SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antiretroviral do HIV no SUS. O medicamento, usado por mais de 770 mil pessoas, agora aguarda apenas liberação da Anvisa para começar a ser fabricado no Brasil.
Resumo rápido
- A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antiretroviral do HIV no SUS.
- O medicamento, usado por mais de 770 mil pessoas, agora aguarda apenas liberação da Anvisa para começar a ser fabricado no Brasil.
O Sistema Único de Saúde (SUS) acaba de dar um passo estratégico no tratamento do HIV: a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antiretroviral distribuído gratuitamente no país. Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento atualmente.
O dolutegravir é um antiretroviral que age inibindo a enzima integrase, impedindo a replicação do vírus dentro das células de defesa. Além de reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas.
Como foi o processo de nacionalização do dolutegravir
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz para nacionalizar progressivamente a produção do remédio.
Desde então, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional. Esse processo acaba de ser concluído. O início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O que já foi produzido até agora
Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública desta forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento. Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos assim que a liberação da Anvisa for expedida. Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
Próximos passos: produção combinada com lamivudina
O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem.
O que muda para quem vive com HIV
A nacionalização do dolutegravir representa um avanço na autonomia do SUS para garantir o tratamento antiretroviral. A produção local reduz a dependência de importação e pode baratear custos a longo prazo. Para quem faz uso do medicamento, a expectativa é de continuidade no fornecimento gratuito, agora com produção nacional.
Perguntas Frequentes
O que é o dolutegravir?
É um antiretroviral que inibe a enzima integrase do HIV, impedindo a replicação do vírus. É recomendado pela OMS como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha.
Quantas pessoas usam dolutegravir no Brasil?
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento atualmente.
Quando a produção nacional começa?
Depende da liberação da Anvisa. Três lotes já foram fabricados e validados por Farmanguinhos e aguardam autorização.
O que é Farmanguinhos?
É o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz, responsável pela produção nacional do dolutegravir.
O SUS vai continuar distribuindo o remédio?
Sim. O medicamento continuará sendo distribuído gratuitamente pelo SUS, agora com produção nacional.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.