Prevencao

SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

ResumoA Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produção nacional do dolutegravir, principal antirretroviral contra o HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento é utilizado por mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV no Brasil. O início do fornecimento depende exclusivamente da liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no SUS. Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento. O início do fornecimento depende apenas da liberação da Anvisa.

Escrito por Antônio Carlos Drummond · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no SUS.
  • Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento.
  • O início do fornecimento depende apenas da liberação da Anvisa.
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV: o que isso significa na prática

Eu estava na sala de espera de um ambulatório no Rio, no começo dos anos 2000, quando um senhor de cabelos grisalhos me disse: "A gente não morre mais disso, mas ainda depende de vir buscar o remédio todo mês." Ele falava do coquetel antiretroviral, na época um conjunto de comprimidos que exigia disciplina de horário e vinha de fora. Duas décadas depois, o cenário mudou de forma silenciosa e concreta.

A Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, o principal medicamento usado no tratamento do HIV no Brasil. O remédio é distribuído gratuitamente pelo SUS. Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso dele no país.

O dolutegravir age inibindo a enzima integrase do vírus, o que impede sua replicação dentro das células de defesa. Com isso, a carga viral cai a níveis indetectáveis, a imunidade melhora e a progressão para a AIDS é interrompida. E com poucos efeitos colaterais, segundo a fonte.

Como o SUS conseguiu nacionalizar a produção do dolutegravir

O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com Farmanguinhos, da Fiocruz, para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS.

Desde então, Farmanguinhos vem investindo na adaptação de sua planta fabril, na aquisição de novos equipamentos, na capacitação de profissionais e na estruturação técnica, regulatória e operacional para garantir a internalização da produção. Esse processo acaba de ser concluído.

O início do fornecimento ao SUS depende agora apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos assim que o órgão regulador expedir a autorização.

O que já mudou na distribuição desde 2022

Desde 2022, Farmanguinhos já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública dessa forma. Em 2025, o instituto também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

Paralelamente, Farmanguinhos trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo, etapa essencial para garantir a qualidade do produto final fabricado no Brasil.

O que vem por aí: a combinação com lamivudina

O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem, em 2027.

Essa combinação simplifica ainda mais o tratamento, reduzindo o número de comprimidos diários e facilitando a adesão dos pacientes.

Por que o dolutegravir é o principal remédio contra o HIV

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o dolutegravir como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.

O medicamento é considerado altamente eficaz, com poucos efeitos colaterais e boa tolerância. Ele substituiu progressivamente outros antiretrovirais mais antigos, que exigiam maior número de comprimidos e causavam mais reações adversas.

Para quem vive com HIV no Brasil, a nacionalização da produção representa segurança no abastecimento e redução da dependência de importações. O SUS, que já distribui o dolutegravir gratuitamente, agora terá o medicamento produzido integralmente no país.

Perguntas Frequentes

Como funciona o tratamento com dolutegravir?

O dolutegravir inibe a enzima integrase do HIV, impedindo a replicação do vírus. Com uso regular, a carga viral cai a níveis indetectáveis, a imunidade melhora e a progressão para a AIDS é interrompida.

Quantas pessoas usam dolutegravir no SUS?

Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no Brasil, segundo dados da própria fonte.

Quando começa a produção nacional do dolutegravir?

A transferência de tecnologia foi concluída. O início do fornecimento ao SUS depende da liberação da Anvisa. Três lotes já foram fabricados e validados.

O que é Farmanguinhos?

Farmanguinhos é o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz, responsável pela produção de medicamentos para o SUS.

Dolutegravir é seguro para grávidas?

Sim. Desde 2019, a OMS recomenda o dolutegravir como opção preferencial para todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.

Fiocruz e a produção de medicamentos para o SUS Como funciona a transferência de tecnologia na saúde pública

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

Leia também

Publicidade