Saiba como cientistas curaram pacientes infectados com HIV: remissão por transplante
Dois novos casos de remissão do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Saiba como o transplante de células-tronco com mutação CCR5 delta32 pode levar à remissão do vírus, os desafios e o que ainda falta para uma cura definitiva.
Resumo rápido
- Dois novos casos de remissão do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro.
- Saiba como o transplante de células-tronco com mutação CCR5 delta32 pode levar à remissão do vírus, os desafios e o que ainda falta para uma cura definitiva.
Saiba como cientistas curaram pacientes infectados com HIV
Cientistas anunciaram dois novos casos de remissão do HIV durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Com esses casos, sobe para 13 o número de pacientes infectados com HIV que não tiveram vírus detectados no sangue após transplante de células-tronco.
O que é a remissão do HIV e como ela funciona?
A remissão significa que, mesmo após a interrupção dos antirretrovirais, o HIV não é detectado no organismo. Isso não é o mesmo que cura, pois não há garantia de que o vírus não retorne. O mecanismo envolve o transplante de células-tronco hematopoiéticas de doadores com uma mutação genética rara.
O papel da mutação CCR5 delta32
O HIV entra nos linfócitos T CD4+ conectando-se a moléculas na membrana, incluindo o correceptor CCR5. Doadores com a mutação CCR5 delta32 produzem uma versão modificada desse correceptor, impedindo a ligação do vírus. Sem entrar na célula, o HIV não se replica. Com o transplante, o paciente ganha células que produzem essa versão resistente, tornando as novas CD4+ potencialmente resistentes ao HIV.
Os dois novos casos: paciente de Kansas City e paciente de Essen
O paciente de Kansas City, nos Estados Unidos, descobriu aos 21 anos que tinha HIV e leucemia mieloide aguda. O paciente de Essen, na Alemanha, estava infectado por dois tipos de HIV e pelo vírus da hepatite B (HBV). Ambos receberam transplantes de células-tronco de doadores com a mutação CCR5 delta32.
Resultados após a interrupção dos antirretrovirais
A terapia antirretroviral foi interrompida para avaliar a resposta. No paciente de Kansas City, passaram-se 14 meses sem detecção do HIV. No de Essen, foram 12 meses. No entanto, houve recidiva do vírus da hepatite B, indicando que o tratamento não eliminou todas as infecções.
Limitações e o que ainda falta para a cura
A mutação CCR5 delta32 em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo muito rara. A pesquisadora Carina Elsner, responsável pelo estudo com o paciente de Essen, questiona se a mutação é realmente a chave para a remissão de longo prazo. Wissam El Atrouni, responsável pela pesquisa com o paciente de Kansas City, afirma que é necessário acompanhamento contínuo com testes mensais.
O caso histórico do paciente de Berlim
O primeiro paciente considerado curado do HIV, Timothy Ray Brown (paciente de Berlim), recebeu o transplante em 2007 e viveu livre do HIV até 2020, quando morreu de leucemia, a doença que motivou o transplante.
Por que a remissão não é o mesmo que cura?
Os estudos concluíram que houve remissão, mas não é possível afirmar se a infecção retornará depois de algum tempo. O termo "cura" é usado com cautela pela comunidade científica, pois o HIV pode permanecer latente em reservatórios do corpo.
Perguntas Frequentes
A remissão do HIV é uma cura definitiva?
Não. Remissão significa que o vírus não é detectado no sangue, mas pode retornar. O acompanhamento contínuo é necessário.
Quem pode se beneficiar desse tratamento?
Atualmente, o transplante de células-tronco é indicado principalmente para pacientes com câncer no sangue, como leucemia, que também têm HIV. A mutação CCR5 delta32 é rara.
O tratamento está disponível no Brasil?
A técnica ainda é experimental e restrita a pesquisas. Não há previsão de uso em larga escala.
Qual a diferença entre remissão e cura funcional?
Remissão é a ausência de vírus detectável por um período. Cura funcional seria a eliminação completa do HIV do organismo, o que ainda não foi comprovado.
O que é a mutação CCR5 delta32?
É uma alteração genética que impede a entrada do HIV nas células CD4+. Cerca de 10% dos europeus do norte têm a mutação em homozigose, sendo rara em outras populações.
O paciente de Kansas City ainda está em remissão?
Sim, após 14 meses sem detecção do HIV, os pesquisadores continuam o acompanhamento com testes mensais.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.