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HIV: cientistas anunciam remissão após transplante de células

ResumoHIV (vírus da imunodeficiência humana) registra remissão em dois novos pacientes após transplante de células-tronco, anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. O total de casos sem vírus detectável no sangue após o procedimento chega a 13. O tratamento envolve células de doadores com mutação genética rara que bloqueia a entrada do HIV.

Na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio, dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco foram anunciados. Com eles, chega a 13 o número de pacientes sem vírus detectado no sangue após o tratamento.

Escrito por Roberto Vidal · Atualizado em 31 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio, dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco foram anunciados.
  • Com eles, chega a 13 o número de pacientes sem vírus detectado no sangue após o tratamento.
HIV: cientistas anunciam remissão após transplante de células

HIV: cientistas anunciam remissão após transplante de células-tronco

Na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão da infecção pelo HIV após transplante de células-tronco foram anunciados. Com eles, chega a 13 o número de pacientes infectados que não tiveram vírus detectado no sangue após esse tipo de tratamento.

Resposta direta: Cientistas anunciaram dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco. Os pacientes, chamados de "paciente de Kansas City" e "paciente de Essen", receberam células de doadores com a mutação CCR5 delta32, que impede a entrada do vírus nas células de defesa. Com isso, o total de casos de remissão chega a 13.

O que é remissão e por que não se fala em "cura"

Apesar do caso ser tratado como "cura", o correto é dizer que houve remissão. Não é possível afirmar se a infecção retornará depois de algum tempo. O primeiro paciente considerado curado, Timothy Ray Brown, o "paciente de Berlim", recebeu o transplante em 2007 e viveu livre do HIV até 2020, quando morreu de leucemia, a doença que motivou o procedimento.

Como o HIV entra nas células de defesa

O HIV, como qualquer vírus, só se torna ativo quando entra em uma célula. Seu alvo é o linfócito T CD4+, peça fundamental do sistema imunológico. Para entrar, o vírus se conecta a moléculas na membrana externa: o receptor CD4 e os correceptores CCR5 e CXCR4. Ao fazer essas conexões, abre uma "porta" e inicia o ciclo de replicação.

A mutação CCR5 delta32 que bloqueia o vírus

Nos dois casos, os doadores das células-tronco tinham uma mutação especial em seus genes, que os torna resistentes ao HIV. Essa mutação produz uma versão modificada do correceptor CCR5, chamada CCR5 delta32, que impede a ligação do vírus. Sem conseguir entrar na CD4+, o HIV não mantém a infecção.

O transplante e a interrupção dos antirretrovirais

Ambos os pacientes foram submetidos a transplantes de células-tronco hematopoiéticas, aquelas que originam as células sanguíneas, incluindo as de defesa. Com o transplante, o paciente ganha células munidas do gene produtor de CCR5 delta32. As novas gerações de CD4+ se tornam potencialmente resistentes ao HIV.

Nos dois casos, a terapia com antirretrovirais foi interrompida para avaliar a resposta. No paciente de Kansas City, passaram-se 14 meses sem vírus detectado. No de Essen, 12 meses. No entanto, houve recidiva do vírus da hepatite B, que o paciente de Essen também tinha.

O que dizem os pesquisadores

"A mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo, infelizmente, muito rara", afirma a pesquisadora Carina Elsner, responsável pelo estudo com o paciente de Essen. "A questão principal é se a presença da mutação é realmente a chave para a remissão de longo prazo."

Wissam El Atrouni, responsável pela pesquisa com o paciente de Kansas City, reforça: "É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais."

O que isso significa para quem vive com HIV

O transplante de células-tronco é um procedimento de alta complexidade, indicado para tratar doenças como a leucemia, não uma terapia acessível para a maioria. A remissão observada nesses 13 casos é um avanço científico, mas o tratamento padrão para o HIV continua sendo a terapia antirretroviral, que controla a infecção. como funciona o tratamento do HIV no SUS, direitos de quem vive com HIV, prevenção combinada ao HIV

Perguntas Frequentes

O que é remissão do HIV?

É quando o vírus não é detectado no sangue após a interrupção do tratamento, mas não se pode garantir que a infecção não retornará.

Quantos pacientes tiveram remissão do HIV?

Com os dois novos casos, chega a 13 o número de pacientes que não tiveram vírus detectado após transplante de células-tronco.

Como a mutação CCR5 delta32 protege contra o HIV?

Ela impede que o vírus se conecte ao correceptor CCR5 na célula CD4+, bloqueando a entrada do HIV.

O transplante de células-tronco está disponível para todos?

Não. É um procedimento complexo, usado para tratar doenças como leucemia. O tratamento padrão para HIV é a terapia antirretroviral.

O que aconteceu com o paciente de Berlim?

Timothy Ray Brown recebeu o transplante em 2007 e viveu livre do HIV até 2020, quando morreu de leucemia.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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