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Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

ResumoO relatório da Unicef de 2025 revela que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida. No Brasil, o número caiu para 50 mil, com melhora constante na cobertura vacinal, embora o ciclo completo da tríplice bacteriana ainda permaneça abaixo do ideal.

Relatório da Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025. No Brasil, o número caiu para 50 mil, com melhora constante na cobertura, embora o ciclo completo da tríplice bacteriana ainda esteja abaixo do ideal.

Escrito por Roberto Vidal · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Relatório da Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025.
  • No Brasil, o número caiu para 50 mil, com melhora constante na cobertura, embora o ciclo completo da tríplice bacteriana ainda esteja abaixo do ideal.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida em 2025, segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). O número representa 15% dos bebês globalmente, e o índice é considerado alto pelo fundo, próximo ao observado em 2009.

O que diz o relatório da Unicef sobre vacinação infantil em 2025

O estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional mostra que, além das 13,5 milhões de crianças zero-dose, outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo, ou seja, não receberam as três doses da vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). Em contrapartida, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que em 2024.

Por que o índice de crianças não vacinadas preocupa?

O Unicef alerta que a manutenção do patamar de crianças zero-dose aumenta o risco de surtos de doenças. O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose contra o sarampo (MCV1): 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% completam com a segunda (MCV2). O limite seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos da doença em surtos que atingiram 57 países.

Quais países melhoraram ou pioraram a cobertura vacinal?

Dos 195 países que enviaram dados, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019. Entre os que estavam abaixo desse patamar, 30 conseguiram melhorar nos últimos seis anos, mas 65 permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade. Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive nesses contextos, que abrigam apenas um terço da população infantil mundial.

O que acontece em países de renda média e alta?

A cobertura também cai em países estáveis, por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Na África do Sul, a cobertura da DTP1 caiu 20 pontos percentuais desde 2019. Na Bósnia e Herzegovina, a queda foi de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da MCV1 da região em 2024.

Como está o Brasil no ranking de vacinação infantil?

O Brasil segue na contramão desses países, com melhora constante da cobertura vacinal e redução do número de crianças zero-dose, estimadas hoje em 50 mil. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice bacteriana (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de crítica: não há levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

O que dizem os especialistas e quais os próximos desafios?

Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, afirmou que governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas a se recuperarem após a pandemia, mas milhões de crianças continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza. Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da OMS, destacou que o grande desafio será manter o impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.

O estudo aponta que as bases desse progresso estão sob forte pressão, com cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas neste ciclo, contra 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre criança zero-dose e ciclo incompleto?

Criança zero-dose é aquela que não recebeu nenhuma vacina no primeiro ano de vida. Ciclo incompleto significa que a criança começou, mas não tomou todas as doses do esquema básico, como as três doses da DTP.

Quantas crianças no Brasil estão sem vacina?

O Brasil tem hoje cerca de 50 mil crianças zero-dose, com melhora constante na cobertura, segundo dados do Unicef. A cobertura da DTP-3, porém, ainda está em 86%.

O que ameaça a vacinação infantil global?

Conflitos, deslocamentos forçados, pobreza, cortes de financiamento (especialmente dos EUA) e hesitação vacinal em países de renda média e alta são os principais desafios apontados pelo relatório.

Por que o sarampo preocupa tanto?

O limite seguro de imunização contra o sarampo é de 95%, mas apenas 77% das crianças recebem a segunda dose. Em 2025, foram mais de 411 mil casos em 57 países, com risco de surtos maiores.

vacinação infantil no Brasil 2025 OMS e Unicef: metas de imunização como acessar o posto de saúde para vacinar seu filho

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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