# Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe

> Amamentação reduz em cerca de 11% o risco de doença cardiovascular materna, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A lactação protege o coração da mãe ao diminuir incidência de AVC e infarto, com a ocitocina exercendo papel essencial na modulação metabólica e vascular. O benefício é cumulativo, associado à duração do aleitamento.

*Aptare · Prevencao · 03 de agosto de 2026 · Roberto Vidal*

Amamentar reduz em cerca de 11% o risco de doença cardiovascular na mãe. A SBC explica como a lactação protege o coração, reduz AVC e infarto, e por que a ocitocina é essencial.

## Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe: entenda a proteção que o aleitamento oferece

A amamentação reduz em cerca de 11% a chance de a mulher desenvolver uma doença cardiovascular em comparação com a mulher que não amamenta. O dado é da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e reforça o papel do aleitamento materno como medida de proteção à saúde da mãe, não apenas do bebê.

A queda dos fatores de risco está diretamente ligada ao período de amamentação. Quanto mais tempo a mulher amamenta, maior a proteção observada. A SBC destaca que as publicações científicas giram em torno de 18 meses de amamentação para consolidar esse efeito protetor.

## Amamentar por mais tempo reduz risco de AVC e infarto

A vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita, explica que a proteção cardiovascular cresce com a duração do aleitamento. "As publicações giram em torno de 18 meses de amamentação. A mulher que amamenta por mais tempo tem também redução desses fatores de risco: 12% menos risco de acidente vascular cerebral (AVC), 14% menos risco de infarto. Viu-se que a amamentação traz essa proteção para a mulher", afirma.

A médica esclarece um ponto importante: isso não significa que a mulher que não amamenta tenha risco aumentado para esse tipo de doença. A amamentação funciona como um fator adicional de proteção, não como uma ausência que eleva o risco.

## O que acontece no corpo da mãe durante a gestação e a lactação

Durante a gestação, o corpo da mulher passa por alterações hormonais significativas. Há alta da resistência à insulina, elevação dos lipídios e do colesterol, principalmente do LDL, o colesterol ruim. Essas mudanças são naturais, mas preparam o terreno para riscos metabólicos.

Na lactação, ocorre um processo que os especialistas chamam de reset metabólico, uma espécie de reinicialização do organismo. A produção de leite atua na regulação do açúcar, melhora o efeito sobre o metabolismo glicídico e aumenta a sensibilidade à insulina. O corpo usa a glicose, reduzindo o risco de diabetes. Há também alívio cardíaco, pois a amamentação reduz a pressão arterial e diminui a frequência cardíaca da mãe, permitindo que o coração trabalhe com menos esforço para bombear o sangue.

## Hormônios da lactação protegem o coração

O período de lactação ativa a liberação de hormônios específicos, como ocitocina, prolactina, glicocorticoides, grelina e hormônio do crescimento. Esses hormônios atuam como uma proteção ao miocárdio contra possíveis lesões cardíacas.

Um dos destaques é a ocitocina, conhecida como o "hormônio do amor". Ela protege o coração contra a falta de oxigênio por meio da ativação de receptores cerebrais e de uma via que envolve estruturas responsáveis pela geração de energia celular. Isso oferece uma barreira extra de cardioproteção à mãe.

A médica Alexandra Mesquita detalha o mecanismo: "Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias. Também a liberação de oxitocina, nessa fase de lactação, faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe. Então, as alterações hormonais produzidas durante a gestação ficam meio que 'resetadas' na fase de lactação, que é o que vai causar realmente essa redução de riscos".

Ela acrescenta que a resistência à insulina, se não for controlada, pode evoluir para o diabetes. A amamentação ajuda justamente a controlar esse fator.

## Gordura acumulada na gravidez é usada na lactação

A Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta que, na gravidez, o corpo da mulher acumula naturalmente reservas de gordura. A lactação utiliza esses depósitos, o que reduz diretamente o risco de doenças cardíacas e de infarto. É mais um mecanismo pelo qual o aleitamento protege a mãe.

## Doença cardiovascular mata mais que câncer de mama entre mulheres

Alexandra Mesquita chama atenção para um dado que poucas pessoas conhecem: as doenças cardiovasculares respondem por 33% da mortalidade feminina, um percentual superior aos óbitos por câncer de mama. "Ainda se pensa que a maior causa de mortalidade feminina é câncer de mama, mas a doença cardiovascular mata sete vezes mais que o câncer de mama", alerta.

A maior parte dos fatores de risco, como diabetes, pressão alta e sedentarismo, é comum a homens e mulheres. No entanto, podem ser piores entre as mulheres. Há também fatores de risco próprios do sexo feminino, que merecem atenção.

## Fatores de risco cardiovasculares específicos da mulher

A cardiologista cita fatores que aumentam o risco cardiovascular apenas no público feminino:

- Primeira menstruação precoce, aos 9 ou 10 anos, ou tardia, aos 15 e 16 anos
- Menopausa precoce, com menos de 45 anos
- Endometriose
- Ovários policísticos
- Uso de anticoncepcional oral
- Alterações da gravidez, como hipertensão induzida pela gestação, diabete gestacional ou bebê de baixo peso

Conhecer esses fatores é o primeiro passo para a prevenção. O acompanhamento médico regular ajuda a identificar riscos e adotar medidas de proteção.

## Agosto Dourado e a Semana Mundial do Aleitamento Materno

Neste sábado, dia 1º, é comemorado o Dia Internacional da Amamentação. A Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026 tem como tema "Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona".

A campanha global do Agosto Dourado é coordenada pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) e tem como objetivo reforçar a importância de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para um futuro mais saudável para crianças, famílias e comunidades.

A pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica (Idomed), lista dez benefícios da amamentação tanto para a mãe quanto para a criança. O aleitamento é uma prática que protege em várias frentes, e o coração da mãe é uma delas.

## Perguntas Frequentes

### Amamentação realmente reduz o risco de infarto?

Sim. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, amamentar por mais tempo reduz em 14% o risco de infarto na mãe. A proteção vem da melhora do metabolismo, da regulação da pressão e da ação de hormônios como a ocitocina.

### Quanto tempo preciso amamentar para ter proteção cardiovascular?

As publicações científicas citadas pela SBC indicam que a proteção se consolida em torno de 18 meses de amamentação. Quanto maior o período de aleitamento, maior a redução dos fatores de risco.

### Quem não amamenta tem risco maior de doença cardíaca?

Não. A médica Alexandra Mesquita esclarece que a mulher que não amamenta não tem risco aumentado para esse tipo de doença. A amamentação é um fator adicional de proteção, não uma ausência que eleva o risco.

### Como a ocitocina protege o coração da mãe?

A ocitocina, conhecida como hormônio do amor, protege o coração contra a falta de oxigênio, ativa receptores cerebrais e promove vasodilatação, melhorando a circulação. Ela é liberada durante a lactação e oferece uma barreira extra de cardioproteção.

### O que é o reset metabólico da lactação?

É a reinicialização do organismo que ocorre com a produção de leite. A lactação melhora o metabolismo da glicose, aumenta a sensibilidade à insulina, reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca, revertendo parcialmente as alterações hormonais da gestação.

### Quais são os fatores de risco cardiovascular exclusivos da mulher?

Menstruação precoce ou tardia, menopausa precoce, endometriose, ovários policísticos, uso de anticoncepcional oral e alterações da gravidez, como hipertensão gestacional e diabete gestacional. Esses fatores pedem acompanhamento médico específico.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/amamentacao-reduz-risco-doenca-cardiaca-mae/
