Diálogos

#QUEMFAZ: Claudia Fló

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Fisioterapeuta; especialista em gerontologia pela SBGG; doutora em ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); coordenadora da Área Técnica de Saúde do Idoso da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES-SP).

Às vezes me pego pensando nos caminhos que me levaram a trabalhar com o envelhecimento, mas ter convivido com meus avós, todos longevos, certamente foi um dos fatores. Meus pais como exemplo de envelhecimento ativo e bem-sucedido só fizeram aumentar minha paixão que academicamente começou na universidade. Cursei fisioterapia, minha segunda graduação, quando já era mãe de dois filhos ainda pequenos! Minha especialização foi em Unidade de Terapia Intensiva, e assim fui me aproximando cada vez mais dos idosos. Aprendi com professores maravilhosos e tive a oportunidade de fazer mestrado e doutorado. Fui também docente da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), supervisionando estágios no Hospital das Clínicas da FMUSP – o melhor dos mundos! A titulação como especialista em gerontologia me permitiu ser presidente do Departamento de Gerontologia da Regional São Paulo (SBGG-SP) e, anos depois, da SBGG Nacional.

Na missão de representar a SBGG-SP no Comitê de Referência em Saúde do Idoso da Secretaria de Estado de Saúde (SES-SP) quando era presidente, conheci muitos profissionais que se destacam na área de gerontologia.

Em 2013 passei de consultora a funcionária da SES-SP, e desde então coordeno a área técnica de saúde do idoso. Os desafios são imensos, mas o trabalho intersetorial ajuda bastante e amplia as possibilidades de atuação ao conciliar áreas diversas, como violência e mudanças climáticas, com a temática do envelhecimento.

Fizemos avanços importantes pela saúde do idoso ao longo desses anos. Destaco o Programa Hospital Amigo do Idoso, criado em 2014, para tornar os hospitais de São Paulo mais amigáveis para essa população. Desde o início do programa 57 hospitais já pleiteraram o selo e estão em processo de obtenção. Oito instituições preencheram todas as exigências e já receberam o selo pleno. Participar dessa transformação tem sido muito prazeroso.

Também representei a SES no Conselho Estadual do Idoso, que presidi entre 2016 e 2018. Nesse período foi lançado o primeiro edital para utilização dos recursos do Fundo Estadual do Idoso, que à época tinha 10,6 milhões de reais, um recurso considerável que financiou mais de 40 projetos para idosos.

Portanto, há motivos para comemoração. No entanto, o número de idosos está aumentando muito rapidamente e me preocupa que as políticas públicas para idosos não avancem na mesma velocidade. Acredito, porém, que a maior visibilidade que a terceira idade vem ganhando na sociedade contribua para uma mudança nesse sentido.