Diálogos

#QUEMFAZ: Tom Almeida

#QUEMFAZ: Tom AlmeidaTom Almeida

Sou filho de pais mais velhos, e a possibilidade da morte deles me aterrorizava. Eu celebrava cada Natal acompanhado do medo de que poderia ser o último. Nasci, cresci e vivi com essa verdade natural de fundo, mas vivendo o lado do medo dessa realidade sentindo a presença da morte como uma ameaça para a qual eu não tinha coragem de olhar, da qual eu tentava fugir. Sinto que olhei para o lado errado do caminho que separa a vida e a morte. Olhei para o “depois da morte”, sem meus pais, em vez de olhar para o “hoje”, com eles.

Eu mantive um medo infantil da morte. Uma relação imatura com uma realidade que iria acontecer em um momento ou outro. Comecei esse medo com 6. Minha mãe morreu quando eu tinha 46.

Após a morte da minha mãe, passei a me relacionar de uma forma mais madura (e mais saudável) com a morte, e, ao contrário do que havia vivido com ela, decidi olhar para a vida com meu pai aqui, e não com medo de como eu ficaria ou me sentiria após a sua morte. Com essa consciência, abri espaço para os sentimentos que vão além da dor e do medo e que dão um significado muito mais nobre para a terminalidade, como amor, gratidão, cumplicidade e pertencimento.

Entre a morte da minha mãe e a do meu pai acompanhei o processo terminal de um primo-irmão, e isso tudo aconteceu em um período de três anos. Essas três experiências me transformaram, e por isso decidi entrar de cabeça na causa dos cuidados paliativos e da morte digna. Desde então dedico a minha vida a contribuir ativamente na criação de um jeito diferente de viver a morte. Mais confortável, íntimo e amoroso. Com menos sofrimento e arrependimentos.

A vida caminha em ciclos. Percebi que envelhecimento, adoecimento, terminalidade, morte e luto são pontes para encontros mais íntimos. Viver a vulnerabilidade que a vida provoca nos conecta mais profundamente uns aos outros E nessa conexão reside o que não finda, nem com a morte.

Criei o inFINITO, que é um movimento que promove conversas sinceras sobre o viver e o morrer que resultam em relações mais amigáveis com a finitude. Queremos que as pessoas atravessem diagnósticos, perdas e lutos da maneira mais íntegra e saudável possível. Temos uma missão bastante ousada, que é colocar o Brasil entre os dez países com melhor qualidade de morte. Milhares de profissionais de saúde, pacientes, familiares e pessoas que se interessam pelo tema já foram impactados pelos nossos projetos e convidados a criar e explorar uma nova forma de se relacionar com a finitude.

Fica o convite: venha ser inFINITO com a gente!