SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no SUS, usado por mais de 770 mil pessoas. O processo, iniciado em 2020 com a ViiV Healthcare, depende agora de liberação da Anvisa para início do fornecimento nacional.
Resumo rápido
- A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV no SUS, usado por mais de 770 mil pessoas.
- O processo, iniciado em 2020 com a ViiV Healthcare, depende agora de liberação da Anvisa para início do fornecimento nacional.
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
O SUS adquiriu a tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antirretroviral contra o HIV. A Fiocruz, por meio de Farmanguinhos, concluiu a transferência de tecnologia iniciada em 2020 com a ViiV Healthcare. Mais de 770 mil pessoas usam o medicamento. O fornecimento ao SUS depende de liberação da Anvisa.
Quando comecei a acompanhar a política de saúde pública brasileira, nos anos 1990, o tratamento do HIV era uma corrida contra o tempo. Hoje, ao ver a notícia de que a Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia do dolutegravir, lembro de quantos passos foram dados até aqui.
O que muda com a transferência de tecnologia do dolutegravir
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio usado no tratamento do HIV no Brasil. O medicamento é distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e atualmente é utilizado por mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV no país.
O dolutegravir foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa voltada à prevenção e tratamento do HIV, pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, a ViiV Healthcare e a GSK assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS.
Como Farmanguinhos se preparou para a produção nacional
Desde 2020, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional. Todo esse processo acaba de ser concluído. O início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública dessa forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.
Próximos passos: o que esperar da produção nacional
Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos para o SUS assim que a liberação da Anvisa for expedida. Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem.
Por que o dolutegravir é tão importante no tratamento do HIV
O dolutegravir é um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do HIV em todo o mundo. Ele age inibindo a enzima integrase, o que impede a replicação do vírus dentro das células de defesa do organismo. Além de ser altamente eficaz, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, ele melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais.
Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
O que esperar do SUS na produção de antirretrovirais
A conclusão dessa transferência de tecnologia representa um avanço na autonomia do Brasil para produzir um dos medicamentos mais essenciais no combate ao HIV. A dependência de fornecedores estrangeiros diminui, e o país ganha capacidade de garantir o abastecimento contínuo do SUS.
Para quem vive com HIV e depende do tratamento gratuito, a notícia é concreta: mais de 770 mil pessoas podem se beneficiar de uma produção nacional, com controle de qualidade feito no Brasil.
Perguntas Frequentes
O que é o dolutegravir?
É um antirretroviral usado no tratamento do HIV. Ele age inibindo a enzima integrase, impedindo a replicação do vírus.
Quantas pessoas usam o dolutegravir no SUS?
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no país.
Quando a produção nacional começa?
Depende da liberação da Anvisa. Três lotes já foram fabricados e validados por Farmanguinhos.
Quem produzia o dolutegravir antes?
Era produzido pela ViiV Healthcare, empresa da GSK. Desde 2022, Farmanguinhos já distribui os remédios produzidos nas fábricas da GSK.
O que mais está previsto na transferência de tecnologia?
A próxima etapa é a internalização da produção do dolutegravir combinado com lamivudina, prevista para o ano que vem.
O dolutegravir é seguro para gestantes?
Sim. A OMS recomenda o medicamento como opção preferencial para todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.