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Remédio injetável que previne HIV pode entrar no SUS até o fim do ano

ResumoO cabotegravir, medicamento injetável de prevenção ao HIV, pode ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) até o final de 2026. O pedido de inclusão será submetido à Conitec na próxima semana. O ministro Alexandre Padilha negocia o preço com a farmacêutica GSK para viabilizar a oferta da aplicação a cada dois meses.

O SUS pode oferecer ainda em 2026 uma nova PreP injetável contra o HIV: o cabotegravir, aplicado a cada dois meses. O pedido de inclusão será enviado à Conitec na próxima semana. O ministro Alexandre Padilha negocia o preço com a GSK, produtora do medicamento, e afirma que a empr

Escrito por Dra. Fernanda Liberato · Atualizado em 28 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • O SUS pode oferecer ainda em 2026 uma nova PreP injetável contra o HIV: o cabotegravir, aplicado a cada dois meses.
  • O pedido de inclusão será enviado à Conitec na próxima semana.
  • O ministro Alexandre Padilha negocia o preço com a GSK, produtora do medicamento, e afirma que a empr
Remédio injetável que previne HIV pode entrar no SUS até o fim do ano

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode passar a oferecer ainda em 2026 uma nova forma de prevenção ao HIV: a profilaxia pré-exposição (PreP) injetável. O medicamento é o cabotegravir, que impede a replicação do vírus de forma prolongada e pode ser aplicado a cada dois meses. O pedido de inclusão será encaminhado pelo Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) na próxima semana. A Conitec é um colegiado independente que avalia o custo-benefício de novos tratamentos antes de incluí-los no rol do SUS. A comissão pode recomendar ou não a inclusão, mas a decisão final cabe ao Ministério.

Como funciona o cabotegravir, a PreP injetável

Diferente da PreP oral, que exige um comprimido diário, o cabotegravir é administrado por injeção a cada dois meses. Essa frequência reduzida é apontada como a principal vantagem sobre a versão em comprimidos, já que a adesão ao tratamento tende a ser maior. Um estudo da Fiocruz, feito com 1,4 mil pessoas em seis cidades brasileiras, mostrou que 83% delas preferiram a injeção. Além disso, 94% dos participantes compareceram ao serviço de saúde para tomar as injeções no prazo correto, o que garantiu proteção contínua. Nenhum deles foi infectado pelo HIV durante o estudo.

Outro estudo de vida real, divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK, que desenvolveram o medicamento, demonstrou alta eficácia, com taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%.

Negociação de preço e o papel da Conitec

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo ainda negocia com a farmacêutica GSK o custo final do cabotegravir e a quantidade de doses a serem compradas. Segundo Padilha, a empresa fez uma oferta com "preço adequado". "Nós vemos com muita esperança as novas tecnologias de proteção prolongada, mas exigimos que elas sejam oferecidas, sobretudo aos sistemas nacionais de saúde, com os preços adequados, não preços estratosféricos", declarou o ministro em coletiva de imprensa antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.

Por que o governo não escolheu o lenacapavir?

Um outro medicamento, o lenacapavir, concede proteção ainda mais prolongada, por seis meses, mas foi ofertado por um valor considerado inviável pelo governo. "Mesmo o Brasil se dispondo a pagar até 10 vezes o valor que foi oferecido a países similares ao nosso, como Indonésia e Tailândia, a indústria ainda disse que não pode oferecer para o sistema nacional público com esse valor. Então nós não pagaremos. Não vamos drenar o recurso dos impostos dos cidadãos brasileiros pelo interesse de lucro de uma empresa", disse Padilha.

Apesar de o Brasil ter sido um dos países onde o lenacapavir foi testado, o país ficou de fora do acordo de licenciamento voluntário assinado pela farmacêutica Gilead, que autorizou seis empresas a produzirem versões genéricas para 120 países. A medida foi criticada por participantes da Conferência, incluindo o Unaids, que defende que o acesso ao medicamento seja ampliado mundialmente, por considerá-lo peça central para o fim da epidemia de Aids.

Em nota, a Gilead declarou que compartilha a urgência de ampliar o acesso ao lenacapavir na América Latina e no Caribe, mas que, para países como o Brasil, continua buscando "caminhos sustentáveis de acesso de longo prazo". A farmacêutica também assinou um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para explorar potenciais oportunidades de transferência de tecnologia.

PreP oral já é oferecida pelo SUS

O SUS já disponibiliza a PreP oral, em comprimidos tomados diariamente. Mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso a essa versão, que também tem eficácia comprovada. A principal diferença para a versão injetável está na adesão: com a injeção a cada dois meses, o risco de esquecimento é menor.

Perguntas Frequentes

Quando o cabotegravir pode começar a ser oferecido no SUS?

O pedido de inclusão será enviado à Conitec na próxima semana. Se aprovado, o medicamento pode começar a ser oferecido ainda em 2026.

Qual a diferença entre a PreP oral e a injetável?

A PreP oral exige um comprimido diário, enquanto a injetável é aplicada a cada dois meses, o que facilita a adesão ao tratamento.

O cabotegravir é eficaz contra o HIV?

Sim. Estudos demonstram alta eficácia. Um estudo de vida real mostrou taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1% entre os usuários.

Por que o governo não escolheu o lenacapavir?

O preço ofertado pela farmacêutica Gilead foi considerado inviável para o sistema público de saúde, mesmo com o Brasil disposto a pagar até 10 vezes o valor oferecido a países como Indonésia e Tailândia.

O que é a Conitec?

A Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS é um colegiado independente que avalia o custo-benefício de novos tratamentos antes de recomendá-los ou não para inclusão no sistema público.

Quem desenvolveu o cabotegravir?

O medicamento foi desenvolvido pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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