Diálogos

#QUEMFAZ: Sergio Werther Duque Estrada

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CEO e founder da ATIVEN – Envelhecimento Ativo e representante do Aging2.0 para a América do Sul.

Fui atraído pelo universo 60+ há cerca de quatro anos, quando encomendaram à consultoria da qual sou sócio um estudo de viabilidade econômico-financeira de um residencial para idosos. Através dos estudos descobri um segmento em franco crescimento e com falta de oferta de produtos e serviços adequados. Pouco depois o tema ressurgiu, por meio de duas pessoas que me ajudaram na ressignificação de minha trajetória profissional: Egidio Dorea, coordenador da USP 60+, e Alexandre Kalache, presidente do International Longevity Center (ILC). O primeiro apresentou-me um projeto de uma “praça” com aparelhos para o fortalecimento dos membros inferiores, cuja primeira unidade foi implantada no Parque da Água Branca, na cidade de São Paulo. A utilidade dos exercícios era óbvia, já que a queda é uma das principais causas de mortalidade entre idosos. Engajei-me em ajudar a disseminação do conceito. Atualmente mais de 600 praças similares foram inauguradas pelo Brasil.

Egidio apresentou-me a Kalache, que desejava fazer uma reestruturação das operações da representação do ILC do Rio de Janeiro, instituição por ele presidida a partir de Londres. Foi o sinal de que precisava: ofereci os serviços de minha consultoria probono. Era minha oportunidade de ajudar e aprender com um inigualável mestre. O trabalho foi o catalisador de meu mergulho no segmento 60+: deu-me uma visão muito mais concreta da realidade, da complexidade e da variedade desse segmento – aliás, segmentos: são várias gerações com necessidades muito específicas. Há, no entanto, um denominador comum: são grupos pouco ouvidos pelas instituições, organizações e empresas.

Passado um tempo, recebi de Kalache a sugestão de assumir o Aging2.0 no Brasil.  Aceitei o desafio, fiz as diversas entrevistas e fui admitido. O Aging2.0 é a maior organização internacional dedicada a identificar e acelerar a descoberta de inovações que endereçam os grandes desafios da longevidade. O Aging2.0 está presente em 31 países, tem mais de 170 membros, 150 mil colaboradores e mais de 3 mil startups monitoradas. Trata-se de um agente internacional de inovação, com viés para soluções tecnológicas. E por que tecnologia? Porque modelos tecnológicos usualmente incorporam o “fator escala”, que se traduz por preços mais baixos para o consumidor final. Através de modelos escaláveis, logra-se maior inclusão social ao longo do tempo.

Hoje, após dois anos e meio anos à frente do Aging2.0 São Paulo, durante os quais ganhamos a inédita condecoração de “Chapter of the Year”, em 2018 e 2019, passei a coordenar a expansão do Aging2.0 na América do Sul. Em paralelo, criei com um grupo de valorosos profissionais a ATIVEN Envelhecimento Ativo, um consultoria de inovação para acelerar startups (seniortechs) e empresas no seu processo de conhecimento do segmento 60+. Essa jornada trouxe novos e bem-vindos desafios aos 63 anos: uma maior compreensão da longevidade e dos ganhos da intergeracionalidade e a certeza de que os 60+ têm um papel importante na construção de um mundo mais equilibrado.