# Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

> O relatório conjunto Unicef e OMS de 2025 revela que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O dado indica retrocesso na imunização infantil e risco de retorno de doenças erradicadas, exigindo ações urgentes para reverter a tendência.

*Aptare · Prevencao · 16 de julho de 2026 · Roberto Vidal*

Relatório conjunto do Unicef e da OMS de 2025 aponta que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O dado acende alerta sobre retrocesso na imunização infantil e risco de retorno de doenças erradicadas.

## Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Relatório conjunto do Unicef e da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O número, referente a 2024, reflete uma estagnação preocupante na cobertura vacinal global, com impactos diretos na saúde infantil e no risco de retorno de doenças já controladas.

Segundo o Unicef, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2024. O dado representa um retrocesso em relação à meta global de 90% de cobertura para a vacina tríplice viral (DTP1 e DTP3).

## O cenário global da vacinação infantil

A cobertura vacinal infantil global estagnou em 84% para a vacina DTP3 (difteria, tétano e coqueluche) em 2024, segundo dados do Unicef e da OMS. Esse índice está abaixo dos 86% registrados em 2019, antes da pandemia de Covid-19. O Brasil, que já foi referência em imunização, também enfrenta desafios: a cobertura para a vacina DTP3 caiu de 95% em 2015 para 77% em 2024 (OMS/Unicef, jul/2025).

### Por que tantas crianças ficam sem vacina?

As causas são múltiplas e combinam fatores estruturais e comportamentais:

- Fragilidade dos sistemas de saúde: em países de baixa renda, a falta de infraestrutura e de profissionais dificulta o acesso às salas de vacinação. O Unicef estima que 60% das crianças não vacinadas vivem em 10 países, entre eles Nigéria, Índia e Etiópia (Unicef, Relatório Situação Mundial da Infância 2025).
- Desinformação e hesitação vacinal: o crescimento de movimentos antivacina, potencializado por redes sociais, reduziu a confiança em imunizantes. Uma pesquisa do Unicef de 2024 mostrou que 1 em cada 4 pais em países de alta renda considera as vacinas inseguras.
- Conflitos e deslocamentos: guerras e crises humanitárias interrompem campanhas de vacinação. Em 2024, mais de 5 milhões de crianças em zonas de conflito ficaram sem a primeira dose da vacina contra sarampo.

## As consequências do atraso vacinal

A queda na cobertura vacinal já tem efeitos concretos. O número de casos de sarampo no mundo subiu 20% em 2024, com surtos em 37 países (OMS, jul/2025). A poliomielite, considerada erradicada na maior parte do mundo, voltou a circular em países como Afeganistão e Paquistão.

No Brasil, o Ministério da Saúde registrou em 2024 o menor índice de cobertura para a vacina BCG (contra tuberculose) desde 2010: 72% das crianças menores de 1 ano receberam a dose, contra a meta de 90% cobertura vacinal Brasil 2024. O país corre o risco de perder o certificado de eliminação do sarampo, conforme alerta da Opas.

### O papel do Unicef e da OMS

O Unicef atua em mais de 190 países para fortalecer os programas de imunização. A organização distribuiu 2,5 bilhões de doses de vacinas em 2024, mas o desafio logístico é imenso. A OMS, por sua vez, coordena a Estratégia Global de Vacinação 2030, que prevê 90% de cobertura para todas as vacinas básicas.

## Como reverter o cenário?

Para alcançar as crianças não vacinadas, especialistas apontam três ações prioritárias:

- Fortalecimento da atenção primária: ampliar o número de postos de vacinação e treinar profissionais para busca ativa de faltosos.
- Campanhas de educação pública: combater a desinformação com comunicação clara e baseada em evidências. O Unicef recomenda o uso de líderes comunitários e influenciadores locais.
- Investimento em sistemas de informação: rastrear crianças não vacinadas com registros eletrônicos, como o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) no Brasil.

O Brasil já implementa o Programa Nacional de Imunizações (PNI), referência mundial, mas precisa retomar as altas coberturas. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante o direito à vacinação, e o poder público tem o dever de assegurá-lo.

## Perguntas Frequentes

### Quantas crianças não recebem vacina no mundo?

Segundo o Unicef e a OMS, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2024.

### Qual a vacina mais importante no primeiro ano?

A vacina tríplice viral (DTP) é considerada essencial, mas o calendário básico inclui também BCG, hepatite B, poliomielite e rotavírus.

### Por que a cobertura vacinal caiu?

As principais causas são fragilidade dos sistemas de saúde, desinformação, hesitação vacinal e conflitos armados.

### O Brasil corre risco de perder o certificado de eliminação do sarampo?

Sim. A Opas alerta que a baixa cobertura vacinal coloca o Brasil em risco de perder o certificado, conquistado em 2016.

### O que o Unicef faz para reverter esse quadro?

O Unicef distribui vacinas, apoia campanhas de imunização e promove educação em saúde em mais de 190 países.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/unicef-135-milhoes-criancas-nao-recebem-vacina-1-ano-vida-11/
