Diálogos

#QUEMFAZ: Naira Dutra Lemos

#QUEMFAZ: Naira Dutra Lemosnaira dutra lemos

Assistente social; professora afiliada da Disciplina de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); coordenadora do Programa de Assistência Domiciliar ao Idoso e do Programa de Residência Multiprofissional em Envelhecimento da mesma instituição

A pandemia chegou e com ela vieram muitas experiências novas. Minha vida profissional mudou radicalmente. Devido ao meu trabalho na universidade, grande parte do meu tempo é destinada às aulas para o grupo de residentes do programa e de residentes médicos, além da preceptoria às alunas do curso de serviço social. Tudo isso sem contar minha participação como docente da pós-graduação em gerontologia do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Na Unifesp houve uma redução das atividades assistenciais, mas o ensino, com todas as suas possibilidades, continuou. Eu, como outros professores, tive que me adaptar e seguir em frente, descobrindo novas tecnologias e tendo que aprendê-las diariamente. O curso do HIAE também passou a ser desenvolvido on-line.

Considero-me uma pessoa bastante flexível e de fácil adaptação, o que sem dúvida facilitou muito essa nova jornada, que já dura mais de 100 dias. Da sala de aula tradicional migrei para as plataformas digitais, tendo que refazer ou complementar o conteúdo das aulas. Há quem diga que tenho trabalhado mais, e eu acho que é verdade.

A discussão de casos com os alunos tem ocorrido pelo telefone, com as inúmeras facilidades que os aparelhos hoje nos permitem. Só de lives, eventos virtuais que acontecem ao vivo e que se tornaram uma marca registrada desse período de quarentena, já participei de pelo menos umas seis.

As coisas vêm acontecendo tão rapidamente que nós, que temos a missão de formar profissionais, nos vemos no dever de estudar e estudar – afinal, a pandemia mudou nosso jeito de ser e viver e temos que refletir sobre esse novo modus vivendi.

Não tenho reclamações. Este tem sido um tempo de aprendizado, troca e descobertas. A maior delas é que somos capazes, sim, de enfrentar o novo e fazer dele algo melhor para nós e para os outros. O que me faz falta? Ver as pessoas que eu amo, sentir o calor do abraço, o sorriso e o carinho de meus amigos e meus alunos.

Desejo que este tempo passe logo e leve consigo esse vírus que nos amedronta, mas com certeza muitas coisas boas ficarão se formos capazes de enxergá-las.