# Canetas emagrecedoras: pediatras alertam para risco em crianças

> A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta para riscos graves do uso de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes sem indicação médica. A nota da SBP destaca perigos como efeitos colaterais metabólicos, cardiovasculares e psicológicos. O uso desses medicamentos exige prescrição e acompanhamento especializado, sendo contraindicado para menores sem necessidade clínica comprovada.

*Aptare · Prevencao · 25 de agosto de 2026 · Dra. Cláudia Monteiro*

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou nota de alerta sobre o uso sem indicação e sem acompanhamento médico de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes. Entenda os riscos.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou nota de alerta sobre o uso sem indicação e sem acompanhamento médico de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, por crianças e adolescentes. O comunicado reforça que o uso inadequado pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos.

Segundo a SBP, entre os riscos do uso sem acompanhamento estão déficit de crescimento e desenvolvimento; desidratação e distúrbios eletrolíticos; perda de massa muscular; pancreatite aguda; e problemas na vesícula. A entidade também contraindica a utilização de produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A SBP destaca que as canetas emagrecedoras não devem ser usadas por adolescentes com peso adequado apenas para modificar a aparência corporal ou atingir padrões estéticos. Esses medicamentos têm indicações específicas, como obesidade e diabetes tipo 2. Mesmo diante do diagnóstico dessas doenças, a prescrição não é automática: o médico precisa avaliar a resposta a intervenções farmacológicas e não farmacológicas prévias, a gravidade da doença, comorbidades, riscos potenciais e as expectativas do paciente e da família.

A entidade recomenda substituir a expressão popular "canetas emagrecedoras" por "medicamentos para tratar a obesidade", pois a terminologia é mais precisa por reconhecer a obesidade como doença crônica. Expressões associadas exclusivamente ao emagrecimento podem banalizar o tratamento e reforçar o estigma das pessoas com obesidade que necessitam de farmacoterapia.

Os eventos adversos mais comuns são gastrointestinais e tendem a ocorrer principalmente durante o escalonamento da dose. A perda de massa magra também é apontada como risco, com recomendação de acompanhamento médico para ajuste da conduta. Entre os eventos potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase.

A SBP alerta que as canetas são contraindicadas para pessoas com hipersensibilidade ao princípio ativo; gestantes e lactantes; e pacientes com história pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Relato de pancreatite prévia é contraindicação relativa e requer avaliação médica individualizada.

A evidência científica disponível demonstra eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando usados dentro dos critérios estudados e associados a intervenções sobre estilo de vida. O problema observado atualmente, principalmente nas redes sociais, não está no medicamento em si, mas na banalização.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/canetas-emagrecedoras-pediatras-alertam-risco-uso-criancas/
