SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no Brasil. Mais de 770 mil pessoas usam o medicamento pelo SUS. A produção nacional depende agora de liberação da Anvisa.
Resumo rápido
- A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no Brasil.
- Mais de 770 mil pessoas usam o medicamento pelo SUS.
- A produção nacional depende agora de liberação da Anvisa.
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
Lembro de um amigo, nos anos 1990, que tomava coquetéis com efeitos colaterais brutais. Ele dizia: "um dia a gente vai tomar um comprimido só, sem sofrer". Pois esse dia chegou. O Sistema Único de Saúde (SUS) acaba de dar um passo decisivo para garantir que o principal remédio contra o HIV, o dolutegravir, seja produzido inteiramente no Brasil.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o antirretroviral dolutegravir, distribuído gratuitamente pelo SUS. Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no país.
Como o SUS conseguiu nacionalizar o principal remédio contra o HIV
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV, pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz para nacionalizar progressivamente a produção do remédio.
Desde então, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional. O processo acaba de ser concluído. O início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O que muda com a produção nacional do dolutegravir
Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.
Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos para o SUS assim que a liberação da Anvisa for expedida. Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
Dolutegravir: o que o torna o principal antirretroviral
O dolutegravir é um dos principais medicamentos utilizados no tratamento para HIV em todo o mundo. Ele age inibindo a enzima integrase, impedindo a replicação do vírus dentro das células de defesa do organismo. Além de ser altamente eficaz, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais.
Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
Próximo passo: combinação com lamivudina
O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem.
Perguntas Frequentes
Quando o remédio começa a ser distribuído?
O início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Anvisa. Três lotes já foram fabricados e validados pela Fiocruz.
Quantas pessoas usam o dolutegravir no Brasil?
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento pelo SUS.
O que é a lamivudina?
É outra substância antirretroviral que será combinada ao dolutegravir na próxima etapa da produção nacional, prevista para 2027.
Quem desenvolveu o dolutegravir?
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV, pertencente à GSK.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.