# Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida, entenda

> O Unicef reportou que 13,5 milhões de crianças globalmente não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida entre 2019 e 2021. O dado revela retrocesso na imunização infantil, exigindo ação coordenada de governos e sociedade para reverter a tendência e proteger a saúde pública.

*Aptare · Prevencao · 17 de julho de 2026 · Roberto Vidal*

Relatório do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida entre 2019 e 2021. O dado acende alerta para retrocesso na imunização infantil e exige ação coordenada de governos e sociedade.

## Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida, entenda o cenário

Relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que 13,5 milhões de crianças em 67 países não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida entre 2019 e 2021. O número representa um retrocesso na imunização infantil global, com impactos diretos na mortalidade evitável. O documento, intitulado "Estado Mundial da Infância 2023", mostra que a cobertura vacinal caiu em todas as regiões, sobretudo nas Américas e no Sudeste Asiático.

Segundo o Unicef, 13,5 milhões de crianças em 67 países não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida entre 2019 e 2021. O relatório aponta queda na cobertura vacinal global, com destaque para países de baixa renda e regiões de conflito. No Brasil, a cobertura da tríplice viral caiu de 93,1% em 2019 para 71,4% em 2021, segundo dados do Ministério da Saúde.

## Por que tantas crianças ficam sem vacina?

As causas são múltiplas e combinadas. O relatório do Unicef cita três fatores principais: interrupção dos serviços de saúde durante a pandemia de Covid-19, conflitos armados que desestruturam sistemas locais e desinformação sobre vacinas. Em países como Afeganistão, Iêmen e República Democrática do Congo, a cobertura da primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP1) não ultrapassa 60%.

### O papel da pandemia

A pandemia de Covid-19 agravou um quadro que já vinha se deteriorando. Entre 2019 e 2021, o número de crianças não vacinadas no primeiro ano de vida saltou de 10,4 milhões para 13,5 milhões (Unicef). No Brasil, a queda foi ainda mais acentuada: a cobertura da vacina contra poliomielite caiu de 96,5% em 2015 para 77,2% em 2021 (Ministério da Saúde).

### Conflitos e crise humanitária

Em regiões de conflito, o acesso a serviços básicos de saúde é drasticamente reduzido. O Unicef estima que, em países como Afeganistão e Síria, uma em cada três crianças não recebe nenhuma vacina no primeiro ano. A falta de segurança para equipes de saúde e a destruição de infraestrutura são barreiras concretas.

### Desinformação e hesitação vacinal

A desinformação sobre vacinas cresceu globalmente, alimentada por teorias da conspiração e fake news nas redes sociais. No Brasil, a taxa de hesitação vacinal entre pais de crianças menores de 2 anos subiu de 0,5% em 2019 para 3,1% em 2022, segundo pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Embora o percentual pareça baixo, ele representa milhares de crianças expostas a doenças evitáveis.

## Consequências da baixa cobertura vacinal

A queda na imunização já produz efeitos concretos. O Unicef reporta que, em 2022, houve surtos de sarampo em 37 países, muitos deles onde a cobertura da tríplice viral estava abaixo de 80%. Doenças como difteria, coqueluche e poliomielite, antes controladas, voltam a circular.

### A volta de doenças erradicadas

A poliomielite, considerada erradicada no Brasil desde 1994, registrou casos em países como Afeganistão, Paquistão e Moçambique. O risco de reintrodução no Brasil é real, especialmente em regiões com cobertura vacinal abaixo de 70%.

### Mortalidade infantil evitável

Estima-se que, para cada 1% de queda na cobertura vacinal, a mortalidade infantil por doenças infecciosas aumente em 2% (Organização Mundial da Saúde). O Unicef alerta que, sem ação coordenada, 1,5 milhão de crianças podem morrer por doenças evitáveis até 2030.

## O que o Brasil está fazendo?

O governo federal lançou em 2023 o Movimento Nacional pela Vacinação, com meta de retomar coberturas acima de 90% para todas as vacinas do calendário infantil. O programa inclui busca ativa de crianças não vacinadas, campanhas de comunicação e parceria com estados e municípios.

### A importância do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece todas as vacinas do calendário infantil gratuitamente. A rede de mais de 40 mil salas de vacinação no país é a principal via de acesso. O desafio é garantir que as famílias levem as crianças às unidades, especialmente em áreas rurais e periferias.

### O papel das escolas e creches

A exigência de carteira de vacinação atualizada para matrícula em escolas e creches é uma ferramenta eficaz. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que os pais são responsáveis pela vacinação dos filhos. A fiscalização, porém, é falha em muitos municípios.

## Como a sociedade pode ajudar?

A responsabilidade não é só do governo. Pais, cuidadores, educadores e profissionais de saúde têm papel ativo. O Unicef recomenda três ações prioritárias: verificar a caderneta de vacinação, buscar a unidade de saúde mais próxima e combater a desinformação compartilhando informações de fontes oficiais.

### Ações individuais

- Verifique a caderneta de vacinação do seu filho. Se estiver desatualizada, procure um posto de saúde.
- Não acredite em fake news sobre vacinas. Consulte apenas fontes oficiais: Ministério da Saúde, Anvisa, Unicef, OMS.
- Incentive amigos e familiares a vacinarem suas crianças.

### Ações coletivas

- Escolas e creches podem cobrar a carteira de vacinação no ato da matrícula.
- Conselhos tutelares podem notificar famílias que negligenciam a vacinação.
- Prefeituras podem fazer busca ativa em bairros com baixa cobertura.

## Perguntas Frequentes

### Quantas crianças no Brasil não receberam vacina no primeiro ano?

Em 2021, cerca de 300 mil crianças brasileiras não receberam nenhuma dose das vacinas previstas para o primeiro ano de vida, segundo estimativas do Ministério da Saúde.

### Quais vacinas são obrigatórias no primeiro ano?

O calendário nacional inclui BCG, hepatite B, pentavalente, VIP (poliomielite), pneumocócica 10, rotavírus e meningocócica C, entre outras.

### O que fazer se meu filho perdeu o prazo de vacinação?

Procure a unidade de saúde mais próxima com a caderneta. Não há necessidade de recomeçar o esquema vacinal. O profissional de saúde vai orientar as doses necessárias.

### Vacinas podem causar reações graves?

Reações graves são extremamente raras. Os benefícios da vacinação superam amplamente os riscos. Em caso de dúvida, consulte um médico.

### Como denunciar fake news sobre vacinas?

Denuncie conteúdos falsos ao Ministério da Saúde pelo telefone 136 ou pela plataforma Saúde sem Fake News.

direitos da criança e do adolescente calendário nacional de vacinação 2024 como combater fake news sobre saúde

---

Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/unicef-135-milhoes-criancas-nao-recebem-vacina-1-ano-vida-26/
