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Cientistas "curam" HIV: entenda a remissão no transplante

ResumoA 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro, apresentou dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco com mutação CCR5 delta32. O mecanismo bloqueia a entrada do vírus nas células, mas cientistas preferem o termo remissão, pois não há garantia de eliminação total do vírus no organismo.

Na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio, dois novos pacientes com HIV entraram em remissão após transplante de células-tronco. Entenda o mecanismo da mutação CCR5 delta32 e por que os cientistas preferem o termo remissão a cura.

Escrito por Antônio Carlos Drummond · Atualizado em 31 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio, dois novos pacientes com HIV entraram em remissão após transplante de células-tronco.
  • Entenda o mecanismo da mutação CCR5 delta32 e por que os cientistas preferem o termo remissão a cura.
Cientistas "curam" HIV: entenda a remissão no transplante

Na semana passada, durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão do HIV chamaram a atenção. Um homem chamado de "paciente de Kansas City", nos Estados Unidos, e outro conhecido como "paciente de Essen", na Alemanha, não apresentam mais vírus detectável no sangue após transplantes de células-tronco. Com eles, sobe para 13 o número de infectados que alcançaram esse resultado.

O que é remissão do HIV?

Remissão significa que o vírus não é detectado nos exames, mas pode voltar. Não é o mesmo que cura. No caso do paciente de Kansas City, foram 14 meses sem detecção. No de Essen, 12 meses. Ambos interromperam os antirretrovirais para testar a resposta do transplante, e o vírus não retornou. Porém, no paciente de Essen, houve recidiva do vírus da hepatite B, o que mostra que o sistema imunológico ainda enfrenta desafios.

Como o transplante bloqueia o HIV?

O HIV ataca os linfócitos T CD4+, células de defesa essenciais. Para entrar nelas, o vírus se conecta ao receptor CD4 e aos correceptores CCR5 e CXCR4. Os doadores dos transplantes tinham uma mutação chamada CCR5 delta32, que produz uma versão modificada do correceptor. Sem essa "porta de entrada", o HIV não consegue infectar as novas células.

Os pacientes receberam células-tronco hematopoiéticas, que originam todas as células sanguíneas, incluindo as CD4+. Assim, as novas gerações desses linfócitos nascem resistentes ao vírus.

Por que não é cura definitiva?

A pesquisadora Carina Elsner, responsável pelo estudo de Essen, explica que a mutação em homozigose aparece em cerca de 10% dos europeus do norte, mas é rara. A dúvida é se a CCR5 delta32 garante remissão de longo prazo. Wissam El Atrouni, do caso Kansas City, reforça: "É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais".

O primeiro paciente considerado curado, Timothy Ray Brown, o "paciente de Berlim", recebeu o transplante em 2007 e viveu sem HIV até 2020, quando morreu de leucemia, a doença que motivou o procedimento. prevenção ao HIV

O que isso significa na prática?

O transplante de células-tronco não é uma opção para todos. Ele é indicado para quem tem doenças como leucemia, não como tratamento padrão do HIV. A descoberta, porém, reforça o papel da mutação CCR5 delta32 e abre caminho para terapias genéticas futuras. avanços no tratamento do HIV

Perguntas Frequentes

O transplante de células-tronco cura o HIV?

Não. Ele pode levar à remissão, mas não há garantia de cura definitiva. O vírus pode voltar.

Quem pode receber esse transplante?

Apenas pacientes com doenças como leucemia, que precisam do transplante por outras razões médicas.

A mutação CCR5 delta32 é comum?

É rara. Cerca de 10% dos europeus do norte têm a mutação em homozigose, segundo a pesquisadora Carina Elsner.

Por que os cientistas evitam a palavra cura?

Porque não é possível afirmar se a infecção retornará. O termo correto é remissão, como concluíram os estudos. testes de HIV

A maturidade da ciência, como a de quem acompanha cada descoberta, ensina que avanços pedem paciência. Ainda não é a cura para todos, mas é um passo firme. E envelhecer é continuar começando, inclusive quando se trata de entender o HIV.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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