# SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

> O Ministério da Saúde do Brasil adquiriu a tecnologia do dolutegravir, principal antirretroviral contra o HIV, para produção nacional pelo SUS. A medida visa reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento, que atende mais de 600 mil pessoas no país.

*Aptare · Prevencao · 15 de julho de 2026 · Dra. Cláudia Monteiro*

O Ministério da Saúde anunciou que o SUS adquiriu a tecnologia do dolutegravir, principal medicamento antirretroviral para HIV. A produção nacional deve reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento, que hoje chega a mais de 600 mil pessoas no Brasil.

## SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

O Ministério da Saúde anunciou que o SUS adquiriu a tecnologia do dolutegravir, principal medicamento antirretroviral usado no tratamento do HIV. A partir de agora, o laboratório público Farmanguinhos, da Fiocruz, poderá produzir o remédio no Brasil, reduzindo a dependência de importação e os custos para o sistema público de saúde.

## Por que a aquisição da tecnologia do dolutegravir é um marco no tratamento do HIV

O dolutegravir é um inibidor da integrase, classe de medicamentos que bloqueia a replicação do vírus HIV. Ele é considerado o principal antirretroviral por sua eficácia, perfil de segurança e posologia simplificada: um comprimido ao dia. Desde 2017, o Ministério da Saúde incorporou o dolutegravir como primeira linha de tratamento para todos os adultos vivendo com HIV no SUS.

A aquisição da tecnologia representa um passo estratégico. Segundo o Ministério da Saúde, a produção nacional do princípio ativo e do comprimido acabado deve reduzir o custo por tratamento em até 30%. Isso significa economia estimada em R$ 120 milhões ao ano para o SUS, recursos que podem ser reinvestidos em prevenção e diagnóstico.

## Como funciona o acordo de transferência de tecnologia

O acordo foi firmado entre o Ministério da Saúde, a Fiocruz e a farmacêutica ViiV Healthcare, detentora da patente original do dolutegravir. Pelo contrato, a ViiV transfere todo o know-how de produção para Farmanguinhos, que iniciará a fabricação em até 24 meses.

O processo inclui:

- Transferência da síntese química do princípio ativo
- Repasse dos métodos de controle de qualidade
- Treinamento de equipes técnicas brasileiras
- Adequação da planta industrial da Fiocruz no Rio de Janeiro

Durante o período de transferência, a ViiV continuará fornecendo o medicamento ao SUS, garantindo o abastecimento ininterrupto. A produção nacional plena está prevista para começar em 2028.

## Impactos para quem vive com HIV no Brasil

Atualmente, mais de 600 mil pessoas recebem tratamento antirretroviral pelo SUS. O dolutegravir é usado por cerca de 70% desses pacientes. A produção nacional tende a:

- Eliminar o risco de desabastecimento por questões cambiais ou logísticas internacionais
- Reduzir o preço final do medicamento, permitindo ampliar a cobertura
- Tornar o Brasil autossuficiente na produção de um insumo estratégico de saúde

Na prática, isso significa que o paciente continuará recebendo o mesmo remédio, mas com maior previsibilidade e potencial de incorporação de novas formulações combinadas no futuro.

## Desafios e prazos da produção nacional

A produção de um antirretroviral exige rigor técnico e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Farmanguinhos precisará:

- Adaptar a linha de produção para atender às boas práticas de fabricação
- Realizar estudos de bioequivalência para comprovar que o medicamento nacional é idêntico ao original
- Obter registro sanitário junto à Anvisa

Segundo a Fiocruz, os estudos de bioequivalência devem ser concluídos em 12 meses. Se aprovados, a produção em escala comercial começa imediatamente.

## O papel do SUS na inovação farmacêutica

O Brasil já possui histórico de transferência de tecnologia de medicamentos estratégicos. Casos anteriores incluem o tenofovir (outro antirretroviral) e a insulina glargina. Em todos eles, a produção nacional gerou economia e garantiu acesso transferência de tecnologia no SUS.

A aquisição da tecnologia do dolutegravir reforça a capacidade do SUS de inovar e reduzir a dependência externa. Para a saúde pública, é uma medida que combina sustentabilidade financeira com soberania sanitária.

## Perguntas Frequentes

### O dolutegravir será distribuído gratuitamente pelo SUS?

Sim. O dolutegravir já é distribuído gratuitamente pelo SUS a todos os pacientes com HIV que necessitam do medicamento. A produção nacional não altera essa política.

### Quando o remédio nacional estará disponível?

A previsão é que a produção nacional comece em 2028, após a conclusão da transferência de tecnologia e aprovação da Anvisa.

### O medicamento nacional terá a mesma eficácia do original?

Sim. Farmanguinhos precisará comprovar bioequivalência, garantindo que o medicamento nacional tem o mesmo efeito e segurança que o original.

### A produção nacional vai reduzir o custo para o SUS?

Segundo o Ministério da Saúde, a economia estimada é de até 30% no custo por tratamento, o que representa cerca de R$ 120 milhões ao ano.

### O que é Farmanguinhos?

Farmanguinhos é o laboratório farmacêutico oficial da Fiocruz, vinculado ao Ministério da Saúde, responsável pela produção de medicamentos estratégicos para o SUS.

### A transferência de tecnologia inclui outros medicamentos?

O acordo atual é específico para o dolutegravir. O Ministério da Saúde avalia futuras parcerias para outros antirretrovirais e medicamentos de alto custo.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/sus-adquire-tecnologia-produzir-principal-remedio-contra-hiv-2/
