# Brasil participa de pesquisa inédita que busca a cura da hepatite B

> Brasil integra consórcio internacional liderado pela Universidade Johns Hopkins para pesquisa inédita sobre cura da hepatite B. Duas universidades públicas brasileiras participam do estudo, que acompanhará 600 pacientes em quatro países. A iniciativa busca desenvolver novos tratamentos e estratégias de erradicação viral, com potencial de transformar o manejo clínico da doença em escala global.

*Aptare · Prevencao · 31 de agosto de 2026 · Roberto Vidal*

Duas universidades públicas brasileiras se uniram a instituições internacionais na busca por novos tratamentos e pela cura da hepatite B. O consórcio é liderado pela Universidade Johns Hopkins e observará 600 pacientes em quatro países.

Duas universidades públicas brasileiras se uniram a instituições internacionais na busca por novos tratamentos e até mesmo por uma cura para a hepatite B. O consórcio é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne grupos de pesquisa do Brasil, Índia, Senegal e Uganda. Pelo Brasil, participam o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e a Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa global vai observar, em nível celular, o comportamento do vírus em pacientes de diferentes países e as respostas imunológicas das pessoas infectadas. Também serão analisadas pessoas com coinfecção por hepatite B e HIV. A professora do Hucam-Ufes, Tânia Reuter, referência no assunto, resume o objetivo: "A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global". Ela acrescenta que a meta é eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030.

O consórcio foi criado em 2023, suspenso em 2024 e retomado no ano seguinte. No Brasil, o estudo começou este ano e deve durar cerca de cinco anos. A metodologia combina pesquisa científica básica com prática clínica. Reuter explica que os pesquisadores vão acompanhar 600 pacientes com hepatite B e com coinfecção por hepatite B e HIV por aproximadamente quatro anos e meio cada. Serão 150 pacientes por país, e 75 ficarão sob a equipe dela.

O estudo pretende identificar o que faz o vírus evoluir de forma diferente em cada paciente, quais características genéticas protegem contra uma evolução mais rápida e quais subpartículas do vírus podem servir como preditores de cura ou de tratamento. "Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para cura da hepatite B", diz a pesquisadora, que vê potencial para o desenvolvimento de fármacos, como imunoestimuladores e imunomoduladores.

Reuter começou o recrutamento dos pacientes em julho e já conta com 40 participantes. A meta é completar o grupo de 75 até o fim deste ano, dentro do prazo da pesquisa, que vai até meados de 2027. "O vírus da hepatite B é um dos maiores causadores de câncer hepático", alerta, destacando que o trabalho busca mitigar a evolução de cirrose e câncer de fígado.

A hepatite B é uma doença viral silenciosa que ataca o fígado. Sem cura, a progressão pode levar a cirrose, câncer hepático e morte. Segundo a OMS, cerca de 240 milhões de pessoas vivem com infecção crônica, com dados de 2024. No Brasil, o Ministério da Saúde confirma 276,6 mil casos entre 2000 e 2022. A transmissão ocorre por via sexual e contato com sangue contaminado, inclusive da mãe para o bebê na gestação ou no parto. A Sociedade Brasileira de Clínica Médica aponta que o vírus B é 100 vezes mais contagioso que o HIV.

A meta global da OMS é erradicar HIV, hepatites virais e ISTs como ameaças à saúde pública até 2030. Relatório da organização, divulgado em julho, indica queda de 32% nas infecções anuais por hepatites virais desde 2015, com cobertura vacinal infantil de 84% em 2024. A principal prevenção é a vacina, disponível no SUS para todos os não vacinados. Crianças recebem quatro doses (ao nascer, 2, 4 e 6 meses); adultos, três doses. Também recomenda-se o uso de preservativo e evitar compartilhar objetos perfurocortantes e de uso pessoal.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/brasil-participa-pesquisa-inedita-busca-cura-hepatite-b/
