Mola gestacional: entenda o tumor benigno que pode virar câncer de placenta
A mola gestacional é um tumor benigno que pode evoluir para câncer de placenta em até 20% dos casos. Ocorre por erro na fertilização e exige acompanhamento em centro de referência para evitar riscos graves à saúde da mulher.
Resumo rápido
- A mola gestacional é um tumor benigno que pode evoluir para câncer de placenta em até 20% dos casos.
- Ocorre por erro na fertilização e exige acompanhamento em centro de referência para evitar riscos graves à saúde da mulher.
A mola gestacional, nome popular da doença trofoblástica gestacional, é um tumor benigno que se forma no início da gestação por um erro de fertilização. Em até 20% dos casos, pode evoluir para um câncer de placenta maligno. O diagnóstico precoce e o acompanhamento em centro de referência são essenciais para reduzir riscos e garantir a cura.
O que é a mola gestacional? A mola gestacional ocorre quando há um erro na fecundação. Nos casos de mola incompleta, um espermatozoide com DNA duplicado ou dois espermatozoides fecundam um óvulo normal, gerando uma placenta imperfeita e um embrião com anomalias genéticas incompatíveis com a vida. Já na mola completa, um óvulo sem DNA é fecundado, formando apenas uma placenta anormal, sem embrião. Em ambas as situações, a gestação precisa ser interrompida e a mola retirada, sob risco de sangramento uterino, alterações na tireoide e na pressão sanguínea.
Risco de evolução para câncer de placenta O efeito mais grave da doença trofoblástica é o câncer de placenta, que ocorre quando células da mola se instalam no útero. Segundo o professor de obstetrícia da UFRJ Antônio Braga, que coordena o Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da Maternidade Escola da UFRJ, menos de 5% das mulheres com mola parcial desenvolvem câncer. Já entre aquelas com mola completa, uma em cada cinco desenvolvem a doença. Em casos mais agressivos, pode haver metástase, principalmente no pulmão.
Incidência e fatores de risco No Brasil, uma em cada 200 a 400 mulheres que engravidam terá a doença, segundo Braga. Nos Estados Unidos, a taxa é de uma a cada mil mulheres; na Inglaterra, uma a cada duas mil. Fatores genéticos, imunológicos e alimentares são as principais suspeitas para essa diferença, mas ainda não há nada bem estabelecido. A maioria das pacientes descobre a mola em um ultrassom de rotina, após exame de sangue ou urina positivo.
A importância do centro de referência O ambulatório da Maternidade Escola, ligado à rede HU Brasil, atende cerca de 80 pacientes com mola por semana pelo SUS. Aproximadamente 30% delas têm plano de saúde e, mesmo assim, optam pelo atendimento público. Estudos do médico Antônio Braga mostram que mulheres acompanhadas fora de um centro de referência têm de 10 a 20 vezes mais chance de morrer.
Diagnóstico e tratamento O diagnóstico da mola é feito por ultrassom e pela medição do HCG, hormônio produzido na gestação. Não se faz biópsia: o HCG é o marcador tumoral da doença. Após a retirada da mola por aspiração uterina, o HCG deve cair até níveis normais. Se isso não ocorrer, as células da mola migraram para o útero, desenvolvendo o câncer, que é tratado com quimioterapia. "Grande parte das mulheres que são adequadamente tratadas se curam e podem engravidar novamente", afirma Braga.
Apoio e direitos das pacientes Além do tratamento médico, o hospital oferece atendimento social, psicológico e musicoterapia. A médica Gabriela Paiva reforça que "a gestação vem com expectativas" e que as pacientes chegam fragilizadas. Mulheres em tratamento podem ter direito ao transporte intermunicipal gratuito, como ocorreu com a terapeuta ocupacional Daiana Nascimento, que mora em São Pedro da Aldeia e precisava se deslocar até o Rio de Janeiro.
Perguntas Frequentes
O que causa a mola gestacional?
A mola gestacional é causada por um erro de fertilização, podendo ser do tipo incompleta (com embrião anômalo) ou completa (sem embrião).
A mola gestacional tem cura?
Sim. Grande parte das mulheres tratadas adequadamente se curam, podendo engravidar novamente após o período de acompanhamento.
Qual a diferença entre mola parcial e mola completa?
Na mola parcial, há um embrião com anomalias genéticas; na completa, não há embrião. O risco de câncer é maior na mola completa.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, por ultrassom e pela dosagem do hormônio HCG, que funciona como marcador tumoral da doença.
O tratamento é coberto pelo SUS?
Sim. O ambulatório da Maternidade Escola da UFRJ atende pelo SUS, e pacientes de todo o país podem ser encaminhadas para centros de referência.
Quanto tempo dura o tratamento?
O acompanhamento dura no mínimo seis meses após a retirada da mola, podendo se estender por anos em caso de câncer.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.