Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório da Unicef e OMS revela que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2024, maior número desde 2010. O dado acende alerta sobre a cobertura vacinal global e os riscos de surtos de doenças evitáveis.
Resumo rápido
- Relatório da Unicef e OMS revela que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2024, maior número desde 2010.
- O dado acende alerta sobre a cobertura vacinal global e os riscos de surtos de doenças evitáveis.
Um relatório conjunto da Unicef e da Organização Mundial da Saúde (OMS) acendeu o alerta global: 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2024, o maior número desde 2010. O dado, que representa uma em cada dez crianças no mundo, revela um retrocesso na cobertura vacinal que ameaça décadas de progresso contra doenças evitáveis.
A queda na imunização infantil não é um fenômeno isolado. Desde 2020, a pandemia de Covid-19 interrompeu campanhas de vacinação em mais de 100 países, e a recuperação tem sido lenta e desigual. Segundo a OMS, a cobertura global da vacina tríplice viral (DTP1) caiu de 86% em 2019 para 81% em 2024, o menor patamar desde 2008.
Por que 13,5 milhões de crianças ficam sem vacina?
Os motivos são múltiplos e variam conforme a região. Conflitos armados, deslocamentos populacionais, desinformação sobre vacinas e fragilidade dos sistemas de saúde são os principais fatores apontados pela Unicef. Em países como Afeganistão, Iêmen e República Democrática do Congo, a instabilidade política impede o acesso regular das equipes de saúde.
No Brasil, embora a cobertura vacinal tenha melhorado nos últimos dois anos, ainda há desafios. Dados do Ministério da Saúde indicam que a meta de 95% para a vacina contra poliomielite não foi atingida em 2023, com cobertura de 88% cobertura vacinal infantil no Brasil. A desinformação, especialmente nas redes sociais, é apontada como um dos obstáculos.
Quais doenças estão em risco?
As crianças não vacinadas ficam expostas a doenças que podem ser fatais ou deixar sequelas permanentes. O sarampo, por exemplo, teve um aumento de 79% nos casos globais em 2024 comparado a 2023, segundo a OMS. A poliomielite, considerada erradicada na maior parte do mundo, ainda circula em países como Paquistão e Afeganistão.
A difteria, a coqueluche e o tétano neonatal também representam ameaças reais. A Unicef alerta que, sem a vacinação, surtos podem se espalhar rapidamente, especialmente em comunidades com baixa cobertura.
O que está sendo feito para reverter o cenário?
A Unicef e a OMS lançaram a campanha "The Big Catch-Up" em 2023, com o objetivo de recuperar as crianças que perderam doses durante a pandemia. A iniciativa já alcançou 45 milhões de crianças em 80 países, mas o ritmo precisa acelerar.
No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) realiza buscas ativas em áreas de baixa cobertura e promove campanhas de vacinação em escolas. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante o direito à saúde, e a vacinação é obrigatória para crianças menores de 1 ano.
O papel da família e da comunidade
Os pais e responsáveis têm um papel central na proteção das crianças. Manter a caderneta de vacinação atualizada é o primeiro passo. As vacinas estão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde do SUS. Em caso de dúvidas, o ideal é buscar informações em fontes oficiais, como o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
A desinformação é um dos maiores inimigos da vacinação. A Unicef recomenda que famílias conversem com profissionais de saúde para esclarecer mitos sobre vacinas, como a falsa associação com autismo ou alergias.
Perguntas Frequentes
Quantas crianças não tomaram vacina em 2024?
Segundo a Unicef e a OMS, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2024.
Qual a vacina mais importante no primeiro ano?
Todas as vacinas do calendário básico são essenciais, mas a BCG (contra tuberculose), a hepatite B, a pentavalente e a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) são prioridade nos primeiros 12 meses.
O que causa a queda na vacinação?
Conflitos, deslocamentos, desinformação e sistemas de saúde frágeis são os principais fatores apontados pela Unicef.
Como saber se meu filho está com as vacinas em dia?
Basta levar a caderneta de vacinação a qualquer posto de saúde do SUS. O profissional de saúde verificará o calendário e aplicará as doses em atraso.
A vacina é obrigatória no Brasil?
Sim. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a vacinação obrigatória para crianças menores de 1 ano, salvo contraindicação médica comprovada.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.