Prevencao

Polipílula para AVC busca 8,5 mil voluntários em teste

ResumoA polipílula brasileira contra AVC, desenvolvida por pesquisadores nacionais, busca 8,5 mil voluntários para ensaio clínico. O estudo avalia a eficácia de uma cápsula combinando múltiplos fármacos na prevenção de novos eventos cardiovasculares. A participação exige critérios específicos de saúde, como histórico de AVC ou alto risco. O teste visa validar a segurança e a redução de mortalidade em larga escala.

Pesquisadores brasileiros recrutam 8,5 mil voluntários para testar a primeira polipílula nacional contra AVC. Entenda os critérios e o funcionamento do estudo.

Escrito por Antônio Carlos Drummond · Atualizado em 25 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Pesquisadores brasileiros recrutam 8,5 mil voluntários para testar a primeira polipílula nacional contra AVC.
  • Entenda os critérios e o funcionamento do estudo.
Polipílula para AVC busca 8,5 mil voluntários em teste

Conheci a história dessa polipílula numa conversa com a neurologista Sheila Martins, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Ela me contou que os pesquisadores brasileiros recrutam voluntários desde o fim de 2025 para os testes com a primeira polipílula brasileira contra acidentes vasculares cerebrais (AVC) e outras doenças cardiovasculares. O objetivo é reunir 8,5 mil participantes, acompanhados por entre três e quatro anos.

A polipílula combina rosuvastatina 10 mg, contra o colesterol, com dois remédios para pressão alta: valsartana 80 mg e anlodipina 5 mg. A apresentação permite que os três sejam ingeridos juntos. A primeira fase de testes em humanos, considerada bem-sucedida, envolveu 370 pessoas em Porto Alegre, entre 2020 e 2023.

A pesquisa é conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O trabalho é feito junto com unidades de atenção primária e secretarias de saúde. A coordenação é da neurologista Sheila Martins, chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do hospital.

Os participantes precisam ter entre 50 e 75 anos, nunca ter tido AVC ou infarto e não usar medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes. A participação é gratuita e inclui acompanhamento médico periódico. O recrutamento ocorre em 14 centros de AVC em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre.

Os voluntários serão sorteados em dois grupos: um usará a polipílula, o outro receberá placebo, uma polipílula sem a medicação ativa. Ao longo de três anos, em média, será avaliado se o tratamento reduz o risco de AVC, demência ou piora da memória. Como desfecho secundário, a pesquisa compara se houve redução do risco de infarto, insuficiência cardíaca e morte por doença circulatória.

Sheila Martins pondera que, normalmente, orienta-se mudança de estilo de vida para quem tem pressão levemente aumentada. Só a partir de 140 x 90 é prescrita medicação. O estudo quer avaliar se seria necessário começar a medicação mais cedo, já que o risco de AVC aumenta acima de 115 x 75 mmHg. A fase piloto indicou que a polipílula funciona bem, é bem tolerada e reduz a pressão em 12 mmHg, além de diminuir o colesterol em 40 mg/dL.

Informações sobre participação podem ser obtidas pelo telefone ou WhatsApp (51) 99935-6911. O projeto inclui o aplicativo Riscômetro, que ajuda o paciente a calcular o risco de AVC, infarto ou doença circulatória e a monitorar a redução desse risco. Sheila destaca que, na fase inicial, pessoas que usaram o aplicativo mudaram o estilo de vida, aumentaram a atividade física e pararam de fumar.

O AVC é a principal causa de morte no Brasil, com 89.490 óbitos no ano passado, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil. A médica ressalta que 90% dos casos podem ser prevenidos com controle dos fatores de risco, sendo a hipertensão o mais importante. A combinação de medicamentos foi criada por um comitê executivo nacional liderado por Sheila, com um comitê internacional de especialistas da Austrália, Estados Unidos e Inglaterra.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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