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Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano em 2025

ResumoO Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa melhora em relação a anos anteriores, mas permanece elevado e próximo ao registrado em 2009.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025, número que, embora represente melhora, ainda é considerado alto e próximo ao de 2009.

Escrito por Roberto Vidal · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 6 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025, número que, embora represente melhora, ainda é considerado alto e próximo ao de 2009.
Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano em 2025

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

A cobertura vacinal completa para a primeira infância ainda é uma realidade distante para 15% dos bebês em todo o mundo. É o que apontam dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). Em 2025, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, grupo chamado de crianças zero-dose. Outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo, que inclui três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

Avanço tímido, mas ainda preocupante

Segundo o estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional, os números representam um avanço em relação ao ano anterior. Em 2025, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que em 2024. O Unicef, no entanto, alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose é considerado alto, estando em patamar próximo ao observado em 2009 e abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19. O risco de surtos de doenças aumenta quando a cobertura vacinal não atinge patamares seguros.

Sarampo: a lacuna que preocupa

O programa de vacinas do Unicef destaca que o abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Enquanto 84% das crianças recebem a primeira dose, apenas 77% completam com a segunda dose (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países. A diferença entre a cobertura atual e a meta de 95% expõe milhões de crianças ao risco da doença.

O que os dados dos países mostram

O relatório compilou dados enviados pelos governos de 195 países. Desse total, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da vacina DTP desde 2019, mas apresentaram pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os países que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas ao longo dos últimos seis anos. Por outro lado, 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Crianças zero-dose em zonas de conflito

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirmou em nota Catherine Russell, diretora executiva do Unicef. O relatório aponta que mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

O paradoxo dos países estáveis

Outro desafio é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, que ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram o da cobertura da DTP1. Na África do Sul, o índice caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Na Bósnia e Herzegovina, apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.

O caso brasileiro: avanço com ressalvas

O Brasil tem ido na contramão desses países, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose, que hoje são estimadas em 50 mil no país, com melhora de cobertura e de qualidade na integração dos dados públicos. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a da ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

Financiamento sob pressão

"Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum", afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde. Segundo ela, o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes, ao mesmo tempo em que se intensificam os esforços para alcançar as crianças que ainda não têm acesso à imunização. O estudo informa que as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

O que esperar daqui para frente

A recuperação pós-pandemia é real, mas frágil. O Unicef alerta que, sem financiamento estável e sistemas de monitoramento robustos, o progresso pode ser perdido. Para o Brasil, a melhora recente é um sinal positivo, mas a falta de pesquisas independentes levanta dúvidas sobre a precisão dos dados. A manutenção de altas coberturas vacinais depende de esforços contínuos de governos, profissionais de saúde e da sociedade civil.

Perguntas Frequentes

Quantas crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025?

Em 2025, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo dados compilados pelo Unicef.

O que significa "criança zero-dose"?

O termo se refere a crianças que não receberam nenhuma dose de vacina até completar um ano de idade, ficando completamente desprotegidas contra doenças evitáveis.

Qual a vacina mais afetada pela queda na cobertura?

A vacina contra o sarampo (MCV) é uma das mais afetadas. Apenas 84% das crianças recebem a primeira dose, e 77% a segunda, enquanto o ideal é 95%.

O Brasil melhorou ou piorou na vacinação infantil?

O Brasil melhorou, com redução do número de crianças zero-dose para cerca de 50 mil e melhora na cobertura geral, exceto pela DTP-3, que ainda está em 86%.

Por que a cobertura vacinal caiu em países estáveis?

A queda ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal, como visto na África do Sul e na Bósnia e Herzegovina.

Como os cortes de financiamento afetam a vacinação?

Cortes, como os do governo dos Estados Unidos, reduzem o monitoramento e a capacidade de realizar pesquisas nacionais de imunização, essenciais para a qualidade dos dados.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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