# Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

> O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número equivale a 15% dos bebês do mundo. O abandono da imunização eleva o risco de surtos de doenças como o sarampo, que registrou mais de 411 mil casos em 57 países.

*Aptare · Prevencao · 19 de julho de 2026 · Roberto Vidal*

Em 2025, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida, segundo dados da Unicef. O número representa 15% dos bebês do mundo. O abandono da imunização aumenta o risco de surtos de doenças como o sarampo, que registrou mais de 411 mil casos em 57 paí

## Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). O número representa 15% dos bebês em todo o mundo. Outras 7,3 milhões de crianças não tiveram o ciclo básico completo, com três doses da vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

O estudo "Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional" mostra que os números representam um avanço em relação ao ano anterior. Em 2024, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que em 2023. No entanto, o Unicef alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose, aquelas que não recebem nenhuma vacina no primeiro ano, é considerado alto pelo fundo, estando em patamar próximo ao de 2009 e abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19.

## O risco do abandono da imunização

O programa de vacinas da Unicef alerta que o abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Os dados mostram que 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% completam com a segunda dose (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países.

## Quem está mais vulnerável?

Os dados compilados pelos governos de 195 países mostram que 100 deles mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da vacina DTP desde 2019. Entre os países que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas ao longo dos últimos seis anos, mas 65 permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirma em nota Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.

Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

## Desafios em países ricos

Outro desafio é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, que ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram o da cobertura da DTP1. Na África do Sul, o índice caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Na Bósnia e Herzegovina, apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.

## Brasil na contramão

O Brasil tem ido na contramão desses países, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose, que hoje são estimadas em 50 mil no país, com melhora de cobertura e de qualidade na integração dos dados públicos. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a da ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pela Unicef para garantir a qualidade dos dados.

## O que ameaça o progresso?

"Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum", afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde. Segundo ela, o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes, ao mesmo tempo em que se intensificam os esforços para alcançar as crianças que ainda não têm acesso à imunização.

O estudo informa que as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Segundo os dados, apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

## Perguntas Frequentes

### O que significa "criança zero-dose"?

São crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo a definição do estudo da Unicef.

### Quantas crianças não completaram o ciclo vacinal básico?

Além das 13,5 milhões zero-dose, outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo com três doses da vacina DTP.

### Por que o sarampo é uma preocupação?

O limite seguro de imunização contra o sarampo é de 95%, mas apenas 77% das crianças recebem a segunda dose. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos em 57 países.

### Como o Brasil se sai na vacinação infantil?

O Brasil tem melhorado a cobertura vacinal, com cerca de 50 mil crianças zero-dose. A principal lacuna é o ciclo completo da DTP-3, com cobertura de 86%.

### Quais os principais obstáculos para a vacinação global?

Conflitos, deslocamentos forçados, pobreza, cortes de financiamento e hesitação vacinal são os principais desafios apontados pelo estudo.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/prevencao/unicef-135-milhoes-criancas-nao-recebem-vacina-1-ano-vida-44/
