# Semana Mundial do Aleitamento Materno abre Agosto Dourado

> A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) 2026 abre o Agosto Dourado com o tema "Amamentação para um começo de vida sustentável". O Ministério da Saúde reforça a proteção à amamentação no Brasil, enquanto especialistas alertam para o assédio comercial da indústria de fórmulas infantis. A campanha visa promover práticas sustentáveis e defender a amamentação como prioridade de saúde pública.

*Aptare · Prevencao · 02 de agosto de 2026 · Antônio Carlos Drummond*

A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) 2026 marca o início do Agosto Dourado com o tema 'Amamentação para um começo de vida sustentável'. O Ministério da Saúde reforça a proteção à amamentação, enquanto especialistas alertam para o assédio comercial da indústria de fórmul

## Semana Mundial do Aleitamento Materno marca início do Agosto Dourado

Eu conheci a Lorrany Duarte numa tarde dessas, na varanda de casa, com a pequena Elisa no colo. Fazia uma semana que a menina tinha nascido, e a mãe, pela segunda vez, já tinha um plano claro: oferecer o próprio leite em livre demanda, de forma exclusiva, nos seis primeiros meses. "Desenvolve mais a criança e a imunidade fica sem problemas", me disse, com a certeza de quem aprendeu com a própria história.

A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) de 2026 traz como tema "Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona", uma diretriz internacional da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) que orienta as mobilizações do Agosto Dourado. O Ministério da Saúde reforça que a proteção, a promoção e o apoio à amamentação ocorrem de forma ampliada neste mês. "O aleitamento materno é fundamental para a nutrição adequada, a garantia da segurança alimentar e a redução da pobreza no país."

A memória de Lorrany, porém, não é só de planos. Há nove anos, com a primeira filha, ela viveu o oposto. Com um mês de vida, a menina passou a ser alimentada com fórmula infantil em substituição ao leite materno. "Ela sempre foi muito debilitada, passava mal, sempre ficava doente e demorou muito tempo para crescer, para se desenvolver", lamentou.

Dessa vez, a dona de casa não está sozinha. A irmã mais velha, Marielly Duarte, mãe de três crianças, virou sua maior incentivadora. "Eu já tirei um monte de leite dela na bomba. É melhor do que tirar na mão. Agora, uma semana depois, já está saindo rapidinho. Tornou-se mais fácil."

## O assédio comercial que ronda a amamentação

A história de Lorrany e Marielly é um retrato do que a presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (DCAM-SBP), Rossiclei Pinheiro, alertou em entrevista à Agência Brasil: os obstáculos impostos pela desinformação e, sobretudo, pelo assédio comercial da indústria a médicos para prescrição de fórmulas infantis e a pressão sobre as famílias.

"O que a gente percebe é que há um marketing muito grande dizendo que essas fórmulas substituem o leite materno, e não substituem. É o lobby na porta do hospital, nas redes sociais, nos consultórios, nas datas festivas", constata a pediatra.

A fórmula é segura e necessária apenas quando há recomendação de um pediatra ou nutricionista. A especialista classifica as fórmulas infantis como alimentos ultraprocessados voltados a situações específicas, como quando a mãe tem contraindicação médica para amamentar, não obtém sucesso no processo ou quando o bebê tem alergias.

"Só quem pode prescrever fórmula infantil até um ano de idade é um médico, de preferência um pediatra ou nutricionista. Só que a mãe chega, hoje, em uma farmácia e compra a fórmula que quiserem", alerta.

## O papel da Sociedade Brasileira de Pediatria

Nos últimos cinco anos, a SBP tem investido no fortalecimento da formação acadêmica e médica dos próprios pediatras, principalmente sobre os critérios na prescrição de fórmulas infantis e o domínio do manejo prático da amamentação diante de complicações como dor, fissuras mamilares ou ingurgitamento, o popular "leite empedrado". "O leite materno vai ser o melhor para o resto da vida da criança", destacou a dra. Rossiclei Pinheiro.

A pediatra também lembra o ponto de vista socioeconômico. "A família tem uma redução dos custos financeiros, visto que não vai precisar comprar fórmulas nem medicamentos, já que esse bebê vai ficar menos doente, e também vai ter menos ausência ao trabalho."

## O que diz a lei brasileira

No Brasil, a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), amparada pela Lei 11.265/2006, proíbe o recebimento de patrocínios financeiros ou materiais por médicos em pessoa física. A legislação também impede a propaganda de mamadeiras, bicos artificiais e chupetas, veda a distribuição desses produtos a recém-nascidos de alto risco e determina que as embalagens não usem fotos de crianças ou frases que induzam à dúvida sobre a capacidade das mães de amamentar.

"Nós desestimulamos o uso de bicos que possam competir com a amamentação, que são as chupetas e as mamadeiras", reforça a representante da SBP.

## Os números que mostram avanço

Em agosto de 2024, o Brasil assumiu o compromisso de atingir 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030, meta mais alta que os 60% fixados pela Assembleia Mundial da Saúde em novembro do mesmo ano.

O histórico é de avanços. O país saltou de 4,7% de aleitamento exclusivo na década de 1980 para 45,8% em 2019, conforme dados da primeira edição do Estudo Nacional de Nutrição Infantil (Enani), coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 2025, a pesquisa ainda está em fase de coleta de dados, visitando famílias com filhos de até 6 anos em todo o Brasil.

Para a representante da SBP, o aumento regular da amamentação no país comprova a eficácia das políticas públicas consolidadas, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança. "Nossas políticas públicas estão interligadas com todo o contexto do atendimento da criança. Hoje, por exemplo, o aleitamento materno é uma estratégia de saúde pública para diminuir a mortalidade infantil, a mortalidade materna, diminuir a desigualdade social."

## Perguntas Frequentes

### Quando começa o Agosto Dourado?

O Agosto Dourado começa em 1º de agosto, com a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) marcando o início das mobilizações.

### Qual o tema da SMAM 2026?

O tema é "Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona", definido pela WABA.

### O que é a NBCAL?

É a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, que regula a propaganda e o patrocínio de fórmulas infantis.

### Quem pode prescrever fórmula infantil?

Apenas um médico, de preferência pediatra ou nutricionista, pode prescrever fórmula infantil até um ano de idade.

### Qual é a meta de aleitamento exclusivo no Brasil?

O Brasil assumiu a meta de 70% de aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, até 2030.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/semana-mundial-aleitamento-materno-marca-inicio-agosto-dourado/
