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Feminização da velhice: uma questão masculina

Por Luciana Fleury

É uma realidade constatada em centros-dia para idosos, nos consultórios de geriatras, nos serviços de gerontologia, nas instituições de longa permanência, no perfil dos inscritos para diferentes atividades propostas para o público acima dos 60 anos: a expressiva superioridade numérica das mulheres. Os dados estatísticos comprovam. A tão falada inversão da pirâmide etária a ser vivida pelo Brasil nos próximos anos caminha a passos rápidos, vestindo saia.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Características dos Moradores e Domicílios, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017 a população brasileira manteve a tendência de envelhecimento dos últimos anos e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões (em 2012, as pessoas com 60 anos ou mais somavam 25,4 milhões). As mulheres são maioria significativa nessa faixa etária, totalizando 16,9 milhões (56% dos idosos), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44% do grupo).

O país se vê, assim, diante do fenômeno da feminização da velhice, uma questão que tem consequências e precisa ser levada em conta pelos profissionais que se dedicam a essa população e pelos gestores públicos. Estratégias de atendimento e políticas públicas precisam ser pensadas para suprir necessidades e garantir a superação de obstáculos para que a longevidade feminina esteja associada a qualidade de vida. “Por um lado, é fantástico que as mulheres vivam mais; por outro, a verdade é que elas estão pagando um preço alto, porque, apesar das dificuldades a elas impostas, elas ‘ousam’ envelhecer”, diz Alexandre Kalache, médico especialista em envelhecimento e presidente da Aliança Global dos Centros Internacionais da Longevidade.

 

Negligência masculina

Diferentes aspectos levam as mulheres a viver mais do que os homens. Um primeiro fator pode ser explicado pela violência social e pelos acidentes, que de modo geral vitimam mais os jovens do sexo masculino – não é à toa que a superioridade masculina na distribuição da população por gênero, registrada desde o número de nascimentos, é alterada a partir da faixa dos 25-29 anos de idade. Já com relação à decisão de terminar com a própria vida, o Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil revela que os homens concretizam mais o ato (79%), apesar de as mulheres liderarem as tentativas (69% do total).

No entanto, o ponto crucial parece estar no cuidado com a saúde. “As mulheres frequentam mais os serviços de saúde ao longo da vida, muito pela questão do ciclo reprodutivo; elas têm um olhar para o corpo muito diferente do que o homem tem”, afirma Vania Herédia, socióloga e presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. A consulta ao ginecologista pela ocorrência da primeira menstruação, o exame anual do papanicolau e o pré-natal durante a gravidez criam uma rotina preventiva que se espalha para além do aspecto ginecológico. “Já o homem costuma apenas procurar cuidados médicos quando tem sinais e sintomas, sendo raro o cuidado com a prevenção primária, com a realização de exames periódicos”, diz Vania.

Ajudam a perceber essa diferença no autocuidado os dados da Pesquisa Nacional de Saúde* realizada em conjunto entre o Ministério da Saúde e o IBGE. O levantamento revelou que 71,2% dos entrevistados haviam se consultado pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à entrevista. Entre as mulheres, o índice foi de 78%, contra 63,9% dos homens. Elas também são mais aplicadas nos cuidados com os dentes: 47,3% das brasileiras disseram terem ido ao dentista uma vez nos 12 meses anteriores, ante 41,3% dos homens. A diferença também aparece na questão da higiene bucal: 91,5% do público feminino pesquisado respondeu que escova os dentes duas vezes ao dia, ao passo que entre os homens essa taxa foi de 86,5%. Eles, também, fumam mais que elas (19,2% contra 11,2%).

 

Uma vida inteira de desigualdades

A questão principal é que cuidar-se ajuda as mulheres a viver mais, mas não necessariamente a viver melhor. Ao contrário, essa noção de cuidar, culturalmente associada ao papel de mãe – e, portanto, feminino – , impacta negativamente na qualidade de vida. “Elas vivem mais que os homens, mas, ao longo da vida, adoecem mais do que eles”, diz Vania. “Esse é o efeito de uma sociedade patriarcal que delega à mulher muitos papéis e, ao mesmo tempo, a discrimina social, política e economicamente.”

Pesam as históricas diferenças salariais, de progressão de carreira, de estabilidade no emprego – que determinam, além de menor acesso a diferentes recursos contributivos para a qualidade de vida ao longo dos anos, a construção de um patrimônio e uma aposentadoria menores. Pesa a ausência de políticas públicas pensadas – mais do que para mulheres – por mulheres. “O poder público é dominado por homens, não só nos cargos diretamente eleitos, como prefeitos e governadores, mas também nos ministérios, secretarias, no Judiciário”, lembra Kalache. Pesa a dupla jornada, com os cuidados com a casa ainda sendo considerados uma atividade feminina. Apesar de ter registrado aumento do número de homens que realizam tarefas domésticas, a PNAD Contínua 2017 ainda mostra grande diferença nas taxas de realização de afazeres domésticos entre eles (76,4%) e elas (91,7%).

Pesa, principalmente, o cuidado com os outros. Ainda de acordo com a PNAD, de 2016 para 2017 o percentual de pessoas que cuidavam de outros moradores do domicílio ou parentes não moradores cresceu de 26,9% para 31,5%, um aumento de 8,3 milhões de pessoas, totalizando 53,2 milhões. O cuidado de crianças entre 0 e 5 anos de idade foi citado por 49,8% dos entrevistados, a faixa entre 6 e 14 anos registrou 49,7%, e a de pessoas acima de 60 anos de idade correspondeu a 8,8% dos casos de cuidado de moradores. Novamente, há discrepância nessa forma de trabalho: enquanto 37% das mulheres realizaram tais cuidados, entre os homens a proporção foi de 25,6%. Em relação aos tipos de cuidado realizado, as mulheres participavam mais que os homens das atividades de auxiliar nos cuidados pessoais (86% e 65,5%, respectivamente) e das atividades educacionais (73% e 61%). Nas demais atividades, os percentuais registrados por homens e mulheres são menos discrepantes, mas sempre superiores para as mulheres.  É entre as pessoas de 14 a 24 anos que se percebe a maior diferença na realização de cuidados entre homens e mulheres. Enquanto 33,6% das jovens cuidavam de outras pessoas, apenas 18,5% dos rapazes o faziam.

Pesa a soma de cuidar da casa e dos familiares de forma intensa. As mulheres dedicaram quase o dobro do tempo (20,9 horas) em relação aos homens (10,8 horas) a atividades domésticas e cuidados de pessoas. “O resultado é uma trajetória permanente de cuidados. Primeiro com os irmãos mais novos, depois com os filhos, mais tarde com os pais, muitas vezes com o sogro ou a sogra e, agora, com a maior longevidade, com os avós”, elenca Vania. “Nesse sentido, a feminização acaba provocando um incremento nos papéis que sempre existiram mas que se tornaram ampliados; a mulher fica no circuito do meio, tendo de lidar com velhos, jovens e crianças.”

Como agravante, pesa, também, a ausência de instrumentos e sistemas bem consolidados, em número suficiente e de qualidade, que apoiem as responsabilidades jogadas sobre as mulheres, como creches, instituições de longa permanência para idosos, serviços de saúde especializados. “O Sistema Único de Saúde (SUS) está implodindo, os investimentos sociais, cada vez menores, talvez sejam ainda mais reduzidos com a decisão de congelar gastos sociais. Aquela que sempre cuidou, quando envelhece e precisa de cuidado, não encontra apoio. Isso sem falar na questão da mulher negra, mais discriminada quanto mais escura sua pele for, e na população LGBT dessa faixa etária, invisível para as políticas de atenção”, complementa Kalache.

Ao final, essa mulher se vê no desafio de enfrentar os anos que ela tem a mais com as marcas de uma vida inteira de desigualdades. Em muitos casos, a mulher idosa leva para essa etapa do caminho uma pesada bagagem, com a saúde física e emocional fragilizada pelo excesso de carga ao longo dos anos; pela ausência de segurança financeira, sem poupança ou bens para sustentar um padrão de vida adequado na velhice; e pela reduzida garantia de direitos.

 

A necessária presença do masculino

Apesar do efeito debilitante e exaustivo, há um lado positivo na verdadeira corrida de obstáculos vivenciada pelas mulheres até cruzar a faixa dos 60 anos – e continuar a partir daí. Vencer os desafios impostos cria uma alta capacidade de resolução de problemas, e elas se mostram mais aptas a morar sozinhas, a administrar uma casa sem ajuda e a ter mais autonomia do que os homens nessa faixa etária, contribuindo para enfrentar a ausência de ter quem cuide delas. “Por outro lado, as mulheres se socializam mais do que os homens, o que ajuda a suprir a falta de cuidadores familiares. Elas desenvolvem laços afetivos e conseguem criar uma rede de suporte social informal, que são as pessoas que acabam socorrendo em caso de necessidade, como uma amiga, uma vizinha, a manicure, a cabeleireira. Temos exemplos de experiências bem interessantes de solidariedade feminina”, comenta a psicóloga Valmari Cristina Aranha, docente do curso de psicologia do Centro Universitário São Camilo e membro da diretoria da SBGG.

A realidade, no entanto, é que isso não basta. A experiência acumulada em seu atendimento clínico deixa claro para Valmari as lacunas que essa superioridade numérica das mulheres causa. “Elas sentem falta do homem como companheiro, não só para ter uma atividade sexual”, diz. Uma ausência que afeta as mais diversas atividades sociais. “Falando de maneira bem genérica, em algumas discussões os homens trazem mais objetividade, o que faz com que a dinâmica seja diferente em grupos onde há homens e mulheres. Há também questões práticas e simples, como, em uma dança, ter de dançar mulher com mulher.”

Uma mudança que Valmari vem notando é a busca de companheiros mais novos, coisa incomum antigamente. “Há 20 anos, relacionamentos intergeracionais entre mulheres mais velhas e homens mais novos eram raros. Hoje, não. Mulheres idosas não querem um homem muito mais velho para começar um relacionamento, até porque não querem alguém de quem elas vão ter que acabar cuidando muito em breve”, comenta. No final, segundo Valmari, o que tem unido as pessoas acima de 60 anos não tem a ver com a idade, mas, sim, com objetivos em comum. “Quem dança quer alguém que goste de dançar; quem gosta de viajar quer um par que curta viagens; quem adora jantar fora quer companhia para a refeição”, afirma.

Não encontrar esse companheiro, porém, tem efeitos colaterais. “Uma idosa que tem um desejo sexual não exercido com um parceiro pode deslocar esse desejo para pessoas com quem convive. Ela pode desenvolver uma paixão platônica pelo motorista do ônibus que ela sempre pega, ou pelo vizinho, ou pelo porteiro”, descreve Valmari, contando da percepção da clara preferência, no atendimento no Hospital das Clínicas em São Paulo, de idosas em ser atendidas por profissionais do sexo masculino. “Isso porque, nesse momento, é um homem quem olha para ela, escuta, dá atenção e, no caso do médico, toca em seu corpo.”

Outra situação decorrente da falta de opções para a construção de novos relacionamentos na velhice envolve o risco de uma má escolha. “Algumas pessoas se expõem a situações de violência, de abuso em nome de uma relação, e acabam entrando e permanecendo em relacionamentos abusivos para ter um parceiro que garanta esse contato com o masculino”, relata Valmari. “O ato seguinte é esconder de todos essa condição, porque há a vergonha em dizer que é ela quem sustenta a bebida, o cigarro, o convênio médico do companheiro. E, em caso de agressão física, são ainda menores chances de ela contar isso para alguém. Geralmente é algo só descoberto lá na frente, quando a pessoa se deprime, entra em um quadro de adoecimento físico e psíquico.”

Uma ressalva se faz importante, porém. É preciso cuidado com generalizações. A análise aprofundada dos efeitos da feminização da velhice esbarra na dificuldade de encontrar pontos em comum em uma amostra composta por uma imensa pluralidade de condições. A intensidade do cuidar imposto à mulher está relacionada a aspectos econômicos, sociais, de composição familiar, da existência ou não de filhos, da condição de saúde dos pais, da presença ou não de doenças graves, de suas próprias escolhas pessoais. Assim como a maneira como ela lida com a solidão ou com a dificuldade em estabelecer um novo relacionamento diante da escassez de homens disponíveis. Para algumas mulheres, a viuvez ou o divórcio pode representar uma redescoberta de si mesmas ao ver-se respondendo bem a uma série de questões que antes eram de responsabilidade exclusiva do marido, como a gestão financeira familiar.

Outro ponto importante a considerar é a existência de diferentes grupos etários a partir dos 60 anos. “A maior expectativa de vida criou uma heterogeneidade para o próprio envelhecimento. Como antes não se passava dos 65 anos de idade, não havia a composição significativa que existe hoje, formada pelos grupos dos 70, 80, 90 e centenários, que são completamente diferentes entre si”, considera Vania. A diferença é ainda maior para as possíveis trajetórias das mulheres de cada um desses grupos, tendo o sexo feminino atravessado uma verdadeira revolução pelas conquistas de direitos e redução das desigualdades de gênero em diversos campos nas últimas três décadas, notadamente pela liberação sexual trazida pela pílula anticoncepcional e pela forte entrada da mulher no mercado de trabalho.

Finalmente, há ainda a questão dos ageless, pessoas bem acima dos 60 anos que não aparentam a idade que têm, quebrando estereótipos e padrões esperados de comportamento, colocando em xeque qualquer tentativa de traçar um perfil único do envelhecimento.

 

Combate ao machismo

Mesmo diante da existência de várias velhices e das diferentes condições sociais e econômicas experimentadas pela população de mais de 60 anos, o fato é que envelhecer é uma conquista recente da humanidade e deveria ser melhor para todos. Homens deveriam viver mais e mulheres deveriam chegar com mais fôlego e qualidade de vida para aproveitarem essa etapa de vida. Mas como garantir isso? A resposta para ambas as situações Kalache acredita ser única e a emite sem titubear: combatendo o machismo. “É preciso haver uma desconstrução da atitude machista. O homem precisa mudar sua relação com o cuidado, não só sendo um receptor, mas cuidando-se e sendo um agente do cuidar”, afirma. Apesar de ter havido mudanças visíveis nesse sentido, com uma parcela masculina já transformando sua visão com relação à paternidade, por exemplo, a percepção que se tem é de que é necessário mais velocidade.

É o velho discurso de “menino não chora” que faz com que a população masculina não procure um médico a tempo de prevenir e tratar uma doença que se tornará fatal. É uma visão antiga do homem como provedor que desvaloriza as atividades domésticas e o destina às mulheres que antes permaneciam em casa. É o machismo que cria desigualdades de gênero no mercado de trabalho; dificulta a entrada do feminino em algumas atividades, como acontece na área da tecnologia; e gera a falta de representatividade das mulheres na política. Por isso, é preciso quebrar esses padrões. “Essas mensagens precisam ser disseminadas de forma maciça, têm de estar na novela, em campanhas de marketing social, em conteúdos trabalhados na escola”, defende Kalache.

Para ele, a licença-paternidade deve ser repensada de forma a promover uma efetiva ligação entre o pai e a criança; o número e a qualidade de equipamentos como creches devem ser ampliados; e estratégias que reduzam a sobrecarga da mulher e chamem o homem à corresponsabilização devem ser traçadas. “Eu defendo a criação de um instrumento legal que possibilite aos filhos obter um atestado médico para cuidar de seus pais idosos quando eles precisarem, da mesma forma que acontece quando nasce uma criança; e isso deve ser feito de maneira que também o filho homem assuma essa responsabilidade”, afirma.

Kalache também acredita no poder da conscientização sobre as vantagens de cuidar de um familiar. A Aliança Global da Longevidade, entidade que ele preside, colocou em marcha um estudo para investigar, em 16 países, “o que se ganha quando se cuida”. A ideia é consolidar as experiências e vivências para relatar os benefícios enxergados por aqueles que se dedicam a cuidar de um ente querido – e divulgá-los. É uma maneira de inspirar pessoas e desenvolver uma visão positiva sobre uma tarefa tão árdua.

 

Reinvenção necessária

Quando a resposta para um problema envolve uma mudança cultural, sabe-se que é necessário tempo para que ela aconteça. A questão que permanece, então, é o que fazer com os homens que, apesar de minoria, estão apagando velinhas de aniversário com dígitos superiores a 65? Como ampliar a perspectiva de longevidade deles, contribuindo para reduzir a desigualdade de gênero ao menos numérica?

Para Sandra Regina Gomes, coordenadora de políticas para a pessoa idosa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, parte da solução passa por envolvê-los em atividades hoje dominadas pelas mulheres. “Em qualquer núcleo de convivência de idosos, quando se abre uma atividade com 60 vagas, 58 delas são preenchidas por mulheres”, exemplifica. Isso não é apenas explicado pelo fato de haver mais mulheres do que homens, pois a diferença numérica não ocorre nessa proporção.

A realidade é que a mulher tem adotado uma postura de maior participação e informação, novamente se autocuidando. “Elas participam, frequentam, discutem, se posicionam de uma forma muito forte”, diz Sandra. Isso significa que estão recebendo informações de saúde, sendo orientadas para a resolução de problemas e praticando a convivência, algo que vários estudos demonstram ser essencial para combater o isolamento prejudicial para longevidade. “Essa conquista os homens precisam ter, porque senão o envelhecimento será muito ruim para eles”, alerta.

Engajar os homens, porém, é uma missão e tanto. “A questão é que o homem não se percebe nesse processo de envelhecimento, a não ser naquilo que ele ocupou a vida inteira, em ser o provedor, o tomador de decisões, o responsável por determinar os cargos e funções. Ao se aposentar, ele não consegue se posicionar novamente, não consegue achar seu papel nessa nova realidade e opta por permanecer em casa, muitas vezes se recusando a participar de qualquer outra atividade”, explica Sandra. “Isso é algo sério, porque ele acaba ficando sozinho em casa e pode desenvolver uma depressão ou até uma dependência química.”

No caso da prefeitura de São Paulo, a estratégia tem sido convocar sua participação, trazendo temas de interesse ou que lhes digam respeito diretamente, como as campanhas de câncer de próstata. “Abrimos uma escola de conselhos, com periodicidade semanal, e, apesar de a adesão de mulheres ainda ser maior, já percebemos um pequeno aumento no índice de homens participando. Descobrimos que eles gostam de discutir sobre cidadania. Ainda são sempre os mesmos participantes, mas a ideia é estimular, pedir que eles tragam os amigos”, diz Sandra. A questão é tão relevante que faz parte das discussões do Plano Municipal Intersetorial de Políticas Públicas para o Envelhecimento, em elaboração conjunta por 15 secretarias municipais. Uma das temáticas é exatamente entender por que há essa diferença na adesão dos programas e ações propostas por parte dos homens e estruturar formas de reduzir essa desigualdade.

“Os homens precisam ser lembrados que eles envelheceram, que precisam se adaptar. Não é fácil envelhecer, e mais difícil ainda em um país como o Brasil atual, onde se assiste a uma sequência de perda de direitos e a uma proposta de reforma da Previdência que é um retrocesso e volta a uma abordagem assistencialista”, destaca Sandra.

Ao final, para uma longevidade melhor para todos, cabe ao homem a coragem tão bem demonstrada pelas mulheres nas últimas décadas: a de se reinventar.

*A Pesquisa Nacional de Saúde coletou informações em 64 mil residências brasileiras em 1,6 mil municípios entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014. Seus resultados foram divulgados ao longo de 2015. Com previsão de realização a cada cinco anos, há a previsão de a PNS-2019 ter a coleta iniciada no segundo semestre deste ano.