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Saiba como cientistas curaram pacientes infectados com HIV com transplante de células-tronco

ResumoO transplante de células-tronco com mutação CCR5 delta32 curou dois pacientes com HIV, conforme anunciado na 26ª Conferência Internacional da Aids. A mutação impede a entrada do vírus nas células. A cura definitiva do HIV enfrenta desafios como a replicação do tratamento para todos os infectados e a eliminação de reservatórios virais.

Dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids. Saiba como a mutação CCR5 delta32 impede a entrada do vírus nas células e quais os desafios para uma cura definitiva.

Escrito por Dra. Cláudia Monteiro · Atualizado em 30 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids.
  • Saiba como a mutação CCR5 delta32 impede a entrada do vírus nas células e quais os desafios para uma cura definitiva.
Saiba como cientistas curaram pacientes infectados com HIV com transplante de células-tronco

Saiba como cientistas curaram pacientes infectados com HIV com transplante de células-tronco

Dois novos casos de remissão da infecção pelo HIV foram anunciados durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Os pacientes, conhecidos como "paciente de Kansas City" (Estados Unidos) e "paciente de Essen" (Alemanha), não tiveram vírus detectados no sangue após transplante de células-tronco de doadores com uma mutação genética rara. Com isso, sobe para 13 o número de pacientes que alcançaram remissão do HIV por esse tipo de tratamento.

Cientistas anunciaram dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco de doadores com mutação CCR5 delta32. O 'paciente de Kansas City' (EUA) e o 'paciente de Essen' (Alemanha) não tiveram vírus detectados no sangue por 14 e 12 meses, respectivamente, após interromperem os antirretrovirais. O tratamento substitui as células de defesa do paciente por células resistentes ao HIV, mas a remissão não é considerada cura definitiva.

Como a mutação CCR5 delta32 bloqueia o HIV

O HIV, como qualquer vírus, só se torna ativo quando entra em uma célula. No caso do HIV, o alvo principal é o linfócito T CD4+, peça fundamental do sistema imunológico. Para entrar na célula, o vírus se conecta a moléculas na membrana externa: o receptor CD4 e os correceptores CCR5 e CXCR4. Ao fazer essas conexões, o vírus abre uma "porta" na membrana e inicia seu ciclo de replicação.

Nos doadores das células-tronco, os genes produzem uma versão modificada do correceptor CCR5, chamada CCR5 delta32. Essa mutação impede a ligação do vírus ao correceptor. Sem conseguir entrar na CD4+, o HIV não consegue manter seu processo de infecção. Com o transplante, o paciente infectado ganha células hematopoiéticas que darão origem a linfócitos T CD4+ potencialmente resistentes ao HIV.

Os dois novos casos de remissão

O "paciente de Kansas City" descobriu aos 21 anos que, além de estar infectado com HIV, sofria de leucemia mieloide aguda, um tipo de câncer que afeta a produção de células de defesa. Já o "paciente de Essen" estava infectado por dois tipos diferentes de HIV e pelo vírus da hepatite B (HBV).

Ambos foram submetidos a transplantes de células-tronco hematopoiéticas, aquelas que originam as células sanguíneas, incluindo os leucócitos. Em ambos os casos, os doadores das células-tronco tinham a mutação CCR5 delta32, que os torna resistentes ao HIV.

Após o transplante, a terapia com antirretrovirais foi interrompida para avaliar a resposta. No paciente de Kansas City, passaram-se 14 meses sem detecção do vírus. No de Essen, foram 12 meses. No entanto, houve uma recidiva do vírus da hepatite B no paciente alemão, o que mostra que o transplante não elimina todos os patógenos.

Remissão não é cura definitiva

A pesquisadora Carina Elsner, uma das responsáveis pelo estudo com o paciente de Essen, explica que "a mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo, infelizmente, muito rara". Ela questiona se a presença da mutação CCR5 delta32 é realmente a chave para a remissão de longo prazo do HIV.

Wissam El Atrouni, um dos responsáveis pela pesquisa com o paciente de Kansas City, afirma: "É apenas o caso de um paciente, mas que se soma à lista de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco. É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais."

Os estudos concluíram que houve remissão da infecção pelo HIV, mas o termo "cura" é impreciso, já que não é possível afirmar se a infecção retornará depois de algum tempo.

O histórico do primeiro paciente curado

O primeiro paciente a ser considerado curado do HIV foi Timothy Ray Brown, conhecido como "paciente de Berlim". Ele recebeu um transplante de células-tronco em 2007 e viveu livre do HIV até 2020, quando morreu vítima de leucemia, a doença que motivou seu transplante.

Desafios para aplicar o tratamento em larga escala

A mutação CCR5 delta32 é rara na população. Cerca de 10% dos europeus do norte a possuem em homozigose, mas a frequência é muito menor em outras regiões mutação genética rara. Além disso, o transplante de células-tronco é um procedimento de alto risco, indicado principalmente para pacientes com câncer hematológico, como leucemia.

Perguntas Frequentes

O que é a mutação CCR5 delta32?

É uma alteração genética que produz uma versão modificada do correceptor CCR5, impedindo a entrada do HIV nas células T CD4+.

Quantos pacientes já foram curados do HIV com transplante?

Até o momento, 13 pacientes alcançaram remissão do HIV após transplante de células-tronco, incluindo os dois novos casos anunciados em 2026.

Por que a remissão não é considerada cura?

Porque não é possível afirmar que o vírus não retornará após algum tempo. O termo "cura" é impreciso, e os pesquisadores preferem falar em remissão.

O transplante de células-tronco pode ser usado em todos os pacientes com HIV?

Não. O procedimento é de alto risco e geralmente indicado apenas para pacientes com câncer hematológico, como leucemia.

Quanto tempo os pacientes ficaram sem o vírus detectado?

O paciente de Kansas City ficou 14 meses, e o de Essen, 12 meses, sem detecção do HIV no sangue.

O que aconteceu com o paciente de Essen em relação à hepatite B?

Houve uma recidiva do vírus da hepatite B após a interrupção dos antirretrovirais, mostrando que o transplante não eliminou todos os patógenos.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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