Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório da Unicef revela que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não recebem nenhuma vacina no primeiro ano de vida. O dado acende alerta para queda na cobertura vacinal e riscos de retorno de doenças erradicadas. Entenda o cenário e como agir.
Resumo rápido
- Relatório da Unicef revela que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não recebem nenhuma vacina no primeiro ano de vida.
- O dado acende alerta para queda na cobertura vacinal e riscos de retorno de doenças erradicadas.
- Entenda o cenário e como agir.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não recebem nenhuma vacina no primeiro ano de vida. O dado, referente a 2023, acende o alerta para a estagnação da cobertura vacinal global e o risco iminente de retorno de doenças já erradicadas ou controladas. A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é vacinar 90% das crianças no primeiro ano; o índice atual está em 84%.
Segundo o Unicef, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não recebem nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O número representa uma estagnação global na cobertura vacinal, deixando milhões vulneráveis a doenças evitáveis como sarampo e poliomielite. A meta da OMS é vacinar 90% das crianças.
O cenário global da imunização infantil
O relatório do Unicef mostra que, após décadas de avanço, a cobertura vacinal global estagnou. Em 2023, 84% das crianças receberam as três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3), indicador usado como referência. O percentual está abaixo dos 86% registrados em 2019 e longe da meta de 90%.
As regiões mais afetadas são África Subsaariana e Sul da Ásia. Países como Nigéria, Índia e Etiópia concentram o maior número de crianças não vacinadas. Conflitos armados, deslocamentos populacionais e sistemas de saúde frágeis são as principais barreiras.
As vacinas mais afetadas
A queda na cobertura atinge especialmente:
- Vacina contra sarampo: primeira dose em 83% das crianças, segunda dose em apenas 74%. O sarampo é altamente contagioso e exige cobertura de 95% para evitar surtos.
- Vacina contra poliomielite: cobertura de 89% para a terceira dose, abaixo dos 95% recomendados.
- Vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3): 84% de cobertura global.
Por que 13,5 milhões de crianças ficam sem vacina?
O Unicef aponta causas estruturais que explicam o número de 13,5 milhões de crianças não vacinadas no primeiro ano de vida:
- Conflitos e crises humanitárias: guerras e deslocamentos forçados interrompem campanhas de vacinação. Na Síria e no Iêmen, a cobertura caiu para menos de 60%.
- Desigualdade de acesso: comunidades rurais e periféricas têm dificuldade de chegar a postos de saúde. Na África, apenas 50% das crianças vivem a menos de uma hora de um serviço de imunização.
- Desinformação: notícias falsas sobre vacinas reduzem a adesão em países de média e alta renda. Nos Estados Unidos, a cobertura contra sarampo caiu de 95% para 92% entre 2019 e 2023.
- Sistemas de saúde frágeis: falta de profissionais, geladeiras para armazenamento e registros de vacinação comprometem a logística.
O impacto da baixa cobertura vacinal
O número de 13,5 milhões de crianças sem vacina no primeiro ano de vida tem consequências diretas. Em 2023, surtos de sarampo foram registrados em 37 países, incluindo Brasil, Índia e Reino Unido. A poliomielite, considerada erradicada na maior parte do mundo, voltou a circular no Afeganistão, Paquistão e em alguns países africanos.
A OMS estima que a imunização evita de 2 a 3 milhões de mortes por ano. Com a queda na cobertura, o risco de retrocesso é real. Doenças como coqueluche e difteria, que estavam controladas, voltam a preocupar.
Como reverter o cenário: o papel do Brasil
No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é referência mundial, mas a cobertura também caiu. Em 2023, a vacina contra sarampo atingiu apenas 82% do público-alvo, abaixo dos 95% recomendados. O Ministério da Saúde lançou o Movimento Nacional pela Vacinação para retomar os índices.
Para proteger as crianças, o calendário básico do primeiro ano inclui:
- BCG (dose única ao nascer)
- Hepatite B (ao nascer)
- Pentavalente (2, 4 e 6 meses)
- VIP/VOP (poliomielite aos 2, 4 e 6 meses)
- Pneumocócica 10 (2 e 4 meses)
- Meningocócica C (3 e 5 meses)
- Febre amarela (9 meses)
- Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola aos 12 meses)
Os pais devem levar a caderneta de vacinação a cada consulta e verificar o calendário no posto de saúde. A vacinação é gratuita e obrigatória.
O que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
O ECA, em seu artigo 14, determina que é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias. O descumprimento pode gerar advertência e, em casos extremos, até a perda da guarda direitos da criança e do adolescente.
Perguntas Frequentes
Quantas crianças não recebem vacina no primeiro ano?
Segundo o Unicef, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não recebem nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida.
Quais são as vacinas obrigatórias no primeiro ano?
O calendário básico do PNI inclui BCG, hepatite B, pentavalente, VIP/VOP, pneumocócica 10, meningocócica C, febre amarela e tríplice viral.
Por que a cobertura vacinal caiu?
As principais causas são conflitos, desigualdade de acesso, desinformação e sistemas de saúde frágeis.
O que acontece se a criança não for vacinada?
Ela fica vulnerável a doenças graves como sarampo, poliomielite e difteria, que podem causar sequelas permanentes ou morte.
Como saber se meu filho está com a vacinação em dia?
Leve a caderneta de vacinação a um posto de saúde. O profissional avalia e aplica as doses em atraso.
A vacina é segura?
Sim. Todas as vacinas do calendário passam por rigorosos testes da Anvisa e da OMS. Os benefícios superam amplamente os riscos.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.