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Acesso à saúde reduz histórias de perdas em comunidade do Amazonas

ResumoComunidade rural de Carauari, no Amazonas, enfrenta dificuldades históricas de acesso à saúde devido à distância até a cidade. Lanchas e Unidades Básicas de Saúde fluviais reduzem perdas familiares e transformam a realidade local. O serviço fluvial amplia atendimento médico e diminui histórias de sofrimento na zona rural.

Moradores da zona rural de Carauari, no Amazonas, ainda sofrem com a distância até a cidade para atendimento médico. Histórias de perdas marcam famílias, mas o acesso à saúde, por lanchas e UBS fluviais, começa a mudar essa realidade.

Escrito por Antônio Carlos Drummond · Atualizado em 27 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Moradores da zona rural de Carauari, no Amazonas, ainda sofrem com a distância até a cidade para atendimento médico.
  • Histórias de perdas marcam famílias, mas o acesso à saúde, por lanchas e UBS fluviais, começa a mudar essa realidade.
Acesso à saúde reduz histórias de perdas em comunidade do Amazonas

Acesso à saúde reduz histórias de perdas em comunidade do Amazonas

O acesso à saúde na zona rural de Carauari, no Amazonas, reduziu histórias de perdas com a instalação de lanchas de resgate pela prefeitura nos anos 90. Antes, mortes por falta de atendimento eram comuns. Hoje, o serviço custa entre R$ 40 mil e R$ 45 mil mensais e atende emergências, mas a distância ainda é um desafio.

Quando a distância vira sentença

Eu ouvi, durante uma expedição de dez dias pela Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, relatos que me fizeram pensar no preço que se paga por viver onde a floresta ainda é senhora. Francisco Solivan Peres de Araújo, presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva (Amaru), perdeu a mãe quando tinha 2 anos. Ela faleceu durante o parto da irmã dele. "Deu uma hemorragia. Na época, não tinha possibilidade nenhuma de chegar na cidade", contou.

Carauari é um dos maiores municípios do Brasil, com mais de 25,7 mil quilômetros de área. Banhado pelo Rio Juruá, ir da zona rural à urbana pode levar horas ou dias de barco, dependendo da época - na seca, o percurso se alonga ainda mais.

A lancha que não chegou a tempo

Adriana da Silva e Silva, da comunidade São José do Nachiqui, foi picada por uma cobra em janeiro de 2019. Chamou o resgate, mas a lancha não estava disponível. "Demorou mais de 24 horas para chegar o atendimento. Quando me desloquei até a cidade, minha perna inchou muito. Para não perder a perna, fizeram quatro cirurgias", lembra. Hoje, ela enfrenta sequelas: perde o tato ao andar e tem dificuldade para esticar ou encolher a perna.

O irmão que esperou uma semana

Raimundo Viana da Cunha, ex-morador da comunidade Mandioca e hoje colaborador do ICMBio, carrega outra tragédia. Em 1994, seu irmão adoeceu. Sem apoio do governo, a família dependia de regatões - comerciantes ambulantes que navegam pelos rios. O irmão esperou uma semana doente sem barco passar. Quando conseguiu carona, o regatão priorizou vender mercadorias. "Depois de duas semanas, ele foi atendido e veio a óbito", conta Raimundo, que até hoje não sabe a causa da morte.

O que mudou?

Até os anos 90, essas histórias eram ainda mais comuns. Foi quando a prefeitura instalou um sistema de lanchas de resgate para emergências. O serviço custa entre R$ 40 mil e R$ 45 mil mensais, segundo o secretário de saúde de Carauari, Manoel Brito. Há também Unidades Básicas de Saúde (UBS) fluviais, mas, pelo alto custo, elas só atendem de forma eventual.

"A prefeitura sozinha não consegue instalar UBS por todas as comunidades. A arrecadação do município não comporta", explicou Brito. Carauari tem cerca de 28 mil habitantes e orçamento estimado em R$ 142 milhões para 2026.

O desafio de não abandonar o território

Para os ribeirinhos, estar mais perto da cidade significaria melhor atendimento, mas também afastaria as famílias de seu trabalho tradicional: o extrativismo e a agricultura familiar. A RDS Uacari tem 633 km de extensão, 31 comunidades e mais de 409 famílias, que vivem do manejo do pirarucu, do látex da seringa e de oleaginosas como andiroba e açaí.

"O ideal é que a saúde estivesse mais próxima, sem precisar deixar o território", defendem. O Ministério da Saúde reconheceu a importância de parcerias com organizações da sociedade civil para isso.

Perguntas Frequentes

Como funciona o resgate por lanchas em Carauari?

A prefeitura mantém lanchas de resgate para emergências, com custo mensal entre R$ 40 mil e R$ 45 mil. O serviço atende comunidades ribeirinhas, mas a distância ainda causa demoras.

Quantas comunidades existem na RDS Uacari?

São 31 comunidades, com mais de 409 famílias, que vivem de extrativismo e agricultura familiar.

Qual a população de Carauari?

Cerca de 28 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE.

Quais são as principais causas de morte na região?

A falta de atendimento médico, especialmente antes dos anos 90, quando não havia lanchas de resgate.

O que está sendo feito para melhorar o acesso à saúde?

A prefeitura oferece lanchas de resgate e UBS fluviais, e busca parcerias com o terceiro setor, conforme o Ministério da Saúde.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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