SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal remédio contra o HIV no Brasil, o dolutegravir. Distribuído gratuitamente pelo SUS, o medicamento atende mais de 770 mil pessoas. A produção nacional depende apenas da liberação da Anvisa.
Resumo rápido
- A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal remédio contra o HIV no Brasil, o dolutegravir.
- Distribuído gratuitamente pelo SUS, o medicamento atende mais de 770 mil pessoas.
- A produção nacional depende apenas da liberação da Anvisa.
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
Lembro bem de um encontro que tive na sala de espera de um ambulatório, anos atrás. Um senhor, pouco mais velho que eu, contava que tomava o coquetel desde os anos 1990. "Era um sacrifício", disse, com a voz cansada. "Hoje, é um comprimido só." Naquela tarde, ele não sabia, mas o Brasil estava prestes a dar mais um passo nessa história de simplificação e autonomia.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal remédio utilizado no tratamento do HIV no Brasil, o antirretroviral dolutegravir. Distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o medicamento hoje é usado por mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV no país.
Como funciona o dolutegravir?
O dolutegravir age inibindo a enzima integrase, o que impede a replicação do vírus dentro das células de defesa do organismo. Além de ser altamente eficaz, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, ele melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais.
Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
De onde vem a tecnologia?
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS.
Desde então, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar seus profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional para garantir a internalização da produção.
Quando começa a produção nacional?
O processo de transferência acaba de ser concluído. O início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos assim que a autorização for expedida.
Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
Histórico da parceria
Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública desta forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.
O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem.
O que muda para quem vive com HIV?
A produção nacional do dolutegravir representa mais autonomia para o SUS e menos dependência de importação. Para quem faz o tratamento, a principal mudança é a garantia de continuidade: o remédio continuará sendo distribuído gratuitamente, agora com produção local. A eficácia e a segurança seguem as mesmas.
Como aquele senhor da sala de espera, muitos brasileiros que vivem com HIV hoje tomam um comprimido por dia. A nacionalização do principal antirretroviral do SUS é mais um capítulo dessa história de simplificação e cuidado.
Perguntas Frequentes
Quem vai produzir o dolutegravir no Brasil?
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), vinculado à Fiocruz, será o responsável pela produção nacional do medicamento.
Quantas pessoas usam o dolutegravir no SUS?
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento atualmente no Brasil.
Quando a produção nacional começa?
A produção nacional depende apenas da liberação da Anvisa. Três lotes já foram fabricados e validados por Farmanguinhos.
O dolutegravir é seguro?
Sim. A OMS recomenda o medicamento como opção preferencial para tratamento desde 2019, inclusive para mulheres grávidas. Ele inibe a replicação do vírus com poucos efeitos colaterais.
O que mais está previsto no acordo?
O acordo inclui a internalização da produção do dolutegravir combinado com lamivudina, com previsão de início no ano que vem.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.