Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional
Pesquisadores da UFRJ descobriram que mulheres com histórico de cesárea têm 45% mais risco de desenvolver câncer de placenta após mola gestacional. O estudo analisou dados de 2.904 pacientes e controlou outros fatores de risco.
Resumo rápido
- Pesquisadores da UFRJ descobriram que mulheres com histórico de cesárea têm 45% mais risco de desenvolver câncer de placenta após mola gestacional.
- O estudo analisou dados de 2.904 pacientes e controlou outros fatores de risco.
Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional
Sim, a cesárea aumenta o risco de câncer de placenta após mola gestacional. Um estudo liderado por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou que mulheres com histórico de cesárea têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer que surge a partir de células da placenta e cresce no útero.
O que é a neoplasia trofoblástica gestacional?
A neoplasia trofoblástica é a consequência mais grave da doença trofoblástica, conhecida como mola gestacional. Ela ocorre quando a fertilização anormal entre óvulos e espermatozoides dá origem a uma estrutura placentária anômala, algumas vezes sem feto (mola completa), outras com um feto inviável (mola parcial).
Em até 20% dos casos, células da mola gestacional se alojam no útero e evoluem para o câncer de placenta. No Brasil, a incidência de doença trofoblástica é de um caso a cada 200 a 400 gestantes, com cerca de 2,9 mil registros de neoplasia por ano.
Como o estudo foi conduzido?
A pesquisa foi feita em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Foram analisados dados de 2.904 pacientes atendidas lá e no hospital da UFRJ, entre 2002 e 2022, sendo 83,9% sem histórico de cesárea e 468 com ao menos uma cirurgia do tipo.
Entre as mulheres que já tinham sido submetidas à cesariana, 26,5% desenvolveram o câncer, contra 20,8% daquelas que não tinham esse histórico. Todos os outros fatores que pudessem contribuir para esse resultado foram controlados, mostrando que a cirurgia prévia aumenta o risco de forma independente, conforme explica a líder da pesquisa, Gabriela Paiva.
Por que a cesárea aumenta o risco?
A principal hipótese dos pesquisadores é que o corte do útero, feito durante a cesariana, desregule o sistema imunológico da mulher, além de obrigar o remodelamento dos vasos sanguíneos e causar fibrose. "A cicatriz da cesárea é uma área frágil dentro do útero. Então, é como se fosse uma porta de entrada para a mola, que acaba tendo mais poder de invasão para entrar no útero e levar ao câncer", complementa Gabriela Paiva.
Qual a importância para o Brasil?
O coordenador do ambulatório e orientador do trabalho, Antônio Braga, destaca que o Brasil lidera as taxas mundiais de cesárea. Enquanto a Organização Mundial da Saúde preconiza que 15% dos nascimentos devem ocorrer por via cirúrgica, essa proporção chega a 55% no país. O estudo estima que uma redução de 20 pontos percentuais na taxa de cesarianas do país, chegando a 35%, poderia evitar aproximadamente 177 casos de câncer por ano, uma redução de 6,1% na incidência anual estimada da doença.
Recomendações dos pesquisadores
Apesar da força da correlação, os pesquisadores não recomendam que as mulheres com histórico de cesariana passem por um tratamento mais agressivo caso desenvolvam a neoplasia. A principal recomendação é que elas sejam acompanhadas com maior vigilância desde o diagnóstico da mola. Atualmente, a conduta nos casos de câncer envolve o esvaziamento do útero por aspiração, sessões de quimioterapia e o monitoramento do hormônio HCG. A histerectomia, cirurgia de retirada do útero, só é recomendada em casos específicos.
Perguntas Frequentes
O que é mola gestacional?
É uma doença trofoblástica que ocorre quando a fertilização anormal dá origem a uma estrutura placentária anômala, algumas vezes sem feto (mola completa) ou com feto inviável (mola parcial).
Quais são os fatores de risco conhecidos para neoplasia trofoblástica?
Já se sabia que o risco é maior em casos de mola completa, em pacientes com mais de 40 anos, em mulheres com níveis muito elevados do hormônio HCG ou que já tenham vivido episódios anteriores de mola completa e cistos nos ovários.
A cesárea é o único fator de risco para esse câncer?
Não. Além da cesárea, outros fatores como idade acima de 40 anos, níveis elevados de HCG e histórico de mola completa também aumentam o risco.
O que fazer se eu tive cesárea e desenvolvi mola gestacional?
A recomendação dos pesquisadores é que você seja acompanhada com maior vigilância desde o diagnóstico da mola, mas sem necessidade de tratamento mais agressivo.
Quantos casos de câncer de placenta ocorrem por ano no Brasil?
Cerca de 2,9 mil registros de neoplasia trofoblástica gestacional ocorrem por ano no país.
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Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.