# Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

> O relatório Unicef e OMS de 2025 aponta que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O índice de crianças zero-dose preocupa globalmente, elevando o risco de surtos. O Brasil apresentou melhora na cobertura vacinal, mas ainda enfrenta desafios para garantir a imunização completa.

*Aptare · Prevencao · 20 de julho de 2026 · Dra. Cláudia Monteiro*

Relatório da Unicef e OMS revela que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. Embora haja avanço global, índice de crianças zero-dose ainda preocupa e aumenta risco de surtos. Brasil melhora cobertura, mas enfrenta desafios.

## Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). Outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico de três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). O índice de crianças zero-dose é considerado alto pelo fundo, próximo ao observado em 2009, e aumenta o risco de surtos de doenças.

O estudo _Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional_ mostra que, apesar do número expressivo, houve avanço em relação ao ano anterior. Em 2025, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que em 2024. Ainda assim, a manutenção do patamar de crianças sem vacina preocupa, especialmente porque o abandono do ciclo de imunização ocorre antes da primeira dose contra o sarampo (MCV1): 84% recebem a primeira dose, mas apenas 77% completam a segunda (MCV2). O limite seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos da doença em surtos que atingiram 57 países.

## Por que 13,5 milhões de crianças ficam sem vacina?

Os dados compilados dos governos de 195 países revelam que 100 deles mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019, com pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos, mas 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirma Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.

Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. O relatório aponta que, nesses cenários, os programas de imunização enfrentam desafios como instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico.

## O desafio também está em países de renda média e alta

A cobertura vacinal também cai em países de renda média e alta, por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram a África do Sul, onde a cobertura da DTP1 caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025, e a Bósnia e Herzegovina, que apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.

## Brasil na contramão: melhora constante, mas com ressalvas

O Brasil tem ido na contramão desses países, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose, estimadas hoje em 50 mil. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados. cobertura vacinal no Brasil 2025

## O futuro da imunização global

"Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas", afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde. Para ela, o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.

O estudo informa que as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

## Perguntas Frequentes

### Quantas crianças não tomaram vacina em 2025?

13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, e outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico da DTP.

### O que é uma criança zero-dose?

É a criança que não recebeu nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, conforme definição do estudo da Unicef e OMS.

### O Brasil melhorou a cobertura vacinal?

Sim. O Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para cerca de 50 mil e apresenta melhora constante, embora o ciclo completo da tríplice (DTP-3) ainda esteja abaixo do ideal, com 86% de cobertura.

### Por que a cobertura caiu em países de renda média e alta?

Por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal, como exemplificado pela África do Sul e Bósnia e Herzegovina.

### Qual o risco de tantas crianças sem vacina?

A manutenção do índice de crianças zero-dose aumenta o risco de surtos de doenças como sarampo, que já registrou mais de 411 mil casos em 57 países em 2025.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/unicef-135-milhoes-criancas-nao-recebem-vacina-1-ano-vida-30/
