Álcool e cigarro podem causar cegueira, diz CBO
O consumo crônico de álcool e tabaco pode comprometer a energia das células da visão e evoluir para cegueira, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia. A perda costuma ser lenta, indolor e nos dois olhos ao mesmo tempo.
Resumo rápido
- O consumo crônico de álcool e tabaco pode comprometer a energia das células da visão e evoluir para cegueira, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
- A perda costuma ser lenta, indolor e nos dois olhos ao mesmo tempo.
O consumo crônico de álcool e de tabaco pode provocar colapso na produção de energia das células responsáveis pela visão, com danos graves e até cegueira. O alerta é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que reúne a informação em panorama inédito sobre a neuro-oftalmologia, subespecialidade que une oftalmologia e neurologia.
A perda visual nas neuropatias ópticas tóxicas e carenciais, grupo em que entram os efeitos do uso crônico de álcool e tabaco, é lenta, indolor e atinge os dois olhos simultaneamente, o que retarda a percepção do paciente. Quem é acometido relata um borrão no campo central da visão, enquanto a periferia permanece preservada. As cores desbotam, e o vermelho assume aspecto de rosa lavado.
O CBO explica que o olho é a única parte do corpo que permite ao médico enxergar, sem instrumentos ou procedimentos invasivos, o que se passa no sistema nervoso central. O canal é o nervo óptico, descrito pela entidade como extensão direta do cérebro. Por isso, uma queixa visual pode ser o primeiro sinal de doença neurológica importante e potencialmente tratável.
Metanol: sintomas em até 24 horas
No caso do metanol, a ingestão, normalmente por meio de bebidas adulteradas, causa problemas por onde passa no trajeto que liga a retina ao córtex cerebral, levando ao adoecimento e à perda de visão. Segundo o CBO, os sintomas costumam surgir entre seis e 24 horas após o consumo e incluem visão turva, fotofobia, pupilas dilatadas e perda da visão de cores. O quadro pode evoluir para cegueira irreversível, convulsões e coma.
A entidade orienta avaliação médica especializada rápida diante de perda de qualidade visual súbita, visão dupla que desaparece ao cobrir um dos olhos, pálpebra caída que piora ao longo do dia, dores ao movimentar o globo ocular e dores de cabeça persistentes com escurecimentos da visão ao levantar-se.
O exame mais subestimado
De acordo com o CBO, o exame mais poderoso e subestimado da neuro-oftalmologia é a anamnese, conversa simples entre médico e paciente que, bem conduzida, leva ao diagnóstico correto em 90% dos casos. Restrições alimentares, cirurgia bariátrica prévia, uso de medicamentos tóxicos, histórico familiar e padrão de consumo de álcool e tabaco entram nessa investigação.
Na sequência vêm exames clínicos (pupilas, visão das cores, campo visual, movimentos oculares e fundo do olho) e complementares, como a tomografia de coerência óptica (OCT), que mede a espessura das fibras nervosas em micrômetros e detecta a perda antes que o paciente a perceba. Também entram ressonância magnética, dosagem de vitamina B12 e testes eletrofisiológicos da visão.
Nas neuropatias tóxicas, a conduta é a suspensão imediata do agente, seja medicamento, álcool ou tabaco. Nas carenciais, a recomendação é reposição rápida de vitaminas. Na intoxicação aguda por metanol, o tratamento é de emergência e envolve antídotos, correção da acidose e até diálise que, se iniciada a tempo, pode preservar a visão. Para o restante do espectro de doenças neurológicas que afetam a visão, o CBO cita corticoide em altas doses e plasmaférese nas neurites, além de radioterapia, cirurgia e terapias-alvo nas compressões tumorais.
As informações constam da publicação Neuro-Oftalmologia, lançada durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador, e organizada pelos oftalmologistas Eric Pinheiro de Andrade, Leonardo Provetti Cunha e Mário Luiz Monteiro.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.