# Cientistas "curam" HIV: entenda os 13 casos de remissão após transplante

> A 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro, anunciou dois novos casos de remissão do HIV, totalizando 13 pacientes sem vírus detectado após transplante de células-tronco. O tratamento utiliza células-tronco com mutação genética que bloqueia a entrada do HIV, mas não representa cura universal devido aos riscos e à complexidade do procedimento.

*Aptare · Prevencao · 30 de julho de 2026 · Dra. Fernanda Liberato*

Dois novos casos de remissão do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro, elevando para 13 o número de pacientes sem vírus detectado após transplante de células-tronco. Entenda o mecanismo por trás do tratamento e os limites do que se chama

## Saiba como cientistas "curaram" pacientes infectados com HIV

Dois novos casos de remissão da infecção pelo HIV após transplante de células-tronco foram anunciados durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Com isso, chega a 13 o número de pacientes infectados com HIV que não tiveram vírus detectados no sangue após esse tipo de tratamento. Cientistas anunciaram dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco de doadores com mutação CCR5 delta32, que impede a entrada do vírus nas células. Mas o termo correto é remissão, não cura, pois não é possível garantir que a infecção não retornará.

## O que são os novos casos de remissão do HIV?

Um dos casos é o de um homem chamado de "paciente de Kansas City" (Estados Unidos). Aos 21 anos, ele descobriu que, além de estar infectado com o HIV, sofria de leucemia mieloide aguda, um câncer que afeta a produção de alguns tipos de células de defesa humanas.

O outro caso é o "paciente de Essen" (Alemanha). Esse paciente estava infectado por dois tipos diferentes de HIV e pelo vírus da hepatite B (HBV).

Ambos foram submetidos a transplantes de células-tronco hematopoiéticas, aquelas que originam nossas células sanguíneas, incluindo as células de defesa, como os leucócitos.

## Como o transplante de células-tronco "cura" o HIV?

Nos dois casos, os doadores das células-tronco eram indivíduos com uma mutação especial em seus genes, que os torna resistentes ao HIV. O HIV, como qualquer vírus, só se torna ativo quando entra em uma célula. Seu alvo é o linfócito T CD4+, peça fundamental do sistema imunológico que ajuda a combater infecções. É matando essas células de defesa que o vírus provoca dano ao organismo.

Para entrar na célula, o HIV se conecta a moléculas na membrana externa da CD4+: o receptor CD4 e os correceptores CCR5 e CXCR4. Ao fazer essas conexões, o vírus abre uma "porta" e consegue entrar na célula, iniciando seu ciclo de replicação.

### O papel da mutação CCR5 delta32

No caso dos doadores, seus genes produzem uma versão modificada do correceptor CCR5, chamada CCR5 delta32. Essa versão impede a ligação do vírus com ele. Sem conseguir entrar na CD4+, o HIV não é capaz de manter seu processo de infecção.

Com o transplante, o paciente infectado ganha células hematopoiéticas munidas do gene produtor de CCR5 delta32. Como essas células dão origem às CD4+, as novas gerações desses linfócitos serão potencialmente resistentes ao HIV.

## Quanto tempo durou a remissão?

Nos dois casos, a terapia com antirretrovirais foi interrompida para avaliar a resposta ao transplante. Mesmo após vários meses dessa interrupção, os pesquisadores não conseguiram detectar o vírus no organismo dos pacientes.

No caso do paciente de Kansas City, passaram-se 14 meses sem vírus detectado. No caso de Essen, foram 12 meses. No entanto, como a terapia foi interrompida, houve uma recidiva com o vírus da hepatite B.

## Por que não se pode falar em cura?

A partir disso, os estudos concluíram que houve remissão da infecção pelo HIV. Apesar do caso estar sendo tratado como "cura", o correto é dizer que houve remissão, uma vez que não é possível afirmar se a infecção retornará depois de algum tempo.

"A mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo, infelizmente, muito rara. A questão principal é se a presença da mutação CCR5 delta 32 é realmente a chave para se alcançar uma remissão de longo prazo do HIV", afirma a pesquisadora Carina Elsner, uma das responsáveis pelo estudo com o paciente de Essen.

"É apenas o caso de um paciente, mas que se soma à lista de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco. É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais", afirma Wissam El Atrouni, um dos responsáveis pela pesquisa com o paciente de Kansas City.

## Quem foi o primeiro paciente curado do HIV?

O primeiro paciente a ser considerado curado do HIV, Timothy Ray Brown, conhecido como "paciente de Berlim", recebeu um transplante de células-tronco em 2007. Ele viveu livre do HIV até 2020, quando morreu vítima de leucemia, justamente a doença que motivou seu transplante.

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## Perguntas Frequentes

### O transplante de células-tronco cura todos os pacientes com HIV?

Não. O tratamento é específico para pacientes com câncer no sangue que também têm HIV, e depende de doadores com a mutação CCR5 delta32, que é rara.

### Quantos pacientes já tiveram remissão do HIV com esse método?

Atualmente, são 13 pacientes que não tiveram vírus detectado no sangue após o transplante de células-tronco.

### Por que o termo correto é remissão e não cura?

Porque não é possível garantir que a infecção não retornará. O vírus pode permanecer em reservatórios no corpo e reativar com o tempo.

### A mutação CCR5 delta32 é comum?

Não. A mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo muito rara em outras populações.

### O paciente de Kansas City e o paciente de Essen tiveram efeitos colaterais?

No caso de Essen, houve recidiva do vírus da hepatite B após a interrupção dos antirretrovirais. Ambos seguem em acompanhamento mensal.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/saiba-como-cientistas-curaram-pacientes-infectados-hiv-8/
