# Testes clínicos fase 1 da polilaminina começam este mês

> A polilaminina entra em testes clínicos de fase 1 a partir de 24 de setembro, conduzidos pela farmacêutica Cristália com pesquisadores da UFRJ. A substância tem potencial para auxiliar na recuperação de movimentos após lesão medular, e cinco voluntários serão recrutados para o estudo inicial de segurança e tolerabilidade.

*Aptare · Saude Mental · 16 de setembro de 2026 · Dra. Fernanda Liberato*

A farmacêutica Cristália e pesquisadores da UFRJ iniciam em 24 de setembro a fase 1 dos testes clínicos da polilaminina, substância com potencial para ajudar na recuperação de movimentos após lesão medular. Cinco voluntários serão recrutados.

A farmacêutica Cristália, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), inicia em 24 de setembro a fase 1 dos testes clínicos da polilaminina. A substância tem potencial de ajudar pessoas com lesão na medula a recuperarem movimentos. Nesta etapa, o objetivo é comprovar que ela é segura para humanos e não oferece mais danos do que benefícios.

Serão recrutados cinco pacientes voluntários, de 18 a 72 anos, que devem apresentar lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10, após trauma ocorrido há menos de 72 horas, com indicação de cirurgia para descompressão medular. As condições foram autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os atendimentos ocorrerão no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com equipes cirúrgicas treinadas para aplicar a substância diretamente na medula durante a cirurgia. Depois do procedimento, os pacientes passarão por reabilitação na AACD e serão acompanhados pela equipe de pesquisa por seis meses.

A polilaminina é desenvolvida em laboratório a partir da laminina, proteína encontrada naturalmente no corpo humano. Foi descoberta pela professora e pesquisadora da UFRJ Tatiana Sampaio, que investiga seu potencial há mais de 20 anos. No sistema nervoso, a laminina atua como base para a movimentação dos axônios, responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos. Por isso, acredita-se que a polilaminina possa reestabelecer a conexão interrompida em casos de lesão medular.

Entre 2016 e 2021, um estudo-piloto aplicou a substância em oito pessoas que passaram por cirurgia de descompressão. Três faleceram em decorrência das lesões, mas os cinco que se recuperaram apresentaram algum ganho motor. Ainda não é possível afirmar que isso seja resultado direto da polilaminina, o que reforça a necessidade de ensaios clínicos controlados.

A divulgação dos resultados preliminares gerou grande comoção, e dezenas de pessoas receberam autorização da Anvisa para usar a substância de forma compassiva, licença especial para substâncias experimentais em casos de grande gravidade. Como essas aplicações não seguiram protocolo científico, não é possível atestar se a polilaminina funcionou ou não.

O vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do Cristália, Rogério Almeida, afirmou que o laboratório está comprometido com a ciência, as boas práticas clínicas e o rigor regulatório. "Trabalhamos em total alinhamento com a Anvisa e com todos os parceiros envolvidos, sempre com o mesmo objetivo: proteger os pacientes e gerar evidências científicas robustas de segurança e eficácia. Nosso foco agora é conduzir o estudo clínico com a máxima qualidade e no menor prazo possível", declarou.

Se a substância for bem-sucedida na fase 1, a equipe poderá pedir autorização à Anvisa para dar seguimento aos testes em humanos. Nas fases 2 e 3, o número de participantes aumenta e os pesquisadores poderão avaliar se a substância realmente funciona e produz resultados superiores aos tratamentos disponíveis atualmente. Somente após a conclusão de todas as fases o medicamento pode ser registrado e disponibilizado para a população.

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Fonte (canonical): https://revistaaptare.com.br/saude-mental/testes-clinicos-fase-1-polilaminina-comecam-este-mes/
