Em 2018 ocorreram 297,8 mil óbitos de residentes no Estado de São Paulo. Isso representa 3,7 mil óbitos a mais do que em 2017; 60,1 mil a mais em relação a 2000; e 187 mil a mais do que em 1950. O volume crescente de óbitos relaciona-se diretamente com o aumento da população paulista, que cresceu 4,8 vezes entre 1950 e 2018, enquanto os óbitos cresceram 2,7 vezes, demonstrando o forte impacto da redução dos riscos de morte no período. Em 2018, metade das mortes corresponde a pessoas com mais de 70 anos, seguindo tendência de concentração em idades cada vez mais elevadas.  Os dados foram elaborados pela Fundação Seade com base nas informações dos Cartórios de Registro Civil de todos os municípios paulistas.

O processo de envelhecimento populacional, que se traduz na elevação da proporção de pessoas idosas em relação ao total da população, induz ao crescimento do número de óbitos mesmo diante do declínio contínuo dos riscos de morte em todas as faixas etárias.

Dessa forma, 72% das mortes ocorridas em 2018 eram de pessoas com 60 anos e mais de idade, enquanto 20% correspondiam a idosos com mais de 85 anos. Essa composição é muito distinta do que ocorria no passado. Em 1950, por exemplo, somente 22% das mortes eram de pessoas com 60 anos e mais, e aquelas com mais de 85 anos representavam apenas 3% do total. Destaca-se que 32% dos óbitos eram de crianças menores de um ano, ao passo que em 2018 essa proporção caiu para 2%. A projeção dessa tendência é de redução para 0,5% até 2050.

No triênio 2016/2018, quatro grupos de causas se destacam em termos porcentuais: doenças do aparelho circulatório (29%), neoplasias (18%), doenças do aparelho respiratório (14%) e causas externas (7%). Estas quatro causas responderam por 68% de todas as mortes ocorridas no estado. Também no triênio 1999/2001, essas mesmas causas aparecem como as mais frequentes, todavia com mudança na ordem: doenças do aparelho circulatório (31%), neoplasias (15%), causas externas (14%) e doenças do aparelho respiratório (11%). Somadas elas representaram 71% do total de óbitos.

A comparação realizada entre as principais causas de morte mostra o declínio das proporções de causas externas, sendo a única com retração no número absoluto de casos (35%). A acentuada redução das mortes por causas externas, principalmente entre jovens adultos, foi devida ao recuo das taxas de mortalidade por agressões (homicídios) e acidentes de trânsito, da ordem de 75% e 20%, respectivamente.

Nesse período, as taxas de mortalidade por causas de morte, entre as pessoas de 60 anos e mais, indicam redução de risco em três causas:
doenças do aparelho circulatório (de 16,13 para 10,97 óbitos por mil); neoplasias (de 6,91 para 6,20 óbitos por mil); e doenças do aparelho respiratório (de 5,51 para 5,47 óbitos por mil). Já as causas externas avançaram de 1,06 para 1,12 óbitos por mil, o que está diretamente associado à maior frequência de quedas/acidentes entre idosos. A evolução favorável entre as doenças do aparelho circulatório é a variação mais expressiva nesse grupo etário e reflete tendência mundial diante de inovações terapêuticas e cirúrgicas, além de mudanças positivas nos padrões alimentares e na prática de exercícios físicos.

A análise das transformações nas tendências e padrões da mortalidade paulista fornece informações relevantes para a definição e a adequação de políticas públicas em áreas como saúde, segurança e assistência social.

A íntegra do estudo está disponível no site da SEADE: https://www.seade.gov.br/produtos/midia/2020/01/Seade-SPDemografico-Mortalidade.pdf.