Saúde mental após perda gestacional exige atenção
Aos 32 anos, Kalyane Ribeiro enfrentou uma perda gestacional precoce e encontrou acolhimento em comunidades online. Especialistas alertam: o cuidado com a saúde mental nesse momento ainda é negligenciado. Entenda os sinais e como buscar ajuda.
Resumo rápido
- Aos 32 anos, Kalyane Ribeiro enfrentou uma perda gestacional precoce e encontrou acolhimento em comunidades online.
- Especialistas alertam: o cuidado com a saúde mental nesse momento ainda é negligenciado.
- Entenda os sinais e como buscar ajuda.
Kalyane Ribeiro, hoje com 34 anos e vivendo em Campinas, lembra do momento em que, aos 32, após um ano e meio de tentativas, passou por uma perda gestacional precoce. "Parece que a gente abre uma porta para um lugar com poucas pessoas dentro", descreve. A saúde mental após perda gestacional ainda é negligenciada, alerta a Febrasgo, neste Setembro Amarelo.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil reforçam que o luto é um processo que exige acolhimento. O obstetra Romulo Negrini, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo, explica que "independentemente da idade gestacional, a perda pode provocar tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda do interesse pelas atividades do dia a dia". Sofrer intensamente é uma reação humana esperada, não significando, por si só, uma doença psiquiátrica.
Entre 15% e 20% das gestações não evoluem, segundo o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, professor da Unifesp e integrante da comissão da Febrasgo. Para ele, é fundamental que a mulher não passe por isso sozinha. A psiquiatra Andréa Cristina Galastri, professora do Idomed, acrescenta que as alterações hormonais, que duram cerca de 15 dias, também impactam a saúde mental. "O sofrimento é esperado e é natural. Mas a paralisia da vida, não", afirma.
Quando o quadro persiste, com ansiedade, depressão e sensação de fracasso, a indicação é psicoterapia e medicação. Kalyane encontrou forças em comunidades online, onde mulheres trocam experiências. Desses encontros, surgiu o livro "Ainda me Sinto Mãe". Quem precisa de apoio pode buscar o CVV, pelo telefone 188, com atendimento gratuito e sigiloso 24 horas.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.