Prevencao

SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

ResumoA Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal medicamento contra o HIV no SUS. O remédio, utilizado por mais de 770 mil pessoas, aguarda apenas a liberação da Anvisa para distribuição nacional. A produção nacional do dolutegravir reduz a dependência de importações e fortalece o acesso ao tratamento no sistema público de saúde.

A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no SUS. O medicamento, usado por mais de 770 mil pessoas, agora depende apenas da liberação da Anvisa para começar a ser distribuído. Veja como o processo foi feito.

Escrito por Antônio Carlos Drummond · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no SUS.
  • O medicamento, usado por mais de 770 mil pessoas, agora depende apenas da liberação da Anvisa para começar a ser distribuído.
  • Veja como o processo foi feito.
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

O SUS agora produz o principal remédio contra o HIV

Eu me lembro de um amigo que, nos anos 90, precisava tomar coquetéis pesados de antiretrovirais, com efeitos colaterais que muitas vezes pareciam piores que a própria doença. Hoje, o cenário é outro. O Sistema Único de Saúde (SUS) acaba de dar um passo importante nessa direção: a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal remédio utilizado no tratamento do HIV no Brasil, o antiretroviral dolutegravir.

Atualmente, mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no país, distribuído gratuitamente pelo SUS. A tecnologia foi desenvolvida pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV, pertencente à biofarmacêutica GSK.

Como o acordo de transferência de tecnologia foi feito

Em 2020, a ViiV Healthcare e a GSK assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), da Fiocruz, para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS. Desde então, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar seus profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional para garantir a internalização da produção.

Este processo acaba de ser concluído. O início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A produção já começou, mas depende de aprovação

Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública desta forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos para o SUS, assim que a liberação da Anvisa for expedida. Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.

O que o dolutegravir faz no organismo

Dolutegravir é um dos principais medicamentos utilizados no tratamento para HIV em todo o mundo. Ele age inibindo a enzima integrase, o que impede a replicação do vírus dentro das células de defesa do organismo. Além de ser altamente eficaz, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, ele melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.

Próximos passos: a combinação com lamivudina

O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem.

O que muda para quem vive com HIV

Para quem, como aquele meu amigo, acompanhou a evolução dos tratamentos, essa notícia representa mais do que uma simples troca de fábrica. É a garantia de que o principal remédio contra o HIV continuará sendo ofertado gratuitamente, com produção nacional, o que reduz dependência externa e pode dar mais previsibilidade ao abastecimento.

O SUS, que já distribuiu mais de 739 milhões de cápsulas do medicamento desde 2022, agora se prepara para produzir o próprio princípio ativo. A liberação da Anvisa é o último passo antes que os três lotes já validados cheguem às farmácias públicas.

Perguntas Frequentes

Quando o dolutegravir começa a ser produzido pela Fiocruz?

A produção já foi concluída e três lotes foram validados. O início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Anvisa.

Quantas pessoas usam o dolutegravir no Brasil?

Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento, distribuído gratuitamente pelo SUS.

O que é o dolutegravir?

É um antiretroviral que age inibindo a enzima integrase do HIV, impedindo a replicação do vírus. É recomendado pela OMS como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha.

A transferência de tecnologia inclui outros medicamentos?

Sim. O acordo prevê também a internalização da produção do dolutegravir em combinação com a lamivudina, com previsão de início no ano que vem.

Quem desenvolveu o dolutegravir?

O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV, pertencente à biofarmacêutica GSK.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

Leia também

Publicidade