de quedas.

Nesse projeto participam 600 adultos com mais de 50 anos – uma amostra estatística da população de Portugal. Alguns exercícios são propostos e monitorizados em tempo real com sensores inerciais. Para avaliação clínica do risco de queda, é utilizada uma plataforma de pressão sobre a qual o adulto fica em pé, realizando atividades orientadas.

No Brasil, a fisioterapeuta Juliana Maria Gazzola, docente do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), também lidera um projeto parecido, que utiliza sensores e realidade virtual para mensurar o risco de quedas.  Chamada BRU, a Balance Rehabilitation Unit (Unidade de Reabilitação de Balanço) mensura o limite de estabilidade do idoso e simula dez condições sensoriais diferentes, sendo seis delas por meio de um óculos de realidade virtual.

“A pessoa é colocada na plataforma de força e a BRU quantifica as desordens do equilíbrio corporal por meio das medidas de áreas de deslocamento corporal e a velocidade de oscilação média”, diz a especialista. “Quanto maior a área de deslocamento e a velocidade média, pior o equilíbrio e maior o risco de queda”.

Com o projeto ainda em andamento, não foi possível destacar resultados. No entanto, a especialista acredita que esse tipo de tecnologia pode contribuir para mensurar os riscos de queda e, a partir disso, permitir que fisioterapeutas proponham uma abordagem de prevenção que inclua o ambiente onde o idoso vive e reabilitação física para melhorar o equilíbrio.

A cobertura completa do XXI Congresso de Geriatria e Gerontologia estará na próxima edição da Revista Aptare.