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Taxa média de recusa de doação de órgãos é 45%: como reduzir

ResumoA taxa média de recusa de doação de órgãos no Brasil é de 45%, conforme dados do Sistema Nacional de Transplantes. A recusa familiar decorre principalmente de falhas na comunicação e no acolhimento durante o processo de morte cerebral. O preparo das equipes hospitalares, com treinamento em entrevista familiar e suporte psicológico, reduz a recusa ao esclarecer dúvidas e oferecer suporte emocional.

No Brasil, 45% das famílias recusam a doação de órgãos após a morte cerebral de um parente. Falhas na comunicação e no acolhimento estão entre as causas. Saiba como o preparo das equipes pode reduzir a recusa.

Escrito por Roberto Vidal · Atualizado em 08 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • No Brasil, 45% das famílias recusam a doação de órgãos após a morte cerebral de um parente.
  • Falhas na comunicação e no acolhimento estão entre as causas.
  • Saiba como o preparo das equipes pode reduzir a recusa.
Taxa média de recusa de doação de órgãos é 45%: como reduzir

O momento da perda de um ente querido é um dos mais dolorosos para uma família. É nesse instante que surge a difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral, um ato capaz de salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade. Essa variação revela que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais.

Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos, e muitas famílias gostariam de atender a esse desejo. No entanto, em muitos casos, a falha no acolhimento e na comunicação dentro dos hospitais, tanto públicos quanto privados, é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações. "Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão", disse Franke. Ele também apontou que as equipes médicas, por vezes, não estão preparadas para conversas difíceis, usando termos excessivamente técnicos ou abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados.

Para mudar esse cenário, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes. O número superou em 25% a meta inicial de 2 mil participantes. Entre os capacitados, 933 são médicos, dos quais 473 receberam treinamento específico para a determinação de morte encefálica. Os demais, incluindo enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e o uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC). Até agosto, foram realizados 73 cursos, em 23 módulos, com atividades em 25 estados. Outros oito treinamentos estão previstos, incluindo Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC) neste mês.

Os cursos da AMIB buscam qualificar cada etapa que antecede uma doação, desde a identificação de potenciais doadores até a manutenção clínica e o diálogo com a família. "Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade", afirmou Franke. Entre as dificuldades enfrentadas pelas famílias estão a compreensão do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, o receio de alteração da integridade do corpo e a desconfiança no processo. Franke explica que muitas famílias temem deformidades, mas o procedimento inclui a reconstituição do corpo, sem deixar marcas visíveis nos ritos funerários. "Nós precisamos explicar isso com tempo e clareza", disse.

Os dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mostram que, em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45%. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024. O caminho para reduzir a recusa passa por informação clara e acolhimento no momento mais sensível da vida de uma família.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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