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Cientistas "curam" HIV? Casos de remissão após transplante de células-tronco

ResumoDois novos casos de remissão do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Pacientes de Kansas City e Essen não apresentaram vírus detectável após transplante de células-tronco com mutação genética rara. Ainda não há cura definitiva para o HIV.

Dois novos casos de remissão do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Pacientes de Kansas City e Essen não tiveram vírus detectado após transplante de células-tronco com mutação genética rara. Mas ainda não é cura definitiva.

Escrito por Dra. Fernanda Liberato · Atualizado em 31 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Dois novos casos de remissão do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro.
  • Pacientes de Kansas City e Essen não tiveram vírus detectado após transplante de células-tronco com mutação genética rara.
  • Mas ainda não é cura definitiva.
Cientistas "curam" HIV? Casos de remissão após transplante de células-tronco

Cientistas "curam" HIV? Casos de remissão após transplante de células-tronco

Dois novos casos de remissão da infecção pelo HIV foram anunciados durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Com estes, chega a 13 o número de pacientes infectados que não tiveram vírus detectado no sangue após transplante de células-tronco. O termo correto é remissão, não cura, pois não é possível garantir que a infecção não retornará.

O que aconteceu com os pacientes de Kansas City e Essen?

Um homem conhecido como "paciente de Kansas City" (Estados Unidos) descobriu aos 21 anos que, além do HIV, tinha leucemia mieloide aguda, um câncer que afeta a produção de células de defesa. O outro caso é o "paciente de Essen" (Alemanha), infectado por dois tipos diferentes de HIV e pelo vírus da hepatite B (HBV).

Ambos receberam transplante de células-tronco hematopoiéticas, aquelas que originam as células sanguíneas, incluindo os leucócitos. Os doadores tinham uma mutação genética especial, chamada CCR5 delta32, que os torna resistentes ao HIV.

Como a mutação CCR5 delta32 bloqueia o HIV?

O HIV precisa entrar nos linfócitos T CD4+, peças fundamentais do sistema imunológico. Para isso, conecta-se a moléculas na membrana da célula: o receptor CD4 e os correceptores CCR5 e CXCR4. A mutação CCR5 delta32 produz uma versão modificada do correceptor CCR5, impedindo a ligação do vírus. Sem entrar na célula, o HIV não consegue se replicar.

Com o transplante, o paciente ganha células hematopoiéticas com o gene CCR5 delta32. Como estas dão origem às CD4+, as novas gerações desses linfócitos se tornam potencialmente resistentes ao HIV.

Os resultados e as limitações do tratamento

Após o transplante, a terapia antirretroviral foi interrompida para avaliar a resposta. No paciente de Kansas City, passaram-se 14 meses sem detecção do HIV. No de Essen, 12 meses. Porém, houve recidiva do vírus da hepatite B no paciente alemão.

A pesquisadora Carina Elsner, responsável pelo estudo com o paciente de Essen, alerta: "A mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo, infelizmente, muito rara. A questão principal é se a presença da mutação CCR5 delta32 é realmente a chave para se alcançar uma remissão de longo prazo do HIV".

Wissam El Atrouni, responsável pela pesquisa com o paciente de Kansas City, complementa: "É apenas o caso de um paciente, mas que se soma à lista de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco. É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais".

O primeiro caso de remissão do HIV

O primeiro paciente considerado curado do HIV, Timothy Ray Brown, conhecido como "paciente de Berlim", recebeu transplante de células-tronco em 2007. Viveu livre do HIV até 2020, quando morreu vítima de leucemia, a doença que motivou seu transplante.

Por que não podemos falar em cura definitiva?

Os estudos concluíram que houve remissão, não cura. O termo é usado porque não é possível afirmar se a infecção retornará depois de algum tempo. O tratamento com transplante de células-tronco é complexo, arriscado e depende de doadores com mutação rara, sendo inviável como terapia em larga escala.

Perguntas Frequentes

O que significa remissão do HIV?

Remissão significa que o vírus não é detectado no sangue após interrupção dos antirretrovirais, mas não há garantia de que não retornará.

Quantos pacientes já tiveram remissão do HIV?

Chega a 13 o número de pacientes infectados com HIV que não tiveram vírus detectado após transplante de células-tronco.

O transplante de células-tronco pode curar o HIV em qualquer pessoa?

Não. O tratamento é indicado para pacientes com câncer no sangue, como leucemia, e depende de doadores com a mutação CCR5 delta32, que é rara.

Qual a diferença entre remissão e cura?

Cura implica eliminação total e permanente do vírus. Remissão significa ausência de detecção por um período, mas com possibilidade de retorno.

O paciente de Essen teve problemas com o tratamento?

Sim. Houve recidiva do vírus da hepatite B após a interrupção dos antirretrovirais.

Quando surgiu o primeiro caso de remissão do HIV?

Em 2007, com Timothy Ray Brown, o "paciente de Berlim", que viveu livre do HIV até 2020.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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