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Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

ResumoUnicef revela que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número corresponde a 15% dos bebês do mundo e acende alerta para surtos de doenças como sarampo. A imunização precisa ser retomada para evitar riscos globais à saúde infantil.

O Unicef revela que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa 15% dos bebês do mundo e acende alerta para surtos de doenças como sarampo. Entenda os riscos e como a imunização pode ser retomada.

Escrito por Dra. Cláudia Monteiro · Atualizado em 21 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • O Unicef revela que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025.
  • O número representa 15% dos bebês do mundo e acende alerta para surtos de doenças como sarampo.
  • Entenda os riscos e como a imunização pode ser retomada.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida. O dado, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta quarta-feira (15), representa 15% dos bebês em todo o planeta. Eu, como fisioterapeuta especialista em mobilidade e saúde infantil, vejo nesse número um alerta que vai além da imunização: a falta de vacinas compromete a autonomia futura dessas crianças, abrindo portas para doenças que podem deixar sequelas motoras e cognitivas.

Segundo o estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional, além das 13,5 milhões de crianças que não receberam nenhuma dose (chamadas de "zero-dose"), outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico de três doses da vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). O número representa um avanço em relação ao ano anterior: 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP em 2025, 750 mil a mais do que em 2024. No entanto, o Unicef alerta que a manutenção desse patamar de crianças zero-dose é considerado alto, próximo ao observado em 2009 e abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19.

O que significa uma criança zero-dose?

Uma criança zero-dose é aquela que não recebeu nenhuma vacina no primeiro ano de vida. Isso a deixa completamente desprotegida contra doenças preveníveis, como difteria, tétano, coqueluche e sarampo. O programa de vacinas do Unicef aponta que o abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Atualmente, 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% completam a segunda (MCV2).

O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países. Para mim, esse dado é preocupante: o sarampo pode causar complicações neurológicas graves, como encefalite, que afetam diretamente a mobilidade e o desenvolvimento motor da criança.

Por que tantas crianças ficam sem vacina?

O relatório do Unicef mostra que os dados foram enviados pelos governos de 195 países. Desses, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019, mas apresentaram pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os países que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas ao longo dos últimos seis anos, mas 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, afirma em nota: "Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza." Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

O Brasil está no caminho certo?

O Brasil tem ido na contramão de muitos países, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose, que hoje são estimadas em 50 mil no país. Houve melhora de cobertura e de qualidade na integração dos dados públicos. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

A hesitação vacinal em países de renda média e alta

Outro desafio apontado pelo relatório é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, que ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram o da cobertura da DTP1. Na África do Sul, o índice caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Na Bósnia e Herzegovina, apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.

O que ameaça o progresso?

O estudo informa que as bases que possibilitaram o progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019. Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde, afirmou: "Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum." Segundo ela, o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.

Como proteger seu filho?

Se você é pai, mãe ou cuidador, a primeira atitude é verificar a caderneta de vacinação da criança. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece todas as vacinas do calendário básico infantil gratuitamente. Procure a unidade de saúde mais próxima para atualizar as doses. Lembre-se: a vacina não protege apenas o seu filho, mas toda a comunidade. Manter a cobertura alta é a única forma de evitar surtos de doenças que já estavam controladas.

vacinação infantil no Brasil: calendário 2026 como a hesitação vacinal afeta a saúde pública

Perguntas Frequentes

Quantas crianças não receberam vacina no primeiro ano de vida em 2025?

Segundo o Unicef, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025.

O que significa uma criança zero-dose?

É uma criança que não recebeu nenhuma vacina durante o primeiro ano de vida, ficando completamente desprotegida contra doenças preveníveis.

Qual a situação do Brasil em relação à vacinação infantil?

O Brasil tem melhorado a cobertura vacinal, com redução do número de crianças zero-dose para cerca de 50 mil. Apenas o ciclo completo da DTP-3 mantém cobertura baixa, em 86%.

Por que a cobertura vacinal caiu em alguns países?

As causas incluem conflitos, deslocamentos forçados, pobreza, cortes de financiamento, hesitação vacinal e enfraquecimento dos sistemas de monitoramento.

Quantos casos de sarampo foram registrados em 2025?

Foram mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, com surtos em 57 países.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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