# Unicef: 13,5 milhões de crianças zero-dose no 1° ano de vida

> Unicef alerta que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa 15% dos bebês no mundo e preocupa pelo risco de surtos. A estagnação em 65 países impede avanços na cobertura vacinal global.

*Aptare · Prevencao · 20 de julho de 2026 · Dra. Cláudia Monteiro*

O Unicef alerta que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025, número que representa 15% dos bebês no mundo. Apesar de avanços, o índice ainda preocupa pelo risco de surtos e pela estagnação em 65 países.

## Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). O número representa 15% dos bebês em todo o planeta, patamar que o Unicef considera alto e que mantém o risco de surtos de doenças próximos ao observado em 2009, antes da pandemia de Covid-19.

## O que revela o estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional

O levantamento, intitulado Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional, mostra que, além dos 13,5 milhões de crianças zero-dose, aquelas que não receberam nenhuma vacina, outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico de imunização. Esse grupo não tomou as três doses da vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche, a DTP.

A boa notícia é que houve avanço em relação ao ano anterior. Em 2025, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, o que representa 750 mil a mais do que em 2024. "Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19", afirmou em nota Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.

## O risco do sarampo e a cobertura abaixo do seguro

O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Segundo o programa de vacinas do Unicef, 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% tomam a segunda (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%.

Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, com surtos que atingiram 57 países. O relatório alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose aumenta o risco de surtos de doenças.

## Países estagnados e o impacto de conflitos

Os dados foram enviados pelos governos de 195 países. Cem deles mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019, mas apresentaram pouco progresso na ampliação desse grupo.

Entre os países que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas ao longo dos últimos seis anos. No entanto, 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

"Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", destacou Catherine Russell. O relatório aponta que mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

## O desafio em países de renda média e alta

Outro desafio identificado é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, que ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram o da cobertura da DTP1.

Na África do Sul, o índice caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Na Bósnia e Herzegovina, apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.

## Brasil na contramão: melhora constante

O Brasil tem ido na contramão desses países, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose, que hoje são estimadas em 50 mil no país. Houve melhora de cobertura e de qualidade na integração dos dados públicos. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%.

Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a da ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

## Financiamento e monitoramento sob pressão

"Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum", afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde. Segundo ela, o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes, ao mesmo tempo em que se intensificam os esforços para alcançar as crianças que ainda não têm acesso à imunização.

O estudo informa que as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Segundo os dados, apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

## Perguntas Frequentes

### Quantas crianças não receberam vacina no primeiro ano de vida?

Em 2025, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo o Unicef.

### O que significa uma criança zero-dose?

Criança zero-dose é aquela que não recebeu nenhuma vacina no primeiro ano de vida, conforme definição do estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional.

### Qual o risco de manter esse índice de crianças zero-dose?

O Unicef alerta que a manutenção do índice aumenta o risco de surtos de doenças, como o sarampo, que já registrou 411 mil casos em 57 países em 2025.

### O Brasil melhorou a cobertura vacinal?

Sim, o Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil e melhorou a cobertura vacinal constante, embora a DTP-3 ainda esteja em 86%.

### Quantos países estão estagnados na vacinação?

65 países permaneceram estagnados ou retrocederam na cobertura vacinal desde 2019, incluindo 13 países frágeis ou em conflito.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/unicef-135-milhoes-criancas-nao-recebem-vacina-1-ano-vida-1784518833954/
