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Estudo alerta para subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil

ResumoO estudo publicado no Brazilian Journal of Nephrology, com mais de 14 mil participantes, revela subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil. Exames-chave como creatinina e proteinúria raramente são solicitados na atenção primária, atrasando o diagnóstico precoce e limitando intervenções que previnem a progressão da doença. A lacuna assistencial compromete o acesso a tratamentos nefroprotetores e diálise.

Estudo publicado no Brazilian Journal of Nephrology alerta para o subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil. Levantamento com mais de 14 mil pessoas mostra que exames-chave raramente são solicitados, dificultando o diagnóstico precoce e o acesso a cuidados que podem evitar

Escrito por Roberto Vidal · Atualizado em 12 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Estudo publicado no Brazilian Journal of Nephrology alerta para o subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil.
  • Levantamento com mais de 14 mil pessoas mostra que exames-chave raramente são solicitados, dificultando o diagnóstico precoce e o acesso a cuidados que podem evitar
Estudo alerta para subdiagnóstico da doença renal crônica no

Estudo alerta para subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil

Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que a doença renal crônica (DRC) afeta mais de 20 milhões de brasileiros, cerca de 10% da população. Desse total, mais de 170 mil dependem de terapia renal substitutiva, de acordo com o Censo Brasileiro de Diálise 2024. O cenário, entretanto, pode ser ainda mais preocupante: pesquisa feita em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná indica que o número real de pacientes em diálise pode superar o registrado atualmente por ineficiência no diagnóstico precoce.

Estudo publicado no Brazilian Journal of Nephrology alerta para o subdiagnóstico da doença renal crônica no Brasil. A pesquisa, que avaliou mais de 14 mil pessoas de alto risco, revelou que o exame de creatinina e o teste de albuminúria raramente são solicitados juntos, dificultando o diagnóstico precoce e o acesso a cuidados que podem evitar a diálise.

Subdiagnóstico da doença renal crônica: o que diz o estudo

Com o objetivo de mapear a dimensão do subdiagnóstico da DRC entre pacientes de alto risco no Brasil, sobretudo aqueles com diabetes e hipertensão, os pesquisadores avaliaram a frequência com que dois principais exames diagnósticos eram realizados nessa população. O levantamento incluiu mais de 14 mil pessoas e revelou que o exame de creatinina no sangue e o teste de proteína na urina (albuminúria) raramente são solicitados na prática clínica.

Por causa disso, muitos casos não são descobertos no começo, dificultando a adoção de cuidados precoces para proteger os rins e evitar que a doença avance. O estudo mostra que menos de 5% dos participantes que realizaram exames de creatinina tinham albuminúria solicitada. Mesmo após campanha nacional de rastreamento, o número permaneceu crítico, abaixo de 7%, indicando resistência ou falta de hábito na prática clínica em solicitar o rastreamento completo.

Por que o diagnóstico precoce da DRC é crucial

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que a DRC se tornará a quinta principal causa de morte no mundo até 2040. Nos estágios iniciais, a doença é assintomática, o que frequentemente inviabiliza o diagnóstico em tempo hábil. O estudo alerta que identificar a DRC precocemente pode mudar a trajetória clínica do paciente, abrindo caminho para medidas que preservam a função renal, reduzem complicações cardiovasculares e melhoram a qualidade e a expectativa de vida, tornando possível retardar ou mesmo evitar a diálise.

Fatores de risco para a doença renal crônica

De acordo com o Ministério da Saúde, os principais fatores de risco para a DRC incluem:

  • Histórico de doença do aparelho circulatório, como doença coronariana, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica e insuficiência cardíaca;
  • Histórico de doença renal crônica na família;
  • Uso de agentes nefrotóxicos, principalmente medicações que necessitam de ajustes em pacientes com alteração da função renal.

A prevenção da DRC, segundo a pasta, está diretamente relacionada a estilo e condições de vida das pessoas. "Tratar e controlar os fatores de risco como diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e tabagismo são as principais formas de prevenir doenças renais".

Quem conduziu a pesquisa sobre subdiagnóstico da DRC

Publicada no Brazilian Journal of Nephrology, a pesquisa contou com a colaboração de especialistas vinculados a instituições como a Universidade Estadual de Campinas, Escola Bahiana de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e Arbor Research Collaborative for Health. A parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná reforça o caráter multicêntrico do levantamento.

O caminho para reduzir o subdiagnóstico

O estudo aponta que a baixa solicitação conjunta dos exames de creatinina e albuminúria é um dos principais gargalos. Menos de 5% dos participantes com creatinina realizada tinham albuminúria solicitada, e mesmo após campanha nacional o índice não passou de 7%. Esse cenário indica que a prática clínica ainda resiste ao rastreamento completo, o que atrasa o diagnóstico e o acesso a cuidados precoces.

Para o paciente de alto risco, o caminho passa por exigir o rastreamento completo na consulta médica. Quem tem diabetes, hipertensão ou histórico familiar de DRC deve perguntar ao profissional de saúde sobre a realização dos dois exames. A informação é um direito garantido, e o acesso ao diagnóstico precoce pode mudar o curso da doença.

Embora o cenário seja desafiador, a ciência mostra que a detecção precoce é possível e transformadora. O direito que não se acessa é direito no papel, e no caso da DRC, o acesso começa com um simples pedido de exame.

Perguntas Frequentes

O que é a doença renal crônica?

A doença renal crônica é uma condição em que os rins perdem progressivamente a função de filtrar o sangue. Nos estágios iniciais, costuma ser assintomática, o que dificulta o diagnóstico sem exames específicos.

Quais exames detectam a doença renal crônica?

Os dois principais exames são a creatinina no sangue e o teste de proteína na urina (albuminúria). O estudo alerta que eles raramente são solicitados juntos na prática clínica.

Quem tem maior risco de desenvolver DRC?

Pessoas com diabetes, hipertensão, histórico de doenças cardiovasculares, histórico familiar de DRC e usuários de medicações nefrotóxicas estão entre os grupos de maior risco, segundo o Ministério da Saúde.

Como prevenir a doença renal crônica?

O Ministério da Saúde recomenda tratar e controlar fatores como diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e tabagismo como principais formas de prevenção.

A doença renal crônica tem cura?

O estudo alerta que identificar a DRC precocemente pode mudar a trajetória clínica, retardar ou evitar a diálise. O tratamento precoce preserva a função renal e reduz complicações.

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Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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