# SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

> A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal medicamento contra o HIV no Brasil. O SUS adquiriu a capacidade de fabricação nacional do remédio, distribuído gratuitamente a mais de 770 mil pessoas. A produção local depende apenas da liberação da Anvisa.

*Aptare · Prevencao · 20 de julho de 2026 · Antônio Carlos Drummond*

A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal remédio contra o HIV no Brasil, o dolutegravir. Distribuído gratuitamente pelo SUS, o medicamento atende mais de 770 mil pessoas. A produção nacional depende apenas da liberação da Anvisa.

## SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

Lembro bem de um encontro que tive na sala de espera de um ambulatório, anos atrás. Um senhor, pouco mais velho que eu, contava que tomava o coquetel desde os anos 1990. "Era um sacrifício", disse, com a voz cansada. "Hoje, é um comprimido só." Naquela tarde, ele não sabia, mas o Brasil estava prestes a dar mais um passo nessa história de simplificação e autonomia.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal remédio utilizado no tratamento do HIV no Brasil, o antirretroviral dolutegravir. Distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o medicamento hoje é usado por mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV no país.

## Como funciona o dolutegravir?

O dolutegravir age inibindo a enzima integrase, o que impede a replicação do vírus dentro das células de defesa do organismo. Além de ser altamente eficaz, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, ele melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.

## De onde vem a tecnologia?

O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS.

Desde então, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar seus profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional para garantir a internalização da produção.

## Quando começa a produção nacional?

O processo de transferência acaba de ser concluído. O início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos assim que a autorização for expedida.

Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.

## Histórico da parceria

Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública desta forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem.

## O que muda para quem vive com HIV?

A produção nacional do dolutegravir representa mais autonomia para o SUS e menos dependência de importação. Para quem faz o tratamento, a principal mudança é a garantia de continuidade: o remédio continuará sendo distribuído gratuitamente, agora com produção local. A eficácia e a segurança seguem as mesmas.

Como aquele senhor da sala de espera, muitos brasileiros que vivem com HIV hoje tomam um comprimido por dia. A nacionalização do principal antirretroviral do SUS é mais um capítulo dessa história de simplificação e cuidado.

## Perguntas Frequentes

### Quem vai produzir o dolutegravir no Brasil?

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), vinculado à Fiocruz, será o responsável pela produção nacional do medicamento.

### Quantas pessoas usam o dolutegravir no SUS?

Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento atualmente no Brasil.

### Quando a produção nacional começa?

A produção nacional depende apenas da liberação da Anvisa. Três lotes já foram fabricados e validados por Farmanguinhos.

### O dolutegravir é seguro?

Sim. A OMS recomenda o medicamento como opção preferencial para tratamento desde 2019, inclusive para mulheres grávidas. Ele inibe a replicação do vírus com poucos efeitos colaterais.

### O que mais está previsto no acordo?

O acordo inclui a internalização da produção do dolutegravir combinado com lamivudina, com previsão de início no ano que vem.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/sus-adquire-tecnologia-produzir-principal-remedio-contra-hiv-48/
