Brasil tem 37.719 na fila de transplante de córnea
O Brasil tem 37.719 pessoas aguardando transplante de córnea, alta de 24% desde dezembro. CBO aponta falta de reajuste e efeitos da pandemia como causas da fila crescente.
Resumo rápido
- O Brasil tem 37.719 pessoas aguardando transplante de córnea, alta de 24% desde dezembro.
- CBO aponta falta de reajuste e efeitos da pandemia como causas da fila crescente.
Eu acompanho há anos o esforço silencioso de quem espera por uma córnea nova. Na semana em que o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia reúne especialistas em Salvador, os números divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) pedem atenção: 37.719 pessoas aguardam na fila por transplante de córnea em todo o país.
O Brasil tem 37.719 pessoas na fila por transplante de córnea, segundo o CBO. O número subiu 24% desde dezembro de 2025, quando havia 32.639 pacientes. Em 2025, foram realizados 17.790 cirurgias, recorde histórico, mas a espera média chega a 370 dias.
O aumento é recente. Em dezembro de 2025, a fila tinha 32.639 nomes. Seis meses depois, são 5.080 a mais. O CBO reconhece o paradoxo: nunca se operou tanto, 17.790 procedimentos no ano passado, e ainda assim a lista cresce. A entidade explica que o sistema opera perto da autossuficiência teórica para o fluxo anual, mas as novas indicações médicas chegam mais rápido do que a capacidade de resposta.
Quem entra na fila hoje precisa esperar, em média, 370 dias. Há dez anos, eram 174. O CBO atribui o passivo a fatores como a falta de reajuste nos valores pagos pelos procedimentos e o impacto da covid-19, que represou pacientes entre 2020 e 2023. Some-se a isso o custo dos insumos, cotados em dólar, e as exigências crescentes de qualidade na produção e processamento da córnea. Nas palavras do conselho, a conta não fecha para os bancos de olhos, que recebem o mesmo valor de uma década atrás.
As diferenças regionais são o retrato mais claro do problema. O Ceará fez 1.371 transplantes em 2025 e, apesar de 1.639 novos ingressos, fechou dezembro com apenas 93 pacientes ativos. Mato Grosso tem 37 na fila. No outro extremo, o Rio de Janeiro realizou 653 cirurgias, recebeu 1.720 novos pacientes e acumula 4.760 pessoas esperando. São Paulo lidera a fila absoluta, com 7.505 ativos, seguido por Minas Gerais, com 4.532. Amapá e Roraima não registraram nenhum transplante em 2025.
A fila tem rosto: 56% são mulheres, 47% têm 65 anos ou mais, e 753 são crianças e adolescentes. Em 2020, as cirurgias eletivas foram suspensas e apenas 7.349 transplantes saíram do papel, menos da metade dos 14.942 de 2019. A recuperação veio aos poucos: 12.869 em 2021, 14.082 em 2022, 16.028 em 2023, 17.108 em 2024, até o recorde de 17.790 em 2025.
No cenário internacional, o Brasil se mantém bem avaliado, com desempenho comparável ao de Canadá, Austrália e países europeus. Na América Latina, lidera com folga sobre Argentina, Chile, Colômbia e México. Os dados fazem parte dos debates do CBO 2026, que segue até sábado (12) em Salvador.
A fila de espera por uma córnea não é uma estatística fria. Cada número representa alguém que deixou de dirigir, de ler ou de reconhecer um rosto. A prevenção, nesse caso, começa antes: cuidar da saúde ocular, tratar doenças degenerativas cedo e manter os bancos de olhos funcionando. A tecnologia avança, mas a gestão da fila ainda é o ponto que separa estados como Ceará e Rio de Janeiro. saúde ocular na maturidade como doar córnea no Brasil
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.