SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no Brasil, atualmente usado por mais de 770 mil pessoas. O processo envolveu anos de investimento e depende apenas do aval da Anvisa para começar a distribuição gratuita
Resumo rápido
- A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no Brasil, atualmente usado por mais de 770 mil pessoas.
- O processo envolveu anos de investimento e depende apenas do aval da Anvisa para começar a distribuição gratuita
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
Lembro bem de quando o tratamento para HIV era sinônimo de coquetéis pesados, com dezenas de comprimidos e efeitos colaterais que tiravam o chão. Hoje, a notícia que chega é de um passo concreto rumo à autonomia nacional: a Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, o principal antirretroviral usado no SUS. Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV no Brasil dependem desse medicamento, e agora ele poderá ser fabricado em solo brasileiro.
Como funciona a nova produção do dolutegravir no SUS?
O processo começou em 2020, quando a ViiV Healthcare, empresa de pesquisa da biofarmacêutica GSK, assinou um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz. O objetivo era nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS. Desde então, Farmanguinhos investiu em adaptação da planta fabril, novos equipamentos, capacitação de profissionais e estruturação técnica, regulatória e operacional.
O que muda com a transferência de tecnologia?
A principal mudança é a independência produtiva. Até agora, desde 2022, Farmanguinhos já distribuía ao SUS os remédios fabricados nas fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas foram fornecidas dessa forma. Agora, a produção será inteiramente nacional. Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto, e o fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Quais os próximos passos para o tratamento do HIV?
O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com a lamivudina, outro formato distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece em 2025. Paralelamente, Farmanguinhos trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
Por que o dolutegravir é o principal medicamento contra o HIV?
O dolutegravir age inibindo a enzima integrase, impedindo a replicação do vírus dentro das células de defesa. É altamente eficaz: reduz a carga viral a níveis indetectáveis, melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
O que falta para o remédio chegar ao SUS?
A etapa final é a liberação da Anvisa. Farmanguinhos já fabricou e validou três lotes do medicamento. Assim que o órgão regulatório expedir o aval, a distribuição gratuita pelo SUS pode começar. A expectativa é que isso ocorra em breve, consolidando um processo que começou há seis anos.
Perguntas Frequentes
Quando o dolutegravir nacional começa a ser distribuído?
Assim que a Anvisa liberar os três lotes já fabricados e validados por Farmanguinhos.
Quantas pessoas usam o dolutegravir no Brasil?
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento atualmente.
Quem desenvolveu o dolutegravir?
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa da biofarmacêutica GSK.
O que mais está incluído no acordo de transferência?
A próxima etapa é a produção da combinação de dolutegravir com lamivudina, prevista para começar em 2025.
Fiocruz e o SUS: parceria histórica na produção de medicamentos Como funciona a transferência de tecnologia na saúde pública
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.