Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe
Amamentar reduz em cerca de 11% o risco de doença cardiovascular na mãe. A SBC explica como a lactação protege o coração, reduz AVC e infarto, e por que a ocitocina é essencial.
Resumo rápido
- Amamentar reduz em cerca de 11% o risco de doença cardiovascular na mãe.
- A SBC explica como a lactação protege o coração, reduz AVC e infarto, e por que a ocitocina é essencial.
Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe: entenda a proteção que o aleitamento oferece
A amamentação reduz em cerca de 11% a chance de a mulher desenvolver uma doença cardiovascular em comparação com a mulher que não amamenta. O dado é da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e reforça o papel do aleitamento materno como medida de proteção à saúde da mãe, não apenas do bebê.
A queda dos fatores de risco está diretamente ligada ao período de amamentação. Quanto mais tempo a mulher amamenta, maior a proteção observada. A SBC destaca que as publicações científicas giram em torno de 18 meses de amamentação para consolidar esse efeito protetor.
Amamentar por mais tempo reduz risco de AVC e infarto
A vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita, explica que a proteção cardiovascular cresce com a duração do aleitamento. "As publicações giram em torno de 18 meses de amamentação. A mulher que amamenta por mais tempo tem também redução desses fatores de risco: 12% menos risco de acidente vascular cerebral (AVC), 14% menos risco de infarto. Viu-se que a amamentação traz essa proteção para a mulher", afirma.
A médica esclarece um ponto importante: isso não significa que a mulher que não amamenta tenha risco aumentado para esse tipo de doença. A amamentação funciona como um fator adicional de proteção, não como uma ausência que eleva o risco.
O que acontece no corpo da mãe durante a gestação e a lactação
Durante a gestação, o corpo da mulher passa por alterações hormonais significativas. Há alta da resistência à insulina, elevação dos lipídios e do colesterol, principalmente do LDL, o colesterol ruim. Essas mudanças são naturais, mas preparam o terreno para riscos metabólicos.
Na lactação, ocorre um processo que os especialistas chamam de reset metabólico, uma espécie de reinicialização do organismo. A produção de leite atua na regulação do açúcar, melhora o efeito sobre o metabolismo glicídico e aumenta a sensibilidade à insulina. O corpo usa a glicose, reduzindo o risco de diabetes. Há também alívio cardíaco, pois a amamentação reduz a pressão arterial e diminui a frequência cardíaca da mãe, permitindo que o coração trabalhe com menos esforço para bombear o sangue.
Hormônios da lactação protegem o coração
O período de lactação ativa a liberação de hormônios específicos, como ocitocina, prolactina, glicocorticoides, grelina e hormônio do crescimento. Esses hormônios atuam como uma proteção ao miocárdio contra possíveis lesões cardíacas.
Um dos destaques é a ocitocina, conhecida como o "hormônio do amor". Ela protege o coração contra a falta de oxigênio por meio da ativação de receptores cerebrais e de uma via que envolve estruturas responsáveis pela geração de energia celular. Isso oferece uma barreira extra de cardioproteção à mãe.
A médica Alexandra Mesquita detalha o mecanismo: "Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias. Também a liberação de oxitocina, nessa fase de lactação, faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe. Então, as alterações hormonais produzidas durante a gestação ficam meio que 'resetadas' na fase de lactação, que é o que vai causar realmente essa redução de riscos".
Ela acrescenta que a resistência à insulina, se não for controlada, pode evoluir para o diabetes. A amamentação ajuda justamente a controlar esse fator.
Gordura acumulada na gravidez é usada na lactação
A Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta que, na gravidez, o corpo da mulher acumula naturalmente reservas de gordura. A lactação utiliza esses depósitos, o que reduz diretamente o risco de doenças cardíacas e de infarto. É mais um mecanismo pelo qual o aleitamento protege a mãe.
Doença cardiovascular mata mais que câncer de mama entre mulheres
Alexandra Mesquita chama atenção para um dado que poucas pessoas conhecem: as doenças cardiovasculares respondem por 33% da mortalidade feminina, um percentual superior aos óbitos por câncer de mama. "Ainda se pensa que a maior causa de mortalidade feminina é câncer de mama, mas a doença cardiovascular mata sete vezes mais que o câncer de mama", alerta.
A maior parte dos fatores de risco, como diabetes, pressão alta e sedentarismo, é comum a homens e mulheres. No entanto, podem ser piores entre as mulheres. Há também fatores de risco próprios do sexo feminino, que merecem atenção.
Fatores de risco cardiovasculares específicos da mulher
A cardiologista cita fatores que aumentam o risco cardiovascular apenas no público feminino:
- Primeira menstruação precoce, aos 9 ou 10 anos, ou tardia, aos 15 e 16 anos
- Menopausa precoce, com menos de 45 anos
- Endometriose
- Ovários policísticos
- Uso de anticoncepcional oral
- Alterações da gravidez, como hipertensão induzida pela gestação, diabete gestacional ou bebê de baixo peso
Conhecer esses fatores é o primeiro passo para a prevenção. O acompanhamento médico regular ajuda a identificar riscos e adotar medidas de proteção.
Agosto Dourado e a Semana Mundial do Aleitamento Materno
Neste sábado, dia 1º, é comemorado o Dia Internacional da Amamentação. A Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026 tem como tema "Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona".
A campanha global do Agosto Dourado é coordenada pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) e tem como objetivo reforçar a importância de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para um futuro mais saudável para crianças, famílias e comunidades.
A pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica (Idomed), lista dez benefícios da amamentação tanto para a mãe quanto para a criança. O aleitamento é uma prática que protege em várias frentes, e o coração da mãe é uma delas.
Perguntas Frequentes
Amamentação realmente reduz o risco de infarto?
Sim. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, amamentar por mais tempo reduz em 14% o risco de infarto na mãe. A proteção vem da melhora do metabolismo, da regulação da pressão e da ação de hormônios como a ocitocina.
Quanto tempo preciso amamentar para ter proteção cardiovascular?
As publicações científicas citadas pela SBC indicam que a proteção se consolida em torno de 18 meses de amamentação. Quanto maior o período de aleitamento, maior a redução dos fatores de risco.
Quem não amamenta tem risco maior de doença cardíaca?
Não. A médica Alexandra Mesquita esclarece que a mulher que não amamenta não tem risco aumentado para esse tipo de doença. A amamentação é um fator adicional de proteção, não uma ausência que eleva o risco.
Como a ocitocina protege o coração da mãe?
A ocitocina, conhecida como hormônio do amor, protege o coração contra a falta de oxigênio, ativa receptores cerebrais e promove vasodilatação, melhorando a circulação. Ela é liberada durante a lactação e oferece uma barreira extra de cardioproteção.
O que é o reset metabólico da lactação?
É a reinicialização do organismo que ocorre com a produção de leite. A lactação melhora o metabolismo da glicose, aumenta a sensibilidade à insulina, reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca, revertendo parcialmente as alterações hormonais da gestação.
Quais são os fatores de risco cardiovascular exclusivos da mulher?
Menstruação precoce ou tardia, menopausa precoce, endometriose, ovários policísticos, uso de anticoncepcional oral e alterações da gravidez, como hipertensão gestacional e diabete gestacional. Esses fatores pedem acompanhamento médico específico.
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Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.