SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no SUS. Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento. O início do fornecimento depende apenas da liberação da Anvisa.
Resumo rápido
- A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no SUS.
- Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento.
- O início do fornecimento depende apenas da liberação da Anvisa.
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV: o que isso significa na prática
Eu estava na sala de espera de um ambulatório no Rio, no começo dos anos 2000, quando um senhor de cabelos grisalhos me disse: "A gente não morre mais disso, mas ainda depende de vir buscar o remédio todo mês." Ele falava do coquetel antiretroviral, na época um conjunto de comprimidos que exigia disciplina de horário e vinha de fora. Duas décadas depois, o cenário mudou de forma silenciosa e concreta.
A Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, o principal medicamento usado no tratamento do HIV no Brasil. O remédio é distribuído gratuitamente pelo SUS. Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso dele no país.
O dolutegravir age inibindo a enzima integrase do vírus, o que impede sua replicação dentro das células de defesa. Com isso, a carga viral cai a níveis indetectáveis, a imunidade melhora e a progressão para a AIDS é interrompida. E com poucos efeitos colaterais, segundo a fonte.
Como o SUS conseguiu nacionalizar a produção do dolutegravir
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com Farmanguinhos, da Fiocruz, para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS.
Desde então, Farmanguinhos vem investindo na adaptação de sua planta fabril, na aquisição de novos equipamentos, na capacitação de profissionais e na estruturação técnica, regulatória e operacional para garantir a internalização da produção. Esse processo acaba de ser concluído.
O início do fornecimento ao SUS depende agora apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos assim que o órgão regulador expedir a autorização.
O que já mudou na distribuição desde 2022
Desde 2022, Farmanguinhos já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública dessa forma. Em 2025, o instituto também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.
Paralelamente, Farmanguinhos trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo, etapa essencial para garantir a qualidade do produto final fabricado no Brasil.
O que vem por aí: a combinação com lamivudina
O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem, em 2027.
Essa combinação simplifica ainda mais o tratamento, reduzindo o número de comprimidos diários e facilitando a adesão dos pacientes.
Por que o dolutegravir é o principal remédio contra o HIV
Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o dolutegravir como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
O medicamento é considerado altamente eficaz, com poucos efeitos colaterais e boa tolerância. Ele substituiu progressivamente outros antiretrovirais mais antigos, que exigiam maior número de comprimidos e causavam mais reações adversas.
Para quem vive com HIV no Brasil, a nacionalização da produção representa segurança no abastecimento e redução da dependência de importações. O SUS, que já distribui o dolutegravir gratuitamente, agora terá o medicamento produzido integralmente no país.
Perguntas Frequentes
Como funciona o tratamento com dolutegravir?
O dolutegravir inibe a enzima integrase do HIV, impedindo a replicação do vírus. Com uso regular, a carga viral cai a níveis indetectáveis, a imunidade melhora e a progressão para a AIDS é interrompida.
Quantas pessoas usam dolutegravir no SUS?
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no Brasil, segundo dados da própria fonte.
Quando começa a produção nacional do dolutegravir?
A transferência de tecnologia foi concluída. O início do fornecimento ao SUS depende da liberação da Anvisa. Três lotes já foram fabricados e validados.
O que é Farmanguinhos?
Farmanguinhos é o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz, responsável pela produção de medicamentos para o SUS.
Dolutegravir é seguro para grávidas?
Sim. Desde 2019, a OMS recomenda o dolutegravir como opção preferencial para todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
Fiocruz e a produção de medicamentos para o SUS Como funciona a transferência de tecnologia na saúde pública
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.