# Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

> Unicef relata que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa avanço em relação a 2024, mas mantém patamar próximo ao de 2009. No Brasil, a cobertura vacinal melhorou e o número de crianças não vacinadas reduziu.

*Aptare · Prevencao · 18 de julho de 2026 · Dra. Fernanda Liberato*

Relatório do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número, embora represente avanço em relação a 2024, mantém o patamar próximo ao de 2009. No Brasil, a situação é oposta: cobertura melhorou e crianças z

## Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). Outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico, que inclui três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). O índice de crianças zero-dose, como são chamadas no estudo, permanece alto e próximo ao observado em 2009, alerta o órgão.

## O que diz o relatório do Unicef sobre vacinação infantil?

O estudo _Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional_ mostra que, em 2025, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que em 2024. Apesar do avanço, o Unicef alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose aumenta o risco de surtos de doenças.

O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1): 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% completam a segunda (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, com surtos em 57 países.

## Cobertura vacinal global: progresso e estagnação

Os dados foram enviados pelos governos de 195 países. Desses, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019, com pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os que estavam abaixo desse patamar, 30 melhoraram as taxas nos últimos seis anos, mas 65 permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

## Por que a cobertura cai em países de renda média e alta?

Outro desafio apontado pelo Unicef é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram a queda de 20 pontos percentuais na cobertura da DTP1 na África do Sul desde 2019, e a redução de 23 pontos percentuais na Bósnia e Herzegovina no último ano.

## Brasil na contramão: melhora e redução de crianças zero-dose

O Brasil segue caminho oposto. A cobertura vacinal melhorou de forma constante, e o número de crianças zero-dose caiu para 50 mil no país. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef.

## O alerta de Catherine Russell e os cortes de financiamento

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirmou Catherine Russell, diretora executiva do Unicef. O estudo informa que as bases do progresso estão sob forte pressão, com cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas neste ciclo, contra 50 em 2024.

## O que a Gavi diz sobre o futuro da imunização?

Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde, afirmou que "os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum". O grande desafio, segundo ela, será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.

## Perguntas Frequentes

### Quantas crianças não receberam nenhuma vacina em 2025?

13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, segundo o Unicef.

### O que significa criança zero-dose?

São crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, conforme definição do estudo do Unicef.

### Qual a situação do Brasil na vacinação infantil?

O Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil e melhorou a cobertura vacinal, mas o ciclo completo da DTP-3 ainda está abaixo do ideal, com 86%.

### Por que a cobertura vacinal caiu em alguns países?

A queda ocorre por conflitos, deslocamentos forçados, pobreza, instabilidade política, subfinanciamento e, em países de renda média e alta, por hesitação vacinal e mudanças no compromisso político.

### Quantos casos de sarampo foram registrados em 2025?

Foram mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, com surtos em 57 países, segundo o relatório do Unicef.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/unicef-135-milhoes-criancas-nao-recebem-vacina-1-ano-vida-29/
