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Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços, alerta Unaids

ResumoO relatório Unaids de 2025 registra as menores taxas globais de novas infecções por HIV e mortes por aids. A queda de 23% nos recursos do principal programa de assistência a países de baixa renda ameaça os avanços conquistados. O Brasil está entre os 21 países com aumento de casos, evidenciando a fragilidade do progresso.

Relatório do Unaids mostra que novas infecções por HIV e mortes por aids caíram aos menores níveis globais em 2025. No entanto, a queda de 23% nos recursos do principal programa de assistência a países de baixa renda ameaça os avanços. O Brasil está entre os 21 países com aumento

Escrito por Roberto Vidal · Atualizado em 28 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Relatório do Unaids mostra que novas infecções por HIV e mortes por aids caíram aos menores níveis globais em 2025.
  • No entanto, a queda de 23% nos recursos do principal programa de assistência a países de baixa renda ameaça os avanços.
  • O Brasil está entre os 21 países com aumento
Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços, alerta Unaids

Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços, alerta Unaids

Em 2025, as novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids atingiram os menores níveis globais já registrados, segundo relatórios divulgados na segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids). No entanto, a organização alerta que o avanço está ameaçado pela queda do financiamento para ações de prevenção e tratamento.

Foram registradas 1,2 milhão de novas infecções pelo HIV em todo o mundo, uma redução de cerca de 40% desde 2010. Já o número de mortes por aids no ano passado chegou a 570 mil. Apesar da melhora global, o número de novos casos cresceu em 21 países e três regiões. O Brasil está entre esses países, e, segundo o Unaids, aumentou o acesso a remédios de prevenção em 41% em resposta a esse aumento.

O que dizem os dados globais sobre HIV e aids em 2025

Os números representam o menor patamar desde o início da epidemia. A redução de 40% nas novas infecções desde 2010 mostra o impacto de décadas de investimento em prevenção e tratamento. Mas a queda de 23% nos recursos do Overseas Development Assistance (ODA), principal programa de assistência a países de baixa renda, afeta fortemente os programas de HIV. Alguns países africanos dependem desses recursos para mais de 90% das ações relacionadas à epidemia.

Isso impacta a oferta de novas tecnologias de prevenção e também o tratamento de pessoas já infectadas. Em 2025, uma a cada cinco pessoas vivendo com HIV no mundo não estava em tratamento, proporção que sobe para quase metade entre as crianças.

O papel da PrEP injetável e o alerta da diretora-executiva do Unaids

A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, ressaltou que o fim da epidemia de aids já não é mais apenas uma aspiração, mas um feito alcançável, graças às inovações científicas, especialmente a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, que pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses. "Essa é uma das maiores oportunidades que nós temos de acabar com a epidemia. Mas avanços científicos isolados não vão acabar com a aids. Inovação sem acesso não é inovação, e, sim, injustiça. Esses medicamentos continuam fora de alcance para a maioria das pessoas que precisam deles", enfatizou.

O Unaids estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à PrEP injetável de longa duração para que o mundo consiga alcançar a nova meta de acabar com a aids como ameaça de saúde pública até 2030. O compromisso foi firmado pelos países-membros das Nações Unidas há algumas semanas. "Isso significa preços acessíveis, competição via genéricos, fabricação regional, transferência de tecnologia, rápida introdução dentro dos programas nacionais", ressalvou Winnie.

A meta de 2030 e os desafios políticos

"A ciência fez o seu trabalho, agora, a política precisa fazer o dela. A pergunta não é mais se a gente consegue acabar com a aids, e, sim, se nós escolheremos acabar com a aids. Se isso for realmente implementado, podemos prevenir 3,2 milhões de novas infecções, e 1,3 milhão de mortes relacionadas à aids", complementou a diretora-geral do Unaids. O primeiro passo para isso é a recomposição dos investimentos globais no tratamento e na prevenção do HIV, defende o programa das Nações Unidas.

Discriminação e criminalização como barreiras ao acesso

Outro aspecto destacado pelo Unaids é o recrudescimento da discriminação contra pessoas LGBTI+ e populações vulneráveis, como trabalhadores sexuais e usuários de entorpecentes. Pela primeira vez, a criminalização de pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo aumentou em 2025 ao invés de diminuir, chegando a 66 países. A organização também identificou 14 países que criminalizam pessoas trans, além de 168 países onde diferentes aspectos do trabalho sexual são proibidos, e 152 que punem a posse de pequenas quantidades de drogas.

"Quando as pessoas temem a prisão, a violência, a discriminação, o estigma, elas evitam os serviços de saúde. O HIV se espalha quando direitos são negados. Os direitos humanos não estão separados da resposta ao HIV, eles são a resposta ao HIV", destacou a diretora-executiva do Unaids.

Conferência Internacional de Aids no Rio de Janeiro

O relatório foi divulgado antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, maior evento global sobre a doença, que começou nesta segunda-feira (27) no Rio de Janeiro. Esta é a primeira edição da conferência no Brasil.

Perguntas Frequentes

Quantas novas infecções por HIV foram registradas em 2025?

Foram 1,2 milhão de novas infecções, uma redução de cerca de 40% desde 2010.

Quantas mortes por aids ocorreram em 2025?

O número de mortes por aids no ano passado chegou a 570 mil.

O que ameaça os avanços contra o HIV?

A queda de 23% nos recursos do Overseas Development Assistance (ODA) ameaça programas de prevenção e tratamento, principalmente em países africanos.

O que é a PrEP injetável?

É a profilaxia pré-exposição injetável, que pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses. O Unaids estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso a ela.

Quantos países criminalizam pessoas LGBTQIA+?

Em 2025, 66 países criminalizam pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo, e 14 criminalizam pessoas trans.

Onde acontece a 26ª Conferência Internacional de Aids?

O evento começou em 27 de julho de 2026 no Rio de Janeiro, sendo a primeira edição no Brasil.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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